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Yurei: o símbolo do horror nipônico

Dedico este novo post aos meus amigos por suas inúmeras perguntas, como “porque os espíritos japoneses sempre têm cabelos longos”, “porque daquela voz”, Então, aproveitando o momento neste terceiro post irei falar sobre Yurei, símbolo do folclore japonês.

O termo "yurei" é uma analogia ocidental para
fantasmas, o nome vem do kanji (um dos três alfabetos japoneses) YU que significa Fraco e Rei que significa Espírito. Existe aqui no dicionário outro nome, para espírito, que a meu ver é o que mais se encaixa com a cultura ocidental, já que no folclore japonês espírito não é citado propriamente dito, seria Borei que significa espírito arruinado ou que partiram, no Google achei outra palavra como Shiryo que significa espírito morto.


Vale sempre lembrar que estamos falando de uma outra cultura, diferente da cultura ocidental que fala que os espíritos voltam para assombrar os humanos os japoneses tem uma visão um pouco diferente.

De acordo com as crenças tradicionais japonesas, todos os seres humanos têm um espírito ou alma chamado de Reikon (no Xintoísmo e budismo japonês, é o equivalente à alma ou "espírito" na cultura ocidental. Quando uma pessoa morre de forma inesperada, violenta ou traumática, a Reikon permanece entre os vivos no mundo das pessoas como um fantasma que devem preencher um dever inacabada entre os vivos. Em crenças Shinto um fantasma é chamado de Yurei). Quando uma pessoa morre, o reikon deixa o corpo e entra em uma forma de purgatório, onde aguarda o próprio funeral e pós-funeral ritos a serem realizados, para que ele possa se juntar a seus antepassados. Se isso for feito corretamente, o reikon acredita-se ser um protetor da família vivendo e retorno anual em agosto durante o festival Obon (Festa comemorada durante três dias no Japão sempre dando inicio 15 de Julho no leste do Japão) para receber agradecimentos. No entanto, se a pessoa morre de forma súbita ou violenta, como assassinato ou suicídio , se os ritos adequados não foram realizados, ou se eles são influenciados por emoções poderosas, como um desejo de vingança , amor , ciúme , ódio ou tristeza , o reikon é pensado para se transformar em um Yurei, que pode preencher a lacuna de volta ao mundo físico . O Yurei então existe na Terra até que possa ser colocado para descansar, seja realizando os desaparecidos rituais , ou resolver o conflito emocional que ainda amarra ao físico avião . Se os rituais não forem concluídas ou o conflito não resolvidas, o Yurei persistirá em sua assombração. (Wikipédia, 2011)

Aqui no Ocidente ficamos vendo bem um Yurei no filme Ringu (Hideo Nakata, 1998), nos filmes de terror asiáticos mostram a forma vingativa dos Yureis, que por algum motivo, não puderam receber seu descanso merecido ou sua punição equivalente, Tradicionalmente, o yurei é retratado com o cabelo preto desarrumado despenteado. Esta é uma referência tradicional japonesa para o teatro Kabuki, que tem sido predominante no Japão há anos.

No teatro Kabuki, os personagens do mal são geralmente considerados insanos. Um símbolo de insanidade no teatro Kabuki é o cabelo despenteado. O yurei é quase sempre vestidos de branco. Isso se refere ao fato de que o traje tradicional funeral no Japão é branco. O fantasma japonês é visto no último pedaço de roupa que foi usado antes de viajar para o mundo dos mortos. Outra referência simbólica que pode ser visto em um yurei é o que alguns chamam de "grito silencioso". Isto tornou-se popular com os telespectadores americanos em ambos, "The Ring", série, e em "O Grito", série. É estranho que isso se tornou um grampo do fantasma japonês, desde que realmente tem raízes na mitologia chinesa. (Asian Pop, 1997).

Finalizando aqui, espero ter ajudado você, fã curioso do horror japonês a entender melhor, quando ver um Yurei em algum filme, jogo de console, o porquê de sua aparição, tendência e estereótipos.

Diego A. Horta
 
Hoje com a globalização, internet como maior veiculo de informações, encontramos um grande crescimento em culturas e sub-culturas de outros países. Posso dizer que essa coluna é um exemplo disso, pois o crescimento do público sobre o terror asiático, vem só aumentando, mas, antes de falarmos sobre diretores, artistas e filmes, vamos falar um pouco sobre a história do terror asiático.
 
Para começar irei analisar o mercado de cinema asiático, pois assim ficará mais fácil ver o "porquê" de seu crescimento tão rápido e forte. Consultarei vários artigos em revistas e na internet, e as teorias e especulações a partir de livros, bem como filmes e os seus homólogos remakes. Em particular vou me concentrar em filmes como Ju-On: (Takashi Shimizu, 2003), Ringu (Hideo Nakata, 1998) e Poltergeist (Tobe Hooper, 1982). Além disso, vou olhar para esses filmes como referenciado na cultura popular. A partir deste espero encontrar que o cinema asiático tem uma grande influência sobre a indústria cinematográfica.
 
O horror japonês, muitas vezes referida como J-Horror, decorre do Edo e períodos Meiji e, muitas vezes centra-se na religião popular como a posse, Yokai, Precognição, xamanismo e exorcismo. (J-Horror, Wikipedia, 2011). Muitos filmes japoneses, por exemplo Ringu, focam-se nos "Yurei", espíritos que foram vinculados ao mundo físico e que as emoções fortes vividas aqui na Terra não lhes permitem passar para o "Outro Lado". O tipo específico de Yurei depende das emoções. O mais comum de J-horror é Onryo, um Yurei obrigado pelo desejo de vingança.
 
Existem muitas diferenças entre os horrores japoneses e os remakes americanos: Não vamos comparar à fidelidade e sim a forma de expressão da arte, pois chegamos a ver e nota-se claramente nos remakes norte-americanos um certo “retalhamento” em seus remakes o que se difere das produções japonesas, pois o comércio asiático pode ser um pouco mais “flexível” ou “evoluído” em questão a cenas de horror, sangue etc. Um exemplo disso é que o horror americano normalmente tenta explicar-se para que possamos saber por que uma criatura do mal está fazendo o que está fazendo.
 
O que quero explicar é que os filmes norte-americanos tendem a ser auto-explicativo e simples. Eles não tendem a dobrar as regras ou ter muitos significados ocultos. No entanto, horror japonês pode ser muito mais complexo, com muitos significados ocultos. Às vezes, as regras são quebradas e a lógica totalmente desafiada e você tem que aprender a vê-la como uma lógica aos olhos dos outros. Existe um exemplo muito para dizer sobre filme asiático é o seguinte: “No horror asiático, 2 +2 pode ser igual a 6, você só precisa aceitar".
 
Quando Ring foi lançado no Japão, ele recebeu uma grande quantidade de espectadores, tornando-se o filme de maior bilheteria no país e recebeu 23 críticas positivas. Ring rapidamente se tornou um dos filmes mais comentados em toda a Ásia. No entanto, não foi por causa do diretor americano Gore Verbinski redefinir a estória para um remake ocidental que os contos japoneses Yurei se tornaram populares na sociedade ocidental. Uma vez que o remake saiu, os contos de assombração japoneses foram quase que instantaneamente enxertados na cultura popular aparecendo em todas as formas de mídia, como por exemplo na web-comics 'The Rugrats ". (The Ring.
 
Ringu teve duas continuações, Rasen (Joji Iida, 1998) e Ringu 2 (Hideo Nakata, 1999), bem como um “começo” Ring 0, (Norio Tsuruta 2000). Havia também um remake coreano Ringu (The Ring) que quase não veio ao conhecimento do público. O sucesso internacional do filme despertou o renascimento do cinema de horror no Japão, resultando em filmes como Ju-On:. O Grito, Água Negra: Dark Water (Honogurai mizu no soko kara, 2002) e Pulse (Kiyoshi Kurosawa, 2001).
 
Também poderia ser argumentado que apenas a idéia de horror sobrenatural era incomum na sociedade ocidental até o cinema asiático bombardear o mundo com fantasmas misteriosos de cabelos compridos prontos para jogar o medo e o pânico no subconsciente do mundo. O autor do Ringu alegou que teve sua inspiração a partir de Poltergeist, mas no entanto um argumento que pode permanecer é que desde o lançamento do The Ring (Gore Verbinski, 2002), filmes ocidentais se moveram em direção a temas sobrenaturais ao horror. Filmes como Ringu também influenciaram a criação de filmes como o Feardotcom (William Malone, 2002) que conta a historia de um grupo de quatro pessoas foram encontradas mortas, após realizar seu login em um site chamado “fear.com” O filme é uma certa adaptação a trágica tecnologia japonesa que era uma simples VHS (brincadeiras à parte...hehhehhe).

Já o horror dos EUA não teve nenhuma idéia nova desde o boom dos filmes de terror da década de 1980. Pois é fato que estamos vendo vários remakes de filmes da década de 80, com a tecnologia do século XXI, e por isso que estamos vendo também que o terror asiático só cresce no ocidente. Li ainda em um fórum que Thomas Shatz diz que os filmes ocidentais estão seguindo um jogo de etapas e que entre elas estão o experimental, o refinamento, o clássico, etc.
 
Em conclusão, é evidente que a mídia mainstream japonesa é muito mais extrema, tanto em termos de violência quanto outros temas. Existem muitas maneiras diferentes em que horror japonês tenta influenciar o público e com isso tem influenciado bastante a indústria cinematográfica internacional e curiosamente os filmes de horror americanos têm influenciado horrores japoneses que foram refinados e atpé mesmo reescritos para re-influênciar a indústria americana de horror. Para se ter um exemplo disso citaremos o filme "Poltergeist" como sendo a influência direta de Ringu e Ringu sendo influência para outros. Posso ainda dizer que os filmes da cultura pop americana de horror são influenciados por filmes "cool" asiáticos (como cheguei a comentar muito aqui neste post) porém, uma forte forma de terror que vejo sempre inovando é o "Lado B" da cena de horror. Nesta pequena disseratção sobre o Horror Asiático me referi apenas aos filmes hollywoodianos, com grandes luzes, câmeras e diretores famosos gritando “AÇÃO”, porém, os filmes de menor visualização na mídia crescem descomunalmente em matéria de criatividade, efeitos, inovação.
 
No mais, fica aqui a dica da coluna Sangue em Tokyo para quem quiser saber mais sobre a indústria cinematográfica nipônica e seus segredos e fantasmas...
Diego A. Horta

O retorno inglório de Shozin Fukui


Nesta estréia como colunista do site Gore Boulevard estarei falando um pouco sobre o filme "Den-Sen" de Shozin Fukui (e demais filmes asiáticos de horror, fantasia e ficção científica) e colocando alguns pontos de vista a respeito do trabalho deste conceituado diretor japonês. Espero que curtam...

SINOPSE

Um trio de jornalistas recebem um DVD de origem desconhecida. A jornalista decide assistir ao DVD para em seguida acabar se matando. Seus dois companheiros resolvem desvendar a causa de sua morte e descobrem que ela não estava sozinha em seu apartamento na hora da morte e que há um espírito em seu apartamento.
Quem é aquela mulher misteriosa que faz com que as pessoas que assistem esse vídeo se suicidem?

CRÍTICA

Shozin Fukui, cujo trabalho é frequentemente comparado com o de Shinya Tsukamoto, ficou conhecido mundialmente ao lançar dois filmes de terror cyberpunk na década de 90, "Pinocchio 964" (1991) e "Rubber’s Lover" (1996) e que foram lançados pela Unearthed Films em 2004.

Depois de um hiato de quase 10 anos Shozin Fukui lançou dois trabalhos em DVD, "Onne" e "Den-Sen" (traduzido no Brasil como "Infecção") que não foram muito bem vistos pelos fãs de seus trabalhos anteriores serem muito comerciais, mas um certo charme underground ainda pode ser visto em algumas cenas do filme. Se você prefere filmes com aquela dose extra de sangue pode se decepcionar com "Den-Sen". Seu conteúdo é quase que completamente investigativo e em alguns momentos chega a se tornar cansativo, mas a química do filme é a de fazer o espectador assistí-lo até o final (por bem ou por mal!) para saber o desfecho da história.

Como foi um filme muito pouco explorado não consegui achar mais imagens ou um trailer, mas aos interessados basta procurar o filme nos torrents da vida e esquecer de vez toda as cenas frenéticas de Pinocchio 964 e do cinema de porão de sensei Fukui.

Título Original: Den – Sen
Titulo no Brasil: Infecção
Gênero: Horror
Lançamento: 2004
País de Origem: Japão
Duração: 80 min
Direção: Shozin Fukui
Diego A. Horta