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Chillerama - 2011



Olá, cambada de pustulentos amantes de filmes ruins. Sentiram falta do Tio Eddy? Ultimamente esta criatura obesa está extremamente fudida e mal-humorada. Casamento desfeito, desempregado e sem computador andei sumindo por um tempo e como o tema recorrente da minha vida é a bagunça nada mais justo escrever sobre uma bagunça divertida que assisti por acaso. Chillerama.

Chillerama é uma antologia lançada em 2011 e composta por quatro segmentos e cada episódio é uma homenagem a um gênero e estilo diferente. A trama ocorre em um cinema que está prestes a fechar. Um dos funcionários do cinema que se encontra totalmente bêbado, decide desenterrar o corpo de sua falecida esposa para afogar as mágoas no melhor estilo Nekromantik. O problema é que ela retorna como um zumbi e enche a boca (literalmente) com seus genitais, levando-o a transformar-se gradativamente em um zumbi entre os episódios que o cinema está exibindo.

O primeiro filme chama-se Wadzilla, dirigido e escrito por Adam Rifkin e que parodia os filmes de monstros de 1950. O segundo episódio, I Was a Teenage Werebear (dirigido e escrito por Tim Sullivan), se passa em 1962 e parodia clássicos como Rebel Without a Cause, Grease e a saga Crepúsculo. O terceiro é uma paródia sobre o livro O Diário de Anne Frank e experiências nazistas chamado The Diary of Anne Frankenstein e foi dirigido e escrito por Adam Green. O último segmento é Zom-B-Movie, uma versão bem humorada sobre os filmes de zumbis, dirigido e escrito por Joe Lynch, e que funciona como resultado final do acidente ocorrido com o loverboy alcoolizado no começo do filme. As filmagens ocorreram no final de 2010 e o filme foi lançado no Fantasy Film Fest em agosto de 2011. Em setembro do mesmo ano foi lançado para vídeo sob demanda e sua versão DVD e Blu-ray liberada somente no final de novembro.

De acordo com Adam Rifkin e Tim Sullivan a idéia original era de produzir uma antologia chamada Famous Monsters of Filmland, vagamente baseada na revista homônima e cada curta seria dedicado a uma era diferente do cinema. Primeiro eles vieram com nomes e mock-up cartazes para cada um dos mini-recursos: The Diary of Anne Frankenstein (1940), I Was a Teenage Vampire (1950), Zombie Drive-In (1960) e Werewolf of Alcatraz (1970). Infelizmente o acordo com a revista Famous Monsters caiu completamente assim que foi lançada uma série na MTV semanal apresentada pelo linguarudo Gene Simmons, da banda KISS, de modo que o projeto foi arquivado.

Algunss anos depois, Rifkin e Sullivan se reuniram com os diretores Adam Green e Joe Lynch no Rainbow Bar and Grill e a idéia ressurgiu. Logo, o aloprado quarteto decidiu realizar Chillerama como um filme de produção independente, com estúdio de Green, o Pictures Ariescope, servindo como sede das operações. No decorrer da produção (e devido a restrições orçamentais) Werewolf of Alcatraz foi substituído por Wadzilla; I Was a Teenage Vampire foi alterado para I Was a Teenage Werebear a mando de Joe Lynch;  Zombie Drive-In tornou-se Zom-B-Movie, e uma quinta produção chamada Deathication foi adicionado a  seqüência no drive-in para os telespectadores fakes.

Wadzilla

Wadzilla é uma paródia sobre filmes de monstros dos anos 1950 e é sobre um cara que vai pegar o resultado de sua contagem de esperma e graças às maravilhas da Ciência um espermatozóide mutante acaba escapando e atacando Nova York. O episódio foi dirigido e escrito por Adam Rifkin, que também protagoniza o filme. Os efeitos especiais foram feitos pela The Chiodo Bros.

Elenco:
Adam Rifkin como Miles Munson
Sarah Mutch como Louise
Owen Benjamin como Larry
Ray Wise como Dr. Weems
Eric Roberts como General Bukkake
Miles Dougal como Hobo
Lin Shaye como Baglady

I Was a Teenage Werebear

I Was a Teenage Werebear é uma paródia-musical de Rebel Without a Cause, Grease e da Saga Crepúsculo. Situa-se no ano de 1962 e é sobre um garoto que, relutante em “sair do armário”, acaba descobrindo que um mal ancestral está escondido em seus genes; o estigma dos Lobisursos!

Foi dirigido e escrito por Tim Sullivan. Sullivan, que é abertamente gay, incluíu muito material da cultura no episódio. A palavra “urso” é uma gíria utilizada para identificar homens corpulentos e peludos na comunidade gay. O ator gay e porn star Sean Paul Lockhart foi escalado para o papel principal e também temos a presença do ícone pornô Ron Jeremy.

Elenco:
Sean Paul Lockhart como Ricky
Anton Troy como Talon
Gabby West como Peggy Lou
Adam Robitel como Butch
Lin Shaye como a enfermeira Maleva
Ron Jeremy como Playbear
Tim Sullivan como treinador Tuffman
Thomas C. Colby-Dog como o Head Wearbear

The Diary of Anne Frankenstein

The Diary of Anne Frankenstein é um filme a preto e branco sobre Hitler tentando criar a máquina de matar perfeita para ganhar a guerra. Adam Green entrou no projeto Chillerama com o título deste curta já estabelecido, mas foi encorajado a fazê-lo sozinho. A primeira decisão de Green - dada a natureza delicada do assunto - foi que a história tinha que ser over-the-top e teria que "fazer um Hitler apalhaçado" para garantir que ninguém iria considerar o filme ofensivo. Sua segunda decisão foi lançar o ator Joel Moore no papel do ditador. "Se Joel Moore for Adolf Hitler..." Green disse: "...não há absolutamente nenhuma maneira de levar isso a sério por um segundo".

Outra curiosidade bastante singular neste segmento é a da escolha do ator para dar vida a versão judia da criatura de Frankenstein que foi nada menos que Kane Hodder, conhecido mundialmente por sua atuação como o serial killer Jason Voorhees.

Elenco:
Joel David Moore como Adolf Hitler
Kristina Klebe como Eva Braun
Kane Hodder como Meshugannah
Jim Ward como o pai de Anne Frank

Zom-B-Movie

Zom-B-Movie é uma paródia dos filmes de zumbis lançados nos anos 70 e 80 e foi dirigido e escrito por Joe Lynch. O episódio final da antologia culmina na infecção do público do cinema causada pelo bêbado capado no começo do filme. Enquanto os espectadores se divertem assistindo os filmes e bolinando suas garotas não percebem que a pipoca infectada pelo funcionário transformará a todos em zumbis "comedores" de gente.

Elenco:
Richard Riehle como Cecil Kaufman
Corey Jones como Tobe
Kaili Thorne como Mayna
Brendan McCreary como Ryan Miller
Ward Roberts como Miller

Agora eu deixo aqui para os curiosos o trailer desta tranqueira cinematográfica e vou continuar a escrever mais algum material antes que meu primo pegue novamente o notebook que peguei emprestado na base de lágrimas, calúnias e ameaças de morte. Se alguns de vocês souberem de algum emprego para um gordo vagabundo que só sabe se masturbar e assistir filmes de caráter duvidoso não deixe de me enviar um email.

Prometo que responderei assim que encontrar uma lan house decente neste buraco de merda onde vivo...

Das Haus der schlafenden Schönen - 2006


Como estou em meio à uma crise de meia-idade resolvi escrever sobre este obscuro filme alemão de 2006 que conta a história de  um exótico bordel onde os homens pagam para dormir - literalmente – com lindas jovens nuas. O único problema é que elas premanecem dopadas num sono sem fim...

Edmond (intrepretado por Vadim Glowna, que também escreveu e dirigiu o filme) é um viúvo sessentão que ainda se encontra muito abatido com a morte de sua esposa e filha em um acidente de carro há 15 anos. Ele se arrasta pelas ruas de Berlim o tempo todo a reviver alguns momentos inquietantes com sua falecida esposa  arrastando consigo a tristeza de sua morte inevitável. Um dia, seu amigo Kogi (Maximillian Schell) conta sobre o bordel. Apesar de se maravilhar com o recinto Edmond fica encucado pelo fato de que a maioria dos clientes neste bordel são idosos, felizes em cobiçar e acariciar as belezas jovens. Outra particularidade bizarra do bordel é que os clientes são proibidos de terem sexo com as meninas. As anfitriãs são fortemente sedadas para satisfazerem a tara dos tiozinhos, e pela manhã a Madame (Angela Winkler) “revive-as” com outra injeção, após os clientes deixarem o local.


O filme é baseado em um romance de Yasunari Kawabata, e talvez a vaidade das belas adormecidas funciona melhor no livro do que no filme, que tem o problema de tentar ser uma representação literal. Entre algumas falhas técnicas estão os fatos de nunca explicarem como o cabelo das meninas e maquiagem continuam perfeitos, não importa quanto tempo elas estiveram dormindo. E uma vez que isso é um fetiche masculino, você pode apostar que as meninas não roncam, babam, peidam ou falem dormindo, o que é muito comum em estados de sono profundo. Outra curiosidade é que a história seria baseada sobre os rumores de um bordel real que supostamente existiu em Berlim durante os anos 1920 e 30. A premissa é certamente assustadora, e um pouco grotesca: homens velhos atraídos para aproveitarem de jovens corpos femininos numa tara meio voyeur que eles não poderiam realizar na sua vida real. Para estes clientes (em sua maioria, senhores ricos) o anonimato e a passividade da “vítima” eram parte do tesão.


Uma outra coisa que também não me sai da cabeça é o fato do filme flertar com a pratica da necrofilia (necrofilia: parafilia caracterizada pelo desejo sexual por corpos mortos), se bem que alguns puristas podem catalogar o filme como parte de um fetiche agalmatófilo (agalmatofilia: parafilia relacionada com a atração sexual por a uma estátua, boneca(o), manequim ou outro objeto similar) o que eu descordo. Como a trama é focada na morte e na velhice, o fato de Edmond fugir de sua incapacidade de ludibriar o sentimento de morte utilizando o conforto de corpos inertes para descansar me soa bastante como necrofilia...

Obstante, Edmond rapidamente se torna obcecado com o bordel. A cada visita à sua “bela adormecida”, ele revive o relacionamento com sua mãe, suas primeiras experiências sexuais, a forma como as coisas estavam com sua esposa e filha antes do acidente, e assim por diante. Ficamos a par de suas reminiscências através de uma série de narrações (que chegam a torrar o saco de tédio!) que implicam sobre seus impulsos sexuais em face da decadência física pela idade e pela proximidade da morte.

Em suma,  “House of the Sleeping Beauties” é o tipo de filme que define a arte em oposição à propria arte. Os créditos de produção possuem bom gosto, e às vezes o filme funciona como um híbrido de monólogo e poema, mas também é uma espécie de thriller sufocante que poderia ser melhorado se o sexo e a história do bordel fossem melhor explorados do que a vida do protagonista. Um bom filme se você (assim como eu!) se sente como se fosse um dinossauro que estivesse prestes a pular em um poço de alcatrão e necessitasse de algo para servir de epitáfio para um túmulo bonito.

Título: House of the Sleeping Beauties - aka Das Haus der schlafenden Schönen
Ano: 2006
País: Alemanha
Direção: Vadim Glowna
Roteiro: Vadim Glowna, Yasunari Kawabata (novel)
Elenco: Vadim Glowna, Angela Winkler, Maximilian Schell

"Um estupro brutal leva a uma série de bizarros assassinatos sangrentos durante uma competição em um boliche popular. Um por um, os jogadores das duas equipes sofrem mortes horríveis nas mãos de um assassino mascarado. O sangue e a violência vai correr até o nascer do sol.”

Com esta “magnífica” apresentação, Ryan Nicholson apresenta sua produção debutante intitulada Gutterballs. Para os dementes mais desinformados o Sr. Nicholson é o responsável por pérolas melequentas como “Hanger” (2009) e “Star Vehicle” (2010). Eu ainda não assisti “Star Vehicle”, mas “Hanger” é a minha tosqueira favorita deste gordo canadense e suas bizarrices sexuais.

A trama de “Gutterbals” é a seguinte: três grupos de jogadores estão em uma pista de boliche. Um grupo consiste em "fodões do pedaço", o segundo é composto de periguetes com um travesti (Jimmy Blais) entre elas e o terceiro grupo é formado por “garotos estilosos do gueto”. De qualquer forma são todos perdedores. Há uma rivalidade “amigável” acontecendo entre Jamie (Nathan Witte) e Steve (Alastair Gamble), mas de repente uma confusão é armada e os três grupos começam uma briga. O dono do boliche (interpretado por Dan Ellis) resolve parar a baderna com um rifle e oferece a todos uma chance de resolverem suas diferenças de forma não violenta: deveriam voltar na noite seguinte para disputarem uma partida na pista que decidiria qual seria o melhor do boliche.


Depois de algumas “manifestações fraternais” entre si os jovens decidem rumar para suas casas, mas Lisa (interpretada pela deliciosa Candice Lewald que joga boliche com uma microsaia e SEM CALCINHA!!!) descobre que esqueceu sua bolsa no boliche e retorna para buscá-la. No interior da pista é encurralada pelo grupo de fodões liderado por Steve e é estuprada por todos os membros da gangue e “finalizada” com um pino de boliche útero adentro. Na noite seguinte os grupos retornam ao boliche e misteriosamente são todos atacados por um assassino sem rosto que se intitula BBK.

Isso seria comum num filme slasher se tudo não fosse fodido por pequenos e “imperceptíveis” detalhes técnicos. A garota Lisa foi praticamente empalada pela base de um pino de boliche e aparece no dia seguinte como se estivesse espremido uma espinha; não há nenhuma razão para a forma como as vítimas são escolhidas. Eles existem apenas para serem mortos de formas explícitas e não existe uma forma de desenvolver algum sentimento pelos personagens, porque nós mal os conhecemos e eles simplesmente morrem. E uma vez que muitos são mortos durante atos sexuais explícitos é quase certeza que o diretor iniciou o projeto como um filme pornô que ficou sem verbas e que acabou por se tornar um filme de terror para obter mais fluxo do caixa para terminar o filme.

Os outros problemas são os diálogos. A palavra “fuck” é usada com tanta freqüência que até parece um mantra, Chega a parecer que um grupo de improviso decidiu levar uma câmera para uma pista de boliche e fazer um filme caseiro. Se você curte assistir filmes sem nenhum conteúdo, somente pela satisfação de ver corpos destroçados e alguma nudez este é o seu filme!


Para ser justo, BBK é um assassino até que legal. A máscara improvisada com uma bolsa de bolas de boliche parece meio idiota no começo, mas foi uma idéia bastante original e a maneira como ele mata as vítimas tem um toque todo especial: cada vez que BBK mata alguém no filme, aparece uma pontuação no placar na forma de uma caveira com ossos cruzados. Engraçado e original.

As mortes são, no mínimo, interessantes. O primeiro casal que morre, por exemplo, são asfixiados pelos seus próprios genitais no meio de um "69". O travesti Sam é morto em um banheiro e em seguida tem seu pênis mutilado post-mortem e transformado numa xoxotinha improvisada. Outra morte que achei extremamente divertida e original foi a da “Lustradora de Bolas Boca-Suja”. Ficou curioso? Assista ao filme, hehehehehehehe...

No restante todas as mortes incluem instrumentos de tortura criados a partir de pinos e bolas de boliche. Estacas, nunchakus, aríetes e outras adaptações dementes demais para citar sem foder (mais!) com o filme.

Em suma, “Gutterballs” é um filme que vale apenas para passar o tempo, ver uma putariazinha básica e umas mortes bem fiéis ao estilo gore. Não espere um final esclarecedor ou original. Assim como fez em “Hanger”, Ryan Nicholson só quer perturbar seu juízo e depois rir da sua cara.


Título: Gutterballs Ano: 2008 País: Canadá/USA Direção: Ryan Nicholson Produção: Dan Walton, Roy Nicholson, Michelle Grady e Ryan Nicholson Roteiro: Ryan Nicholson Elenco:     Dan Ellis
Nathan Witte
Mihola Terzic
Alastair Gamble
Candice Lewald


Pieces: o Massacre da Serra Elétrica escolar


 
É uma ocorrência cinematográfica rara o fato de encontrarmos ingredientes deliciosamente viscerais como desmembramentos por motosserra, aeróbica-disco, vômitos, quebra-cabeças pornográficos e vítimas que se mijam de pavor em um só lugar. Somente a partir da mente combinada de Joe D'Amato, Randall Dick e Juan Piquer Simon poderia ter saído tal demência. A dita pérola chama-se Pieces (aka Mil gritos tiene la noche,1982) e é um dos filmes mais dementes jamais produzidos. A sinopse é a seguinte:
 
Enquanto brincava com um quebra-cabeças erótico, um jovem garoto é brutalmente repreendido pela mãe e como resposta ele a mata com golpes de machado e corta o corpo com um serrote, escondendo a cabeça dentro do guarda-roupa. Quarenta anos depois, em um campus de uma universidade em Boston, um serial killer inicia sua trilha de sangue matando garotas, roubando pedaços do corpo de cada vítima. O Tenente Bracken faz um acordo com o reitor do campus, o Sr. , e se infiltra junto com a agente Mary Riggs (que está disfarçada como uma professora de tênis) e, juntamente com o estudante Kendall, eles tentam descobrir a identidade do assassino.

 
Muitos dos membros do elenco serão bastante familiares aos fãs desse tipo de filme. Christopher George (já tendo passado por filmes como “Graduation Day” e “Mortuary”) tem uma forte liderança como o detetive Bracken, enquanto o veterano ator dos filmes de Jess Franco, Jack Taylor, arrepia ao redor do campus como um esquisito professor de anatomia. Outra figura conhecida que também aparece como um caseiro do campus e o truculento Paul L. Smith (que ficou conhecido por interpretar o personagem Brutus na adaptação do desenho Popeye, 1980, para o cinema). É claro que as vítimas são apenas anônimos pedaços de carne morta, mas de certa forma isso é tudo que eles precisam ser.

 
Digam o que quiser sobre a qualidade geral do filme, mas uma coisa é certa, “Pieces” não decepciona o fã de violência gráfica com a falta de sangue e tripas. O material flui livremente uma vez que a motosserra é ligada e cabeças, troncos e membros tingem de vermelho toda a tomada onde o assassino é encaixado. Uma das cenas mais espetaculares é a do banheiro. A pobre dançarina de aeróbica foge do assassino e com um campus gigantesco para se esconder a idiota se esconde num banheiro sem saída. Resultado: é encontrada sem suas pernas e imersa em sangue e vísceras. Também é nesta mesma tomada que somos presenteados pela cena dramática mais engraçada do cinema poeira onde, tomada pelo ódio, a agente Mary Riggs (interpretada pela loiríssima Lynda Day George) grita descontrolada pelo pátio do colégio “Bastard...Baaastaaaard...Baaaaaaaaastaaaarrrrrrdddd...”.

Se formos analisar esta cena não é a única que beira o bizarro neste filme. Numa tomada onde a agente Riggs anda pelos guetos à procura de pistas sobre o assassino um clone do Bruce Lee aparece do nada e começa suas acrobacias para somente desaparecer em seguida como se nunca estivesse por lá. Dizem que isso foi uma “trollagem” do produtor Dick Randall que já havia realizado alguns filmes de kung fu em Roma e num ataque de loucura artística decidiu colocar este troço no meio do filme...
 
Bobeiras à parte, “Pieces” é um coquetel divertidíssimo de violência, gafes, investigação e mistério à la Scooby Doo. Mesmo com seus erros de cronologia acelerada o filme encanta pelas belíssimas cenas de amputação e eventuais peitinhos que, diga-se de passagem, ficam bem mais bonitos molhadinhos de vermelho.
 

Título: Pieces (aka Mil Gritos Tiene la Noche)
Ano: 1982
País: Espanha, USA, Itália
Direção: Juan Piquer Simón
Roteiro: Dick Randall e John W. Shadow
Elenco: Christopher George, Lynda Day George, Frank Brama, Jack Taylor, Paul L. Smith.

Pieces: o Massacre da Serra Elétrica escolar


 
É uma ocorrência cinematográfica rara o fato de encontrarmos ingredientes deliciosamente viscerais como desmembramentos por motosserra, aeróbica-disco, vômitos, quebra-cabeças pornográficos e vítimas que se mijam de pavor em um só lugar. Somente a partir da mente combinada de Joe D'Amato, Randall Dick e Juan Piquer Simon poderia ter saído tal demência. A dita pérola chama-se Pieces (aka Mil gritos tiene la noche,1982) e é um dos filmes mais dementes jamais produzidos. A sinopse é a seguinte:
 
Enquanto brincava com um quebra-cabeças erótico, um jovem garoto é brutalmente repreendido pela mãe e como resposta ele a mata com golpes de machado e corta o corpo com um serrote, escondendo a cabeça dentro do guarda-roupa. Quarenta anos depois, em um campus de uma universidade em Boston, um serial killer inicia sua trilha de sangue matando garotas, roubando pedaços do corpo de cada vítima. O Tenente Bracken faz um acordo com o reitor do campus, o Sr. , e se infiltra junto com a agente Mary Riggs (que está disfarçada como uma professora de tênis) e, juntamente com o estudante Kendall, eles tentam descobrir a identidade do assassino.

 
Muitos dos membros do elenco serão bastante familiares aos fãs desse tipo de filme. Christopher George (já tendo passado por filmes como “Graduation Day” e “Mortuary”) tem uma forte liderança como o detetive Bracken, enquanto o veterano ator dos filmes de Jess Franco, Jack Taylor, arrepia ao redor do campus como um esquisito professor de anatomia. Outra figura conhecida que também aparece como um caseiro do campus e o truculento Paul L. Smith (que ficou conhecido por interpretar o personagem Brutus na adaptação do desenho Popeye, 1980, para o cinema). É claro que as vítimas são apenas anônimos pedaços de carne morta, mas de certa forma isso é tudo que eles precisam ser.

 
Digam o que quiser sobre a qualidade geral do filme, mas uma coisa é certa, “Pieces” não decepciona o fã de violência gráfica com a falta de sangue e tripas. O material flui livremente uma vez que a motosserra é ligada e cabeças, troncos e membros tingem de vermelho toda a tomada onde o assassino é encaixado. Uma das cenas mais espetaculares é a do banheiro. A pobre dançarina de aeróbica foge do assassino e com um campus gigantesco para se esconder a idiota se esconde num banheiro sem saída. Resultado: é encontrada sem suas pernas e imersa em sangue e vísceras. Também é nesta mesma tomada que somos presenteados pela cena dramática mais engraçada do cinema poeira onde, tomada pelo ódio, a agente Mary Riggs (interpretada pela loiríssima Lynda Day George) grita descontrolada pelo pátio do colégio “Bastard...Baaastaaaard...Baaaaaaaaastaaaarrrrrrdddd...”.

Se formos analisar esta cena não é a única que beira o bizarro neste filme. Numa tomada onde a agente Riggs anda pelos guetos à procura de pistas sobre o assassino um clone do Bruce Lee aparece do nada e começa suas acrobacias para somente desaparecer em seguida como se nunca estivesse por lá. Dizem que isso foi uma “trollagem” do produtor Dick Randall que já havia realizado alguns filmes de kung fu em Roma e num ataque de loucura artística decidiu colocar este troço no meio do filme...
 
Bobeiras à parte, “Pieces” é um coquetel divertidíssimo de violência, gafes, investigação e mistério à la Scooby Doo. Mesmo com seus erros de cronologia acelerada o filme encanta pelas belíssimas cenas de amputação e eventuais peitinhos que, diga-se de passagem, ficam bem mais bonitos molhadinhos de vermelho.
 

Título: Pieces (aka Mil Gritos Tiene la Noche)
Ano: 1982
País: Espanha, USA, Itália
Direção: Juan Piquer Simón
Roteiro: Dick Randall e John W. Shadow
Elenco: Christopher George, Lynda Day George, Frank Brama, Jack Taylor, Paul L. Smith.

The Curious Dr. Humpp - 1969


 
"The Curious Dr. Humpp" (aka La Venganza del Sexo, 1969) certamente é um dos filmes mais doentes que eu já vi e é uma excelente mostra de quão fundo cavaram os cineastas exploitation na década de 70 para nos apresentar nudez gratuita com premissas de horror desagradável. A história é uma loucura total, mas é realmente super divertido ver como esse filme explode em absurdos. Para se ter uma idéia do que vos aguarda a trama conta a história de um médico, o Doutor Humpp (Aldo Barbero), que seqüestra pessoas, em especial casais que estão transando e os leva para sua mansão, onde serão mantidos como prisioneiros. No processo ele injeta uma espécie de viagra experimental para "melhorar" as habilidades sexuais dos prisioneiros e os faz terem relações sexuais enquanto drena uma substância (que é apresentado como a versão líquida da libido humana) a partir deles. Mas o Dr. Humpp não é um tarado qualquer. Ele precisa desta substância para manter sua forma humana e não ser transformado em um monstro apavorante.

 
No caminhão de bizarrices deste filme argentino a seleção é a mais seletiva possível. O Doutor tem um exército de capangas terrivelmente deformados (vítimas de experiências médicas que deram errado) e uma enfermeira ninfomaníaca (Susana Beltrán) que implora constantemente  para que ele a estupre. Se tudo isso ainda não é estranho o suficiente para você, que tal adicionar um cérebro falante em um frasco que dita todas as regras do jogo e que sonha com uma possível dominação mundial!

Toneladas de nudez e violência trash é tudo o que tem Emilio (Vieyra) e Jerald (Intrator) tem para oferecer nesta tosqueira sexploitation, mas uma coisa eu assino embaixo; a diversão é relamente garantida. Além das corpulentas garotas que desfilam suas carnes à torte e direito, a maquiagem do monstro até que é jeitosinha para a época (me fez lembrar bastante o monstro borrachudo do filme El Barón del Terror, 1962) e a orientação musical com jazz de fundo que costuma aparecer no decorrer do filme também não fez (muito) feio.

 
Então, crianças. Se vocês curtem chafurdar no bizarro, confiram este filme e boa punheta...

Título: The Curious Dr. Humpp (aka La Venganza del Sexo)
País: Argentina
Ano: 1968
Duração: 87 min.
Direção: Emilio Vieyra e Jerald Intrator
Roteiro: Emilio Vieyra
Elenco: Ricardo Bauleo, Gloria Prat, Susana Beltrán e Aldo Barbero

Bay of Blood - 1971

 
Uma milionária, proprietária de uma idílica baía, é assassinada pelo seu marido, que quer se apossar da sua fortuna. Mas o criminoso é morto logo de seguida por um vulto não identificado. Quando os familiares da senhora morta, e outras pessoas se desentendem por causa da herança deixada, inicia-se um massacre sangrento. E tudo se complica quando um grupo de jovens resolve acampar nas redondezas.

 
Esta é uma das melhores obras de horror do mestre Mario Bava. Tido como um dos filmes mais sarcásticos de toda história do cinema, "Bay of Blood" brinca com o espectador num jogo insano até estabilizar um nível de empatia entre as vítimas e o espectador para finalmente se mostrar como uma magnífica extensão do poder magnético do diretor sobre o seu filme e seu público.

Se este não for o filme mais violento de todos os tempos, pelo menos ganha na quantidade de corpos; nada menos que uma dúzia de assassinatos por diversos meios e muitas vezes das maneiras mais inusitadas: facadas, decapitação, empalamento, (cerca de dois de cada vez...ROOOOOXXXX), asfixia, tiros e por aí vai. Embora isso possa soar como um slasher comum, “Bay of Blood” é um excelente exemplo do gênero, principalmente devido ao estilo visual empreendido por Bava. Sua câmera é muitas vezes infiltrada rondando a cena, e ás vezes na primeira pessoa e na terceira, alternando nas tomadas numa técnica pioneira muito utilizada por Orson Welles. Neste filme em particular há um ligeiro excesso de zoom  e provavelmente porque teve que cumprir um rígido cronograma, porém muitos de seus zooms são absolutamente lindos e bem encaixados. Ele também usa um rack de foco para criar uma emoção nas mesmas tomadas, como quando a velha olha pela janela. Vemos seu rosto em foco, então a câmera parte para as gotas de chuva na janela. Isto combinado com a música cria um clima muito profundo da melancolia da personagem. Outra coisa que admiro bastante no cinema de Mario Bava é o seu controle de emoção-ritmo-humor; mudando de momentos deternura para o terror, ao ódio, da confiança ao engano, e muitas vezes em um rápido piscar de olhos. etc.

 
Experiências ousadas como esta sempre foram mal vistas pelos críticos, mas tiveram seus louros da Glória nas mãos de estilistas como Mornau, Polanski, Freda, Romero, Argento, Franco e, claro, Mario Bava e seu filho, Lamberto, e um punhado de outros diretores menos prolíficos. "Bay of Blood" é um bom exemplo do gênero slasher nas mãos de um mestre. Este é um dos meus filmes favoritos do velho Bava. Como sempre, ele faz o máximo de seus recursos limitados, mas este filme não se encaixa totalmente de acordo com a ideologia ou extensão de, digamos, "Black Sunday", "Kill, Baby, Kill," ou "Beyond the Door Pt.2". No entanto, se o fizesse, então seria um dos maiores filmes de horror de todos os tempos e para finalizar, uma coisa que poucos sabem é que este é o filme que inspirou a franquia "Sexta-Feira 13" e sem dúvida muitos outros slashers de sua espécie.
 
Título original: Reazione a Catena
Ano: 1971
Direção: Mario Bava              
Roteiro: Franco Barberi, Mario Bava, Filippo Ottoni, Dardano Sacchetti, Giuseppe Zaccariello
Produção: Giuseppe Zaccariello

Abby: O Exorcista blackxploitation


 
Conhecido como o primeiro “clone” de “O Exorcista” a chegar aos cinemas norte-americanos, Abby foi lançado pela American International Pictures (AIP) no final de 1974. Com direção de William Girdler, roteiro de Girdler em parceria com Gordon Cornell Layne e com a participação de Carol Speed e William “Blackula” Marshal. A sinopse é a seguinte:
 
Abby Williams, uma conselheira matrimonial (interpretada por Carol Speed) é possuída por um demônio da luxúria libertado pelo seu sogro, o Bispo Garnet Williams (William Marshall), um exorcista que detonava o capeta na África. Depois de possuída e tocar o inferno nos Estados Unidos a única esperança da pobre Abby é que o sogrão volte para casa, junto com seu filho e um policial para realizar um exorcismo africano sobre ela para retirar de seu corpo puro(?) a sanha do demônio.
 
 
Apesar de ser considerado um dos blackxploitation mais podres do mundo, “Abby” é estupidamente divertido. A velocidade da trama é muito “over-the-top” em alguns pontos, mas tudo funciona como deveria funcionar.  O diretor William Girdler desperdiça pouco tempo (o filme tem apenas 85 minutos), mas entrega alguns bons momentos como quando a entidade é lançada pela primeira vez em uma caverna e quando ela entra na casa dos Williams. E como era de se esperar a Warner Bros aparentemente processou a AIP (American International Productions) por plágio, impedindo o filme de ser exibido em alguns cinemas na época. Depois que o filme foi retirado, nunca mais a AIP conseguiu colocá-lo novamente em circulação, mesmo após as questões legais serem resolvidas. E a praga da WB permanece até hoje com o filme de W. Girdler estacionado numa coluna Cult sem nunca ter sido legalmente liberado para televisão ou vídeo. Em minha opinião eu achei uma puta sacanagem porque, fora a idéia de exibir uma garota possuída de boca suja, existe muito pouco do romance de William P. Blatty nesta pérola blackxploitation e eu duvido muito que a Warner Bros. detenha os direitos autorais sobre todos os filmes cujo tema seja possessão demoníaca.
 
De acordo com o próprio romancista do livro, o escritor William Peter Blatty, que estava no set de filmagens de Abby "o diretor William Girdler estava apenas tentando fazer uma versão diferente de O Exorcista e eu não tinha visto problema algum nisto". O que eu não entendo foi se Blatty disse que o filme de Girdler era inofensivo e serviria como uma espécie de “homenagem” ao Exorcista por que então correu atrás da Warner Bros. para processar o pobre Girdler? (se bem que até hoje ele ainda discorda disso!)
 
 
De qualquer forma, “Abby” não deixa de ser um espetáculo à parte. Assim como a sua parceira branquela, esta possuída afro(disíaca) não decepciona quando o assunto são palavrões, coisas (e até pessoas) voando, uma onda de tesão incontrolável ao tomar banho ou desossar um frango, rasgar as roupas e falar obscenidades aos amigos e diferente de Linda Blair, esta senhorita encapetada não desperdiça sua libido em objetos inanimados, preferindo um bacanal em um bar cheio de homens banhados no álcool e no vício. A atuação dos negões no boteco é impagável...
 
Por mais que toda a nata diga que “Abby” seja um plágio de “O Exorcista” eu acredito sumamente que a copia seria mesmo do Evil Dead de Raimi tanto pela atuação da sapeca Carol Speed quanto pela voz de Bob Holt, que me divertiu durante toda a sua aparição como o “eshu”.
 
 
Título: Abby
Ano: 1974
País: EUA
Direção: William Girdler
Roteiro: William Girdler, Gordon Cornell Layne
Duração: 89 min.
Elenco:
William Marshall (Bispo Garnet Williams)
Terry Carter (Reverendo Emmett Williams)
Austin Stoker (Detetive Cass Potter)
Carol Speed (Abby Williams)
Juanita Moore (Miranda 'Mama' Potter)
Charles Kissinger (Dr. Hennings)
Elliott Moffitt (Russell Lang)
Nathan Cook (Tafa Hassan)
Nancy Lee Owens (Sra. Wiggins)
Claude Fulkerson (Benny)
William P. Bradford (Dr. Rogers)
Bob Holt (voz do Demônio)

Chucrutes e putaria exploitation


 
Na área do cinema exploitation aparentemente não há assunto que está fora dos limites. Os terríveis atos de nazistas e seu tratamento de judeus nos campos de concentração da Alemanha não é definitivamente um termo fora dos limites. Tem havido uma série de filmes altamente "divertidos" neste subgênero.

Os filmes de campos de concentração nazistas começaram a cativar os espectadores com The Night Porter (1974), e foram então agraciados com uma enorme quantidade de clássicos exploitation como por exemplo Ilsa, She Wolf of  SS (1975), Salon Kitty (1976) e Beast in Heat (1977), mas quem poderia esquecer de SS Experiment Love Camp? Este foi um dos filmes que começaram a loucura dos "Videos Nasty"  na Inglaterra, durante a ascensão do vídeo no início dos anos 80. A arte da capa de seu lançamento inicial que descrevia uma mulher pendurada de cabeça para baixo, quase completamente nua, numa espécie de cruz invertida deixou os conservadores altamente ofendidos e e nada mais foi o mesmo novamente.

 

A sinopse é a seguinte: Um certo número de judias foram enviados como prisioneiras a um campo de concentração alemão para uma série de experimentos encomendados pelo Führer. Se você precisar de alguma ajuda para descobrir o que poderiam ser essas experiências, vamos dar uma olhada novamente no título: SS Experiment Love Camp (Campo de Experiências Amorosas da SS).

Como em qualquer teste em fertilidade, a primeira coisa que você precisa fazer é obter um par de participantes dispostos (ou não, seja qual for o caso) e colocá-los em um tanque d'água. Felizmente, SS Experiment Love Camp não está errado neste teste vital, mesmo sendo um tanque que você pode transformar numa grande panela de pressão. Nestas experiências em primeiro lugar, juntamente com o seu par, os outros participantes são deixados para começar as coisas num cenário mais tradicional. O que não me sai da cabeça é como estuprar mulheres judias vai ajudar a melhorar a raça superior. A mesma "raça superiora" que queria eliminar o "sangue sujo" da Europa pretende criar arianos perfeitos no ventre de prisioneiras judias? Me explica aí, produção???
 
 
De qualquer forma, foda-se a razão. Se tem várias tomadas de peitinhos, bundinhas e torture-porn eu até posso colocar o raciocínio de lado por alguns momentos para saborear as ditas prisioneiras e seus assustadores "pastéis de cabelo" tão em voga na década de 70. Aos que procurarem o amor impresso no título do filme a sua busca não será em vão. SS Experiment Love Camp também nos apresenta uma linda história de amor entre uma prisioneira judia e um oficial da SS, Helmut, que teve a felicidade de ser um dos escolhidos a doar seus testículos ao seu superior, um coronel que deseja afogar seu ganso nazista novamente emcarnes judias. Para levantar a moral do pobre Helmut a prisioneira (num momento mágico em que eles conseguem fazer amor sem ninguém morrer, sem explosões e até com direito a mudança de trilha sonora!) a baqueta do oficial não surte efeito e a maldita ainda tem o dom de soltar a máxima: "Não se preocupe, querido. Estas coisas acontecem!".

Se você acha que isso foi hilário tente imaginar uma sapatão nazista com a voz da Wilma Flintstone, um comandante careca com uma grande cicatriz no rosto que parece ter sido feita com batom e a melhor de todas as cenas onde Helmut se encontra com seu coronel para um combate final e grita: "O que você está fazendo com minhas bolas???"
 

Na realidade, SS Experiment Love Camp é um filme bastante inofensivo. Não há qualquer tortura extremamente desagradável dos detentos. Comparado com a franquia da personagem Ilsa (deliciosamente interpretada pela atriz Dyanne Thorne) é quase um filme da Disney para adultos. Há tortura sim, mas muita coisa não faz sentido no filme e os (d)efeitos especiais são de uma precariedade tão grande (principalmente nas cenas de "dança" do forno onde vemos claramente que o fogo é sobreposto, no congelamento à base de algodão molhado, nos tiroteios sem sangue e nos nazistas que voam antes das granadas explodirem) você pode realmente notar que tudo o que vale neste nazixploitation é muitas risadas e talvez uma punhetinha vintage. Mas ainda assim, é isso que torna o filme divertido se bem que Garrone pareceu realmente querer fazer um trabalho sério sobre os horrores da Alemanha nazista. O próprio diretor alegou fazer uma série de pesquisas para os efeitos especiais durante a cena de transplante, afirmou que parte do filme foi filmado em um estábulo de propriedade de Mussolini, e que algumas das cenas mais sexualmente explícitas podem ter sido incluídas por outro diretor que as acrescentou sem que ele percebesse. Hmmmm, tá...

Defeitos (e mentiras) à parte, este é um filme que vale a pena assistir tanto por uma sádica diversão como para afirmar como os ingleses são frescos em relação aos filmes exploitation. Se você deseja um visual atraente e algum senso de lógica realista, é melhor assistir Saló, or 120 Days of Sodom (1957), pois SS Experiment Love Camp é um filme "schlock" com o selo de qualidade Sergio Garrone e um foco de diversão garantida se você curte assistir filmes "sérios" com efeitos do Chapolim Colorado.

L. Quigley: Dançando com a Morte


 
Ser "espirrado" do Facebook me magoou um pouco. Sentirei falta dos grupos pornôs que participava, mas a vida continua e ter perdido o meu perfil não foi uma coisa tão ruim. Ao invés de me descabelar resolvi dar um sôpro de vida aos meus velhos VHS's e numa noite destas resolvi assistir um dos clássicos da minha juventude que até hoje me cativa:  A Volta dos Mortos-Vivos" (Return of the Living Dead - 1985). 
 
Todos os pseudo-cinéfilos podem gritar aos quatro cantos que o filme promoveu o gênero na Nova Era e que sua criação estabeleceu o cinema de horror e...blá...blá...blá..., mas duvido que pelo menos a parte masculina dos fãs desta obra-prima de Dan O'Bannon oferece esta desculpa intelectual pra ficar babando no striptease que a punkinha faz encima dos túmulos afinal, quem não adora ver um par de peitos e um bumbumzinho gracioso balançando ao som do bom e velho rock and roll? Bem, estes peitinhos tem um nome: Linnea Quigley.
 

Linnea Quigley ficou mundialmente conhecida pelos fãs dos filmes trash por interpretar o papel da personagem  ”Trash”, a punk que dançava peladona em um cemitério no divertidíssimo “A Volta dos Mortos Vivos” de 1985. Ela também estrelou dezenas de outros filmes de terror, incluindo “Savage Streets” (onde co-estrelou com a encapetada Linda Blair), “Silent Night, Deadly Night”, “Nightmare Sisters”, “Creepozoids”, “Sorority Babes in the Slimeball Bowl-O-Rama”, “Hollywood Chainsaw Hookers” (outro dos meus preferidos!), “Night of the Demons” (o original de 1988 e seu remake de 2009), e “A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Master”. Linnea Quigley ainda escreveu dois livros sobre sua carreira como atriz de filmes B, “Chainsaw” e “I’m Screaming as Fast as I Can” e chegou a receber o tíluto de “Rainha dos Filmes B”.
 
 
Linnea Quigley nasceu em Davenport, Iowa ela se mudou para Los Angeles no final de 1970 para perseguir seus sonhos de atuar e rapidamente se estabeleceu no cenário de filmes independentes, aparecendo em quase uma centena de filmes. Também nos anos 80, Linnea aproveitou sua carreira em alta no gênero e lançou um histórico vídeo de ginástica aeróbica bastante peculiar, “Linnea Quigley’s Horror Work Out”. Nele, os pesos e instrumentos de musculação davam espaço à serras-elétricas e todo o tipo de maluquice. “Linnea Quigley’s Horror Work Out” virou um cult e é idolatrado até hoje!

Recentemente, Linnea co-estrelou um filme com Daniel Baldwin em “Stripperland” (2010). Em 2012, ela interpreta a personagem Clara no filme de David DeCoteau “1313: Cougar Cult”,  com Brinke Stevens e Michelle Bauer.
 
 
Como o tempo é um velho bastardo a velha Linnea já não me cativa como antes. Ao assistir o documentário "More Brains: A Return to the Living Dead" tive o (des)prazer de rever a minha musa e qual não foi a minha surpresa em descobrir que hoje sinto mais tesão pelo Tarman do que pela "tiazona" Quigley e depois deste desabafo encerro mais esta participação no Gore Boulevard para repensar sobre a criação de um futuro perfil ou sobre quais das minhas outras musas a minha mofada coleção de VHS's vai destruir hoje...

Visitor Q: A pedrada que salva!


 
Depois de ter sido expulso por má conduta pela equipe daquele judeu maldito do Facebook resolvi me manifestar sobre o modo de vida dos falsos moralistas que infectam o mundo com suas mentiras e máscaras de bem estar escrevendo uma coluna sobre como a sociedade é semelhante à um chiqueiro e nada melhor que escrever sobre o pai do desconforto cinematográfico, Takashi Miike, e sua obra-prima "Visitor Q". Produzido em 2001, esta loucura japonesa que leva a assinatura de Miike (Ichi the Killer, Audition) foi parcialmente inspirado em "Teorema" de Pier Paolo Pasolini. "Visitor Q" (Bijitâ Q, no original) retrata, de forma bizarra, a crise de uma família burguesa no Japão e como a própria mascara suas feridas sociais com status elevados e boas vestimentas. 
 
 
Kiyoshi Yamazaki (Kenichi Endo) é um jornalista que busca realizar uma reportagem sobre o crescimento da violência e do sexo no Japão. Para "aquecer" a matéria ele toma uma atitude um tanto extrema: começa realizando relações sexuais com sua própria  filha, que é prostituta, e filmando seu filho sendo humilhado e agredido por colegas de escola  em sessões intermináveis de bulling escolar. Para completar este quadro de "família feliz" seu filho desconta sua frustração espancando a mãe, que é viciada em heroína e que se prostitui para manter o vício, que é "escondido" da família. 
 
A trama ultrapassa o limite do bizarro com a chegada de um estranho visitante, o "visitante Q", que após alvejar a cabeça de Kiyoshi com uma pedrada o leva para casa enquanto acompanha os comportamentos bizarros e provoca mudanças no seio da família Yamazaki. Conhecido por seu também bizarro "Audition" (1999), Miike nos apresenta uma violenta parábola sobre a convivência cultural no Japão pós-moderno e através da bizarrice desenfreada que o diretor expõe sem nehuma maquiagem moral toda a crise da sociedade japonesa do século XXI tendo em foco a desagregação íntima da familia burguesa tradicional. 
 
 
O que torna os filmes de Takashi Miike tão assustadores não são os mortos , mas sim os vivos com seus dramas bizarros e perversões sexuais. Em "Visitor Q" você pode esperar de tudo: incesto, necrofilia, drogas, sexo grupal e uma cena espetacular onde a matriarca dos Yamazaki praticamente inunda um cômodo da casa esguichando leite materno como se fosse um chafariz. (como uma mulher com peitos tão pequenos pode produzir tanto leite? Preciso fazer uma viagem ao Japão urgentemente!!!)
 
A critica cultural em "Visitor Q" é tão explicita quanto as perversões sexuais que ele expõe. Logo na cena de abertura em que Kyoshi começa a fazer sexo com sua filha, ela pergunta: "O que você sabe dos adolescentes de hoje em dia? ". E ele responde incisivamente: "Eles se dizem o futuro do Japão. Um futuro sem esperanças!" 
 
Se no "Teorema" de Pasolini regredir ao estado primal era como sentir-se nu e desesperado no deserto, para Miike a regressão talvez seja recolocar seus personagens em um estágio tão primal quanto animalesco, e que talvez seja a única chance de redenção para este seu circo familiar. Com o estigma da violência e da degradação o "visitante Q" estabiliza a normalidade familiar exatamente como os médicos presenteiam a vida aos recém-nascidos com um tapaço no rabo! Pai e filhos sugam nos seios de uma mãe curada de cicatrizes e vícios que a sociedade lhes impunham enquanto todas as feridas (físicas e psicológicas) desaparecem por completo. A união familiar prevalece como se voltasse ao estágio fetal, onde a repressão social lhes era desconhecida e a única ordem a ser obedecida era a de viver bem entre os seus.
 
 

Ficha técnica
 
Título: Visitor Q (Bijitâ Q, no original)
País: Japão.
Ano: 2001.
Direção: Takashi Miike.
Elenco: Kenichi Endo, Shungiku Uchida, Kazushi Watanabe, Shôko Nakahara,Fujiko, Jun Mutô.

Cannibal! The Musical - 1993



"Cannibal! The Musical" (originalmente conhecido como "Alferd Packer: The Musical") é uma comédia de humor negro de 1993 escrita independente dirigido e estrelado por Trey Parker (co-criador do desenho South Park), enquanto estudava na Universidade do Colorado, em Boulder. É vagamente baseado na história verídica de Alferd Packer e os detalhes sórdidos da viagem de Utah para o Colorado, onde devorou seus cinco companheiros de viagem. Trey Parker (creditado como Juan Schwartz) estrela no filme como o próprio Alferd Packer.

Em 2001, uma produção teatral foi encenada no Teatro Kraine na East 4th Street, em Nova York. O show continuou a encontrar pequenos teatros e audiências em toda a América e o espetáculo seguiu por muitos anos.

A produção do filme começou como um curta de três minutos feito para uma aula de cinema, mas o trailer chamou tanta a atenção que Parker e Stone levantaram cerca de US $ 125.000 e começou a filmar esta louca história como um longa-metragem. O filme foi rodado durante a semana e nas férias de Primavera em 1993, e de acordo com Ian Hardin, a maior parte do elenco não tinha nenhuma experiência com cinema profissional. No início das filmagens, Parker foi arremessado de um dos cavalos tocando "Liane ", fraturando o quadril na queda.
 

O filme foi originalmente intitulado "Alferd Packer: The Musical" e estreou em 31 de outubro de 1993, em Boulder, Colorado, em um cinema perto da Universidade de Colorado. Um protesto falso organizada por amigos de Parker e Stone, organizado nos moldes de uma manifestação pelos direitos dos animais, foi utilizado na frente do teatro para chamar a atenção dos pedestres. O filme não foi lançado em geral, até 1996, no entanto, quando a Troma Entertainment pegou o projeto e rebatizou-o de "Cannibal! The Musical" com a preocupação de que algumas pessoas de fora do estado do Colorado não soubessem quem fôra Alferd Packer, o filme começou a ser distribuído amplamente. A sátira animada de Matt e Trey, "South Park", estreou no ano seguinte.

Seguindo o sucesso de "South Park", Lloyd Kalfmann relançou o filme em VHS e DVD fazendo com que o filme desfrutasse de um status cult decente. O DVD contém um "Drunken Director's Commentary" onde Parker e Stone, juntamente com a maioria do elenco ficavam bêbados enquanto vêem o filme, embora existam alguns momentos em que os comentários ficam em off (por causa do gravador ter sido desligado acidentalmente ou talvez porque falavam tanta merda que mais tarde decidiram que ninguém deveria ouvir tudo aquilo).
 

O filme já foi lançado em UMD para o PSP da Sony. A edição especial do 13 º Aniversário foi lançado pela Troma com recursos adicionais, incluindo novas entrevistas com o elenco e a equipe.
 
Para maiores informações acesse o site oficial do filme e tenha um bom apetite!

Flesh for Frankenstein (1973)


Este filme de Paul Morrissey é provavelmente a adaptação mais esquisita da lendária obra de Mary Shelley que eu já vi! Em comparação com o "Frankenstein" (1931), de James Whale, estrelado pelo ícone do horror Boris Karloff, "Flesh for Frankenstein" não possue nada do charme romântico do original. O diretor Paul Morrissey criou um cenário bizarro e grotesco que contém uma abundância de sangue e tripas, humor negro, incesto e necrofilia. Alguns momentos calmos entram em contraste com a brutalidade gráfica (e exposições de nú frontal) tangente no filme.

Outro fator interessante é a utilização "emprestada" do nome de Andy Warhol para o título do filme. Errôneamente tido como diretor, Warhol teve apenas seu nome creditado ao filme como forma de promover a película dos reais diretores ( Morrissey e Margheriti) que seriam algo como seus "afilhados artísticos"...Vai saber!!!

O enredo é o mesmo de centenas de outras adaptações. O Barão Frankenstein, (interpretado por um incrívelmente desequilibrado Udo Kier) está em busca da cabeça sérvia perfeita para completar o seu monstro fodedor macho (a versão feminina serve como fonte dos desejos do cientista e é interpretada por Dalila di Lazzaro). A Baronesa (Monique Van Vooren), por outro lado, encontra-se descontente sexualmente com seu irmão/marido, enquanto dois camponeses (Joe Dallesandro e Srdjan Zelenovic) resolvem visitar um bordel em meio a uma tempestade. Para completar a bizarrice, há um par assustador de criançinhas que vagam silenciosamente dentro e fora do filme. Como o assistente do cientista louco temos Arno Jeurging como um chorão Igor, que insiste em apresentar nudez frontal masculina. No decorrer da história uma mistura de sensualidade/grotesco toma conta da trama e tudo se resume a uma pilha de cadáveres no final.

O ridículo de "Flesh for Frankenstein" é, felizmente, também a sua graça salvadora. Ao contrário dos filmes "camp" que atropelam os requisitos que lhes deram vida, "Flesh..." é claramente um rebento de "I Vampiri" com Dario Argento. Morrissey trata seus personagens com cuidado, mostrando não apenas a sua insanidade, mas também apresentando-os como verdadeiras estrelas. Todo mundo é bonito e tudo é gótico. Do castelo sombrio de Frankenstein ao brilhante laboratório em uma caverna, cada cena é construída para obter um impacto dramático maior, mesmo que o efeito cumulativo de todo o drama seja uma risadinha...heheheheheh...

Eu até poderia escrever sobre os aspectos raciais, sexuais e políticos de "Flesh for Frankenstein", mas para quê? Está tudo lá na superfície e essa é a verdadeira grandeza do filme. Nunca tenta ser mais do que é: divertimento sangrento e sensual. Provocante, mas mesmo assim uma recomendada mistura entre splatter e arte.


Título: Flesh for Frankenstein / Andy Warhol's Frankenstein
Ano: 1973
Country: USA, Itália, França
Diretores: Paul Morrissey, Antonio Margheriti
Roteiro: Paul Morrissey
Elenco: Udo Kier, Monique Van Vooren, Dalila Di Lazzaro, Arno Jeurging, Joe Dallesandro e Srdjan Zelenovic