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L'Uccello dalle Piume di Cristallo (The Bird with the Crystal Plumage - 1970)


O subgênero Giallo pegou sua alcunha emprestada do termo pejorativo de publicações de livros de bolso (ou publicações pulp, se preferir) de suspense e mistério, cuja característica era suas capas amarelas (daí o termo giallo, “amarelo” em italiano e cujo plural correto seria gialli). Quem deu o pontapé inicial nesses filmes, com seus misteriosos assassinos de luvas pretas e lâminas reluzentes, foi o mestre Mario Bava, no começo dos anos 60, com obras como La Ragazza che Sapeva Troppo e I Tre Volti della Paura/Black Sabbath, ambos realizados em 1963, e Sei Donne per l'Assassino de 1964.

Ao longo da década de 1960 foi realizado um número razoável de gialli feito por diretores diversos como: Vittorio Sala e Gorge Marshall (ambos co-dirigiram “L'Intrigo”, 1964), Giulio Quest (“La morte ha fatto l'Uovo”), Riccardo Freda (“A Doppia Faccia”, 1969), Umberto Lenzi (“Così dolce... così perversa”, 1969) e até o sacana do Tinto Brass soltou seu exemplar, com o híbrido Col Cuore in Gola (1967), uma mistura de giallo com pop art, influenciado pela novelle vague!


Como podem ver o giallo já rondava os becos escuros do cinema italiano ao longo dos anos 60, mas foi com o estrondoso sucesso comercial de uma obra de 1970, dirigida por um jovem estreante, que esse subgênero ganhou grande popularidade, pipocando vários exemplares. O filme em questão se chama O Pássaro das Plumas de Cristal, seu diretor: Dario Argento. No começo do filme sabemos que um serial killer anda aprontando pelas ruas de Roma, fazendo belas mulheres de vítimas. A polícia se mostra inoperante, como de hábito nos gialli, e a imprensa se delicia com o escarcéu que cria em cima dos crimes. Alheio no momento a tudo isso temos o protagonista Sam Dalmas (Tony Musante), um escritor norte-americano que, numa crise criativa, foi passar uma temporada em Roma, “nada acontece na Itália” aconselhou um amigo seu. O máximo de trabalho que Sam conseguiu no país da bota foi fazer um catálogo sobre aves.

Numa bela noite, Sam está voltando para casa quando assiste uma tentativa de assassinato dentro de uma galeria, obviamente que nosso bom samaritano vai tentar impedir o crime. Porém, graças à astúcia do criminoso, Sam fica preso num vão, entre as portas de vidro, interna e a externa, da galeria. Enquanto o assassino foge, nosso protagonista testemunha a agonia da vítima, até a chegada da polícia. A vítima sobrevive, ela se chama Monica (Eva Renzi), é casada como dono da galeria de arte, o sr. Alberto Ranieri (Umberto Raho).

Interrogado exaustivamente, Sam sabe que viu algo de errado, mas por mais que revire suas lembranças, não consegue identificar o eixo que não encaixa. O inspetor Morosini (Enrico Maria Salerno), na esperança de que Sam lembre mais alguma coisa, acaba confiscando o passaporte do norte-americano.


Nosso protagonista está impedido de sair do país (ele planejava voltar para os EUA dentro de dois dias), como se isso não fosse ruim o suficiente, o escritor acaba sofrendo ataques do próprio assassino, colocando em risco não só a vida do protagonista, mas também de sua namorada italiana, Julia (interpretada por Suzy Kendall que depois estrelaria “Torso”). Restará a nosso herói investigar o caso por conta própria, até chegar a uma conclusão bizarra.

Enquanto isso o assassino fará novas vítimas, como a antológica cena em que ataca uma moça em seu quarto, e que acabaria inspirando um dos pôsteres de cinema do filme. A moça em questão é a belíssima Rosita Torosh, creditada aqui como Rosita Toros, que na época chegou a ser a presidente da Sociedade Naturista Italiana! Morreu de câncer em 1995, aos 50 anos. Vale lembrar que uma das chaves que elucida o caso é o pássaro que dá nome ao título, que segundo o filme seria uma rara ave oriunda da Sibéria, cujo nome cientifico seria Hornitus Nevalis, que na verdade não existe. A ave que mostram é nada mais que um grou-coroado-oriental, ave típica da savana africana, lugar bem distante da Sibéria, diga-se de passagem.

Ex-crítico de cinema e ex-roterista (seu trabalho mais célebre foi o script, escrito a quatro mãos com Bernardo Bertolucci, para o clássico “Era uma Vez no Oeste”), Dario Argento resolveu remangar as mangas e botar mãos a obra. Seguindo a escola deixada por Bava (que reza a lenda detestou “O Pássaro das Plumas de Cristal”, acusando o filme de ser mero plágio do seu “La Ragazza che Sapeva Troppo”). Segundo alguns, inspirado num conto de Frederic Brown, outras fontes alegam Edgar Wallace como inspiração, o fato é que o jovem diretor criou um filme instigante e de forte apelo visual, que segundo dizem, teria impressionado até Hitchcock na época.


Filmado em seis semanas, com o custo em torno de 500 mil dólares. A estreia de Dario Argento se deu com o apoio do pai, o produtor de cinema Salvatore Argento, em parceria com o produtor alemão Artur Breuner, ou seja, uma co-produção entre Itália e Alemanha. Outro colaborador importante foi o vizinho e amigo da família Ennio Morricone. Detalhe: quem conduziu a trilha composta por Ennio foi o maestro Bruno Nicolai, pupilo de Morricone, e que depois se notabilizaria por criar várias trilhas inesquecíveis de Gialli.

Embora com todo apoio fraternal, nem tudo foram flores, um produtor executivo não acreditava no filme, achando muito violento, ao ponto de querer tirar Argento das filmagens. Achava que o filme seria um fracasso, até ver a reação de sua secretária, que teria passado mal durante uma exibição-teste, o tal executivo acabou mudando de ideia a partir daí. Outra presença marcante na realização do filme foi o diretor de fotografia Vitorio Storatto, na época também um novato, depois ele faria filmes como Apocalipse Now e viraria colaborador frequente de Bernardo Bertolucci.

Aqui não temos ainda as experimentações cromáticas de Argento, o uso forte de cores, principalmente o vermelho, que seriam sua assinatura. Isso aconteceria a partir de Profondo Rosso (1975), e explodiria em Suspiria (1977) e Inferno (1980). Embora sem o isso e abuso de cores fortes, Argento já mostrava em sua estreia outra marcada sua, o belo uso da câmera, sendo em ângulos inusitados, sendo em malucos movimentos de câmera. Numa cena, por exemplo, temos uma das personagens caindo de um prédio, vemos a queda através dos olhos da vítima, para conseguir esse efeito de câmera subjetiva, a produção simplesmente tocou a câmera prédio abaixo, espatifando-a e usando a película depois. Ponto para Storatto, que não só deve ter embarcado como colaborado para as excentricidades visuais de Argento.

Outro destaque do filme é seu elenco peculiar. Entre os atores coadjuvantes destaque para o esquisitão Reggie Nalder (que ficaria lembrado como o vampiro Kurt Balow na versão para tv de “Salem’sLot”, do TobeHooper), como um assassino de aluguel e de Mario Ardof, como um bizarro pintor, personagem que não só lança uma luz para a solução do enigma, como serve também como um alívio cômico politicamente incorreto. Destaque também para o fato de aqui Argento inaugurar um fato que se repetiria nos seus filmes seguintes: as mãos enluvadas do assassino nada mais são que as mãos do próprio Argento! Ele sempre usaria a partir daqui, suas mãos para representarem as mãos do assassino.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi um enorme sucesso de bilheteria, tanto na Itália quanto nos EUA. Esse sucesso fez com que Argento engatasse imediatamente mais dois gialli, lançados em 1971: O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas sobre Veludo Cinza. Fechando assim um ciclo que ficou conhecido como a trilogia dos bichos.


Ao contrário do cinema e da televisão que o exibiram com o título original traduziu por completo, o filme foi lançado em vhspor aqui com o título mutilado de “As Plumas de Cristal”. Claro que o sucesso do filme de argento despertou o alarme dos produtores italianos, logo houve um boom do giallo. No começo dos anos 70, o cinema italiano se viu abarrotado deassassinos de luvas pretas e belas mulheres assassinadas. Praticamente todo diretor de cinema de gênero italiano acabou realizando seu giallo.

Por tudo citado acima, “L'Uccello dalle Piume di Cristallo” já marcaria seu lugar na história do cinema, mas ele também é um ótimo filme. Com um bom ritmo e ótimas cenas, ainda que longe do esplendor das obras-primas que o próprio Argento criaria depois. Mais do que uma estreia promissora, um belo filme que resistiu ao tempo e que merece ser visto e revisto.


Cosa Avette Fatto a Solange? (What Have You Done To Solange? - 1972)


Eis um dos mais impactantes e famosos gialli já feito. Também é um dos mais contundentes e corajosos exemplares do subgênero, ao mexer com alguns temas tabus na época, e como os iniciados estão carecas de saber, a sutileza não é uma das características desses filmes de mistério à italiana.

A obra abre com uma bela cena, em que um casal de amantes passeia numa canoa pelo rio Tâmisa de Londres. O homem insiste em entrar na sacanagem, mas a virginal moça se recusa a se entregar para o ato carnal, entre um amasso e uma recusa, a garota acaba vendo uma mulher correndo pelo bosque na margem do rio, e acaba testemunhando o assassinato desta última. Obviamente tudo é muito rápido e a testemunha não consegue ver o rosto do assassino. A moça entra em pânico, mas seu companheiro, que não só vê nada, como não acredita nela, achando se tratar de mais uma desculpa para não fazer sexo. Até chegar o dia seguinte, e ele descobre que realmente houve um assassinato ali. 


Logo sabemos que o casal do início é formado por Enrico Rosseni (o galã FabioTesti do faroeste “Os Quatro do Apocalipse” de Lucio Fulci), professor de italiano numa típica escola para moças de Londres, e a garota é uma de suas alunas, Elizabeth Seccles (a espanhola Cristina Galbó, do clássico filme de zumbi “Let Sleeping Corpses Lie” de Jorge Grau).E que a vítima era também uma das alunas de Enrico, e colega de classe de Elizabeth, e foi brutalmente assassinada com uma enorme faca penetrada na vagina! 

No decorrer das investigações o professor acaba virando o principal suspeito. E pior, tem queficar calado sobre o ocorrido, pois além de estar com uma aluna, há o agravante de ser casada com Herta, uma das professoras do mesmo colégio em que leciona (interpretada pela bela alemã Karin Baal que trabalhou em “Lola” de Rainer Werner Fassbinder). 


O filme acaba seguindo a velha cartilha do giallo: a de que o principal suspeito terá que investigar e descobrir o assassino por conta própria para salvar o pescoço. As coisas pioram quando o tradicional assassino de luvas pretas continua fazendo vítimas entre as belas alunas da escola.

Inspirado numa história de Edgar Wallace, escritor cuja obra é a fonte principal dos chamados Krimis alemães, filmes de mistério rodados na Alemanha Oriental nas décadas de 50 e 60, embora as tramas se passassem em Londres, e que acabariam influenciando os gialli. Aqui, como nos thrillers germânicos, temos a capital britânica como pano de fundo para assassinatos brutais, sem contar que no elenco temos a figura do alemão Günther Stoll, ele próprio atuou em alguns desses Krimis alemães (“Maigretundsein Größter Fall”, “Straßenbekanntschaftenauf St. Pauli”). 



O diretor Massimo Dallamano, que começou no cinema como diretor de fotografia, trabalhando inclusive com Sergio Leone, faz aqui seu mais famoso trabalho. Com uma fotografia primorosa, e inquieta em alguns momentos, criando movimentos alucinantes (cortesia de Aristide Massaccesi, mais conhecido pelo pseudônimo de Joe D'Amato) como na tradicional morte na banheira do Giallo (inaugurado em “Sei Donne per l'Assassino” - 1964) de Mario Bava. Se Hitchcock inaugurou a morte no chuveiro em Psicose, Bava inaugurou a morte na banheira. 

A trilha sonora de Ennio Morricone é bela, como de praxe, mas o maior destaque vai para o roteiro, escrito a quatro mãos pelo próprio diretor junto com Bruno Di Geronimo, que embora tenha em sua conclusão um fato por demais rocambolesco (embora não chegue aos pés das fantasias mirabolantes criados por Edgar Wallace), aqui há elementos como: lesbianismo entre adolescentes, abortos clandestinos, voyeurismo, falsos clérigos, torturas, etc. 


A personagem-título Solange é interpretada pela mítica Camille Keaton, a estrela do I Spitonyour Grave original. E embora não fique nua como quase todo o resto do elenco feminino, sua presença é marcante e é a chave para elucidar todo mistério.

Transgressor e ousado para sua época Cosa Avette Fatto a Solange? é um exemplar importante dentro do mitológico ciclo do Giallo. Simplesmente obrigatório.

O Pássaro Sangrento (Deliria/Stage Fright: Aquarius - 1987)


Na segunda metade dos anos 80, o outrora glorioso subgênero conhecido como "slasher", estava em franca decadência, talvez pela intensa explosão de títulos que foram bombardeados na primeira parte daquela década. Some a isso a vertiginosa queda do cinema de gênero italiano, onde a maioria dos diretores não conseguia mais fazer nada que prestasse, com a honrosa exceção, a época, para deixar bem claro, de Dario Argento

Foi dentro deste panorama catastrófico que um diretor novato, então com 30 anos, discípulo de Argento, com quem trabalhou como assistente de direção, resolveu estrear seu primeiro longa de ficção, e justo apostando num slasher movie. E o resultado é esse Deliria que aqui no Brasil ganhou o título de O Pássaro Sangrento (e na gringa outros títulos alternativos como: Bloody Bird, SoundStage Massacre, entre outros). E justiça seja feita: o diretor Michele Soavi, consegui tirar suco de uva de pedra e realizou um dos melhores exemplares do subgênero, isto quando não se esperava mais nada.


Soavi, que já tinha atuado como ator em algumas pérolas do cinema carcamano (e aqui aparece numa ponta não creditada como um policial), e depois de um curta chamado The Valley (1985) e o documentário que Il Mondo dell' Orroredi Dario Argento a.k.a. Dario Argento's World of Horror, resolveu encarar esta empreitada. Com os diálogos escritos por Sheila Goldberg do roteiro escrito pelo mítico ator George Eastman (ato de clássicos como Antropophagus e Rabid Dogs) aqui usando o pseudônimo de Lew Cooper.

A história, como manda o riscado é de uma simplicidade franciscana: Faltando apenas três dias para a estreia de uma peça, um grupo de teatro ensaia exaustivamente noite adentro. É um musical aonde o personagem central usa uma máscara de coruja (interpretado por John Morghen, ou se preferir, Giovanni Lombardo Radice, de Cannibal Ferox, Cannibal Apocalypse, etc), e as atrizes fazem papeis de prostitutas.


A atriz principal Alicia (Barbara Cuspiti) resolve ir a um médico após torcer o pé, o problema é o tirânico diretor Peter (David Brandon), que não deixa ninguém sair do prédio, rabugento e afetado, um tipo à la Gerald Thomas. Alicia resolve então dar uma "escapada" com uma costureira da trupe (Loredana Parrella) em busca de um doutor. Após saírem com a conivência do zelador (James Sampson que anteriormente trabalhou em dois clássicos de Fulci: Zombi 2 e Paura nella Città dei Morti Viventi), as duas amigas acabam parando no que elas achavam ser um ambulatório, mas na verdade é um hospital psiquiátrico.

Ao mesmo tempo em que vemos um médico tratando da moça, ficamos sabendo que um novo paciente está chegando ao local, devidamente amarrado na maca e cercado por policiais. Claro que se trata de um serial killer, chamado Irving Wallace (Clain Parker, que curiosamente fez apenas este filme e um no ano anteriormente: o sexploitation Undici Giorni, Undici Notti do tarado Joe D'Amato, em que seu usava o mesmo nome do personagem daqui, embora não há nenhuma relação os filmes). 

As duas garotas depois do atendimento resolvem voltar o mais rápido possível para o teatro. Obviamente, neste meio tempo o assassino já escapou da maca, atacou um enfermeiro, cravando uma seringa no pescoço deste e está escondido no carro delas. 

Logo começa uma chuva torrencial. Voltando ao galpão, enquanto Alicia leva esporro do diretor, que até tira ela da peça, a amiga desta fica marcando bobeira no aguaceiro e acaba sendo assassinada por Irving, levando um golpe de picareta na boca (por favor, não me perguntem de onde ele tirou essa ferramenta). A polícia chega junto com os repórteres e todo aquele alvoroço. 

O diretor genioso, ao invés de seguir o bom censo e mandar todos para a segurança de seus lares, resolve o contrário, terminar o ensaio. Vendo na morte de uma integrante do grupo (que ele mente para os jornalistas ser uma das atrizes) uma publicidade a mais, ele tranca as portas, para que ninguém fuja, e faz mudanças no roteiro: agora o musical será sobre o próprio criminoso Irving Wallace (mas mesmo assim o ator da peça continuará usando a máscara de coruja). CLARO que a esta altura do campeonato o psicopata já se encontra escondido lá dentro junto com todo elenco. O próximo a morrer é o ator principal da peça, cuja fantasia com a máscara de coruja ficará com o assassino.


Como podem ver este filme não evita os velhos clichês do gênero, pelo contrário os amontoa aos borbotões. Sem falar nas situações idiotas boladas no roteiro de Eastman, e isto aumenta ainda mais o conceito de Soavi, que mesmo com um amontoado de situações batidas, consegue surpreender o espectador. 

E as mortes que vão ficando cada vez mais brutais. Já nosso criminoso acaba usando armas como uma furadeira com uma broca enorme, um machado, uma motosserra, enfim, essas coisas que não podem faltar em qualquer teatro que se preze. Destaco a carismática participação do animal de estimação do zelador: um gato preto chamado "Lúcifer" e da atriz coadjuvante Jo Ann Smith, uma loira que fica o filme inteiro sensualizando em trajes sumários, e tem a morte mais brutal de todas.


Voltando a Soavi, aqui nota-se claramente a influência de Argento em diversos momentos, seja nos ângulos inusitados, seja nos movimentos fluidos de câmera, seja em algumas partes da trilha sonora, quando temos arranjos eletrônicos à la Goblins (só não gostei da cena, mais perto do fim, aonde os heróis saem desenfreadamente a caça de Irving, dai entra um tema instrumental tipo Hard Rock farofa oitentista, bem datado e totalmente deslocado em relação a cena). Apesar de todas essas semelhanças com o trabalho de Dario, Soavi dá aqui mostras de seu toque pessoal (que ele aprimoraria em sua obra-prima, o autoral e surreal Dellamorte Dellamore), como na cena em que o assassino mascarado fica sentado no palco afagando o gato Lúcifer, rodeado dos cadáveres esquartejados de suas vítimas, e com penas planando no ar. Por mais estranho que possa parecer isso chega a ser de um lirismo que você não se vê normalmente num slasher movie.

O Pássaro Sangrento, foi lançado por aqui em VHS pela jurássica Hipervideo. Para quem ainda não viu essa pérola sangrenta, eu recomendo, principalmente para aqueles acostumados com as velhas variações de Sexta-Feira 13, esses com certeza irão se surpreender.

La Casa Dalle Finestre Che Ridono a.k.a. The House with Laughling Windows - 1976


Este giallo é um dos poucos exemplares do diretor Pupi Avati no campo do fantástico, além deste temos apenas mais quatro filmes que se encaixam na categoria: “Le Strellenel Fosso” (1978), o ótimo “Zeder” (1983), “L' Arcano Incantatore” (1996) e “Il na Scondiglio” a.k.a. “The Hideout” (2007), visto que sua filmografia, com mais de 40 títulos, é composto em sua maioria por dramas históricos e biográficos e algumas comédias. Também é um dos trabalhos mais impactantes e cultuados do diretor.

Aqui acompanhamos a trajetória de Stefano (Lino Capolicchio que, curiosamente, dois anos depois faria outro personagem chamado Stefano em outro giallo: “Solamente Nero”a.k.a. “Bloodstained Shadow”, de AntonioBido, mas as semelhanças entre os filmes param por aí), um restaurador que vai até uma cidadezinha interiorana isolada, aonde tem como trabalho recuperar a pintura de São Sebastião (uma imagem curiosa em si: o santo amarrado e sendo esfaqueado por duas figuras femininas sinistras), num afresco da igreja local, feito por um pintor com um passado nebuloso e que teve um fim trágico. 


Mal chega e ele recebe ligações anônimas lhe ameaçando se caso realize seu trabalho, como se não bastasse isso ele encontra um velho amigo, Antonio (Giulio Pizzarini), que também pede para que ele aborte o serviço e caia fora dali. As coisas ficam mais intrigantes quando esse mesmo amigo acaba parecendo morto. Nosso detetive amador acaba, com sua investigação, adentrando dos segredos do pequeno vilarejo e nos levando a conhecer personagens peculiares como a idosa inválida (Pina Borione) que vive de suas reminiscências de uma viagem ao Rio de Janeiro. Tem ainda a bela e suspeita Francesca (Francesca Marciano) com quem Stefano acaba se relacionando, e o bebum da cidade, Coppola (Gianni Cavina), o único habitante que disposto a revelar os segredos sórdidos do lugar ao visitante. O resultado nos levará a um coquetel de religiosidade, sexualidade e transformismo,de forma que só os italianos poderiam fazer, claro que para chegar até aí alguns cadáveres tombaram pelo caminho.


Uma aviso é preciso ser feito para os incautos: se você é daqueles que gostam de um roteiro onde tudo é mastigadinho e do atual ritmo montanha-russa dos filmes atuais então eu recomendo que mantenha distância disso aqui. A narrativa é pausada e extremamente lenta o que com certeza poderá afugentar muitos espectadores. Por outro lado, aqui se valoriza aqui o clima, atingindo em alguns momentos um teor atmosférico ímpar. Para isso temos a bela trilha de autoria de Amadeo Tommasi, que pontua exemplarmente a ação, e a fotografia de Pasquale Rachini, que faz um belo paralelo entre cinema e pintura, que ajudam, e muito, no clima onírico pretendido. Como a cena de abertura: num tom monocromático vemos um homem sem camisa e amarrado sendo esfaqueado por duas mulheres com o rosto oculto semelhante à imagem da pintura que veremos mais tarde, acompanhado pela trilha sonora e uma ameaçadora gravação em off. 


Isso sem falar na própria casa que dá nome ao título da obra, e que aparece no clímax da trama. Uma construção curiosa que ainda mantém sua força visual. Essa obra dialoga com outros dois belos exemplares Gialli, anteriores a esse: o protagonista, artista, e o poder de ilusão do olhar me remeteram ao “Profondo Rosso” (1975) de Dario Argento, enquanto o vilarejo hipócrita, que esconde por trás de sua religiosidade arcaica perversões sexuais me fez recordar de “Non si Sevizia Un Paperino” (1972) de Lucio Fulci.

Lento e atmosférico. E com alguns momentos de pura poesia, “A Casa com Janelas Sorridentes” é obrigatório para admiradores não só do cinema fantástico europeu, como do cinema de gênero em geral.

Tenebre - 1982


Um assassino de luvas de couro está à solta pelas ruas de Roma... Sim, estamos diante de um legítimo Giallo. E pela câmera inquieta e inconfundível de um dos mestres deste subgênero: Dario Argento. Também conhecido pelo título de “Tenebrae” entre outros, como: “Sotto gli Occhi dell'Assassino”, nos EUA também é conhecido como “Unsane”, na Finlândia acabou se chamando “Inferno”, que é justamente o título original do filme anterior do diretor. 

Tudo começou em 1980, após a recepção fria e o fracasso de bilheteria de seu “Inferno”, que era a segunda parte da trilogia das três mães, que iniciou com “Suspiria”, 1977, e só acabaria trinta anos depois em 2007 com o discutível “La Terza Madre”. Argento resolveu então voltar a um terreno seguro, o universo do giallo. Coisa que ele já tinha feito anteriormente, visto que depois de seu fracasso na comédia de fundo histórico “Le Cinque Giornate” (1973), ele retornaria com “Profondo Rosso” (1975) sua primeira obra-prima. Reza a lenda que um fã teria ameaçado Dario de morte, este evento bizarro acabou inspirando-o para realizar “Tenebre”. 


Aqui acompanhamos a chegada em Roma do escritor de livros de mistério Peter Neal (Anthony Franciosa, num papel que em que se cogitou anteriormente o Christopher Walken), que recém chega à cidade e tem que aturar o detetive Germani (o mito Giuliano Gema). Pois um psicopata teria enfiado, literalmente, várias páginas do dito livro goela abaixo de uma infeliz moça para depois matá-la a navalhadas. E isto é só o começo, o assassino manda cartas anônimas para o escritor, após cada crime cometido. A conclusão será realmente brutal e sangrenta.

A figura do escritor foi feita até certa parte em tons claramente autobiográficos. Como quando uma lésbica feminista acusa o escritor de sexista por causa da forma violenta como as mulheres são tratadas em sua obra. Acusações que vira e mexe são atribuídas a ARGENTO até hoje! Em outro momento um crítico literário comenta o fato de no livro uma das vítimas ser homossexual (devemos lembrar que um personagem gay é assassinado em “Quatro Moscas de Veludo Cinza”), Peter defende-se afirmando que na sua história o único doente é o criminoso.


 Chama atenção também o fato de como Dario gosta de colocar como figura central em seus filmes personagens ligado as artes como escritores, como aqui e em “O Pássaro das Plumas de Cristal” ou músico como em “Quatro Moscas sobre Veludo Cinza” e “Profondo Rosso”, até estudantes, sejam de balé (“Suspiria”) ou até mesmo de cinema (como no telefilme “Ti Piace Hitchcock?”).
O roteiro segue a linha típica do giallo, ou seja, parte de uma premissa simples, que aos poucos vai se complicando apenas com o intuito de dificultar a identificação prematura do assassino. Se bem que aqui o espectador pode tentar adivinhar a identidade do assassino não pela mera dedução, mas por eliminação, tamanho o número de mortes neste filme. Na verdade o roteiro, escrito pelo próprio diretor é o grande ponto fraco, pois abandona toda e qualquer lógica e é cheio de furos. Bom, este é um tipo de acusação até comum aos filmes explotation em geral feito na Itália nos anos 70 e 80.

O elenco é curioso: fora a mais que obrigatória presença de Daria Nicolodi, na época companheira de Argento, o norte-americano Anthony Franciosa, o astro do spaghetti-western Giulliano Gemma (só par constar: em “Quatro Moscas sobre Veludo Cinza” Argento usaria outra figurinha famosa dos spaghetti-westerns: Bud Spencer) e a figura carismática de John Saxon (que trabalhou em “La Ragazza che Sapeva Troppo” de Mario Bava, um dos pilares do Giallo) como o agente de Peter, e também a presença de John Steine. Isso sem falar na ponta do assistente de direção e futuro diretor Michele Soavi, que aparece numa cena de flashback acompanhado do transexual Eva Robin.

A música ficou a cargo do grupo Goblin, resultando em mais um grande trabalho deles. A bela fotografia é de Luciano Tovoli (“Suspiria”) e foi inspirado na fotografia do filme “Possessão” (1981) de Andrzej Żuławski.

Destaque para a antológica sequência dos assassinatos do casal de lésbicas. Complexos movimentos de câmera acabam fluindo em travellings maravilhosos, aliados a uma montagem precisa e o resultado realmente de tirar o fôlego. Um dos pontos altos da carreira do Mestre. As tomadas levaram três dias para serem concluídas. Os distribuidores americanos queriam mutilar a sequência, pois eles a achava muito extensa, Dario bateu pé com razão e a cena passou completa para os yankees.


Banido na Alemanha, o filme teve problemas na Inglaterra, até no cartaz, aonde se vê de forma estilizada uma mulher com o pescoço cortado e o sangue escorrendo. A censura britânica chegou a cogitar em “colocar” um lenço vermelho no pescoço da imagem para tampar o sangue! Claro que depois no lançamento em vhs acabaria banido e entrando na lendária lista de “vídeos nasties”. Outra curiosidade é que na versão inglesa, enquanto os atores Franciosa, Gemma, Saxon e Steiner usaram suas próprias vozes, a atriz Daria Nicolodi foi dublada pela atriz Theresa Russell.

Ao mesmo tempo um giallo com violência extrema e uma reflexão do autor sobre sua obra, “Tenebre” é um trabalho primoroso, sangrento e imperdível.

Tenebre (1982)
Direção: Dario Argento
Com: Anthony Franciosa, Giuliano Gemma, John Saxon, Christian Borromeo, Daria Nicolodi, John Steiner.

All the Colors of the Dark a.k.a. Tutti i Colori del Buio - 1972


Mais um grande giallo do mestre Martino, se na sua obra máxima “Torso”, que seria realizado no ano seguinte, ele joga com o regulamento do subgênero italiano debaixo do braço, utilizando a fórmula de forma mais ortodoxa possível elevando tudo ao extremo, aqui o diretor dá uma subvertida ao desprezar o elemento central dos gialli: não há aqui um assassino misterioso cujo rosto o público não vê (e muito menos usando luvas de couro pretas) e embebe tudo num grande clima psicodélico. 

O mistério aqui reside em saber se a protagonista Jane Harrison (a deusa Edwige Fenech mais linda do que nunca) está ficando louca ou é vítima de uma conspiração. Para isso, Martino vai além do clima de mistério e suspense adicionando elementos típicos do horror.
A trama gira em torno da personagem Jane, uma bela garota traumatizada que teve sua mãe assassinada quando ela tinha cinco anos e que agora passa por um momento difícil, pois perdeu um bebê, ainda no ventre, em um acidente de carro. Perturbada por pesadelos e pela visão de um homem de olhos azuis (o russo Ivan Rassimov que trabalhou em dezenas de filmes italianos) que a persegue, ela se mostra frígida com seu companheiro Richard (o galã uruguaio George Hilton, astro de alguns gialli e spaghetti westerns), recebe ajuda de sua irmã Barbara (a bela Nieves Navarro aqui creditada como Susan Scott) que a indica um psiquiatra (George Rigaud). 
Mesmo com o tratamento e apoio das pessoas mais próximas, as coisas vão de mal a pior, sem contar o fato das viagens de negócios de Richard, o que deixa a pobre Jane sozinha em seu apartamento entregue a toda sorte de alucinações e pesadelos. E é nesse inteirim que ela trava amizade com sua vizinha Mary (a loirinha Marina Malfatti), que parece ter a solução para os problemas de nossa protagonista, e acaba levando a moça até um culto satânico! 

Tudo piora, Mary desaparece (teria sido ela assassinada pela própria Jane em uma das celebrações num caso claro de sacrifício humano?), o homem dos olhos azuis parece mais ameaçador do que nunca, e cadáveres começam a aparecer. E afinal, em quem confiar?
Claramente inspirado em “O Bebê de Rosemary”, o diretor abusa dos tons psicodélicos e do surrealismo, como a cena de sonho do início, e atinge seu ápice na antológica cena do culto satânico, com o sacerdote utilizando enormes unhas postiças bebendo sangue, enquanto os adoradores entram em êxtase, num clima orgástico acentuado pela trilha sonora alucinante do grande Bruno Nicolai
O filme faz bom proveito da bela fotografia e direção de arte. Outro grande trunfo é a presença sempre magnética da grande Edwige Fenech, na época casada com o produtor Luciano Martino, o irmão do diretor Sergio, que não se faz de rogado e coloca a cunhadinha nua em vários momentos!   
Tutti i Colori del Buio” é um clássico e um dos melhores giallo já feito. Simplesmente imperdível. 


No ano de 1960, a estreia oficial de um diretor italiano iria revolucionar não só o cinema de horror da Itália, mas também o cinema de horror mundial e transformaria sua atriz principal num ícone do gênero. O nome do diretor é Mario Bava, a da atriz é Barbara Steele e o filme em questão é “La Maschera del Demonio”.

Vamos recuar um pouco no tempo, mais precisamente no período anterior a segunda Guerra Mundial, a Itália era um dos maiores polos cinematográficos do mundo. Com o país sobre o comando de Benito Mussolini, os fascistas coíbem e censuram as produções do período, varrendo de vez o cinema fantástico, o de horror mais precisamente, do país da bota.

O cinema de horror italiano só renasceria em 1956, com “I Vampiri”, uma obra irregular resultado de uma produção tumultuada, aonde o diretor Riccardo Freda, simplesmente abandona as filmagens, reclamando do orçamento minguado e do cronograma apertado, é quando entra em cena o responsável pela fotografia, Mario Bava, que assume a direção e com tempo recorde e sem extravagâncias orçamentárias, termina o filme. 
Embora boa parte de “I Vampiri” tenha sido dirigido por Bava, os créditos ficaram apenas para Freda, mas como consolação, os produtores ofereceram para Bava a oportunidade de estrear oficialmente com o projeto que o próprio diretor quisesse. E assim surgiu “La Maschera del Demonio”.

Inspirado livremente no conto “Viy” de Nicolai Gogol. O filme começa na Moldávia do século de XVII, aonde a princesa Asa Vajda (Barbara Steele) e seu amante Javutich (Arturo Dominici) são condenados pela inquisição por assassinatos, vampirismo e bruxaria.

Claro que antes de ser executa nossa protagonista arranja tempo de rogar uma praga para o inquisidor e de que voltaria nas gerações futuras.

Esta cena de abertura é um primor de elementos fetichistas e sadomasoquista, e impressiona até hoje. Com a Princesa amarrada em um tronco, cercado de carrascos encapuzados. Primeiro a moça é marcada a ferro quente nas costas com a letra “S”, a marca de Satã. Depois entra em cena a máscara do demônio do título, um adereço cheio de pontas afiadas na parte interna e que é cravada na cara da protagonista na base da marretada mesmo. O seu amante Javutich já se encontra morto e com a máscara cravada no rosto.
O passo seguinte seria cremar o cadáver da jovem bruxa, mas uma chuva atrapalha o trabalho dos inquisidores. A solução será enterrar Javutich em terra não consagrada e deixar a Princesa Asa num mausoléu, com um caixão especial onde o rosto do cadáver fica exposto por uma pequena janela e onde fica visível uma cruz que fica de em pé, em cima do caixão, o que segundo a crença impediria da vampira ressuscitar.

O filme então pula duzentos anos. E encontramos o Dr. Thomas Kruvajan (Andrea Checchi) e seu pupilo, o jovem Dr. Andre Gorobec (o inglês John Richardson, que anos mais tarde trabalharia em “Torso”) atravessando a região, indo para um congresso de medicina. O Dr. Kruvajan pede ao cocheiro que peguem um atalho pela floresta. Um acidente com a roda da carruagem faz com eles tenham uma parada forçada, é quando a dupla de médicos encontra a porta de entrada para a catacumba da princesa Vajda. Graças a um enorme morcego (e muito mal feito, diga-se), o Dr. Kruvajan acaba quebrando a cruz que estava em cima do túmulo e também o vidro da “janela” do mesmo, ou seja, faz uma bagunça completa.
Claro que o médico xereta não se aguenta em ver o cadáver com a máscara e resolve tirar para ver como ficou o defunto, mas ele acaba se cortando nessa operação, e algumas gotas de seu sangue acaba caindo nos restos mortais. E quem já viu pelo menos um filme de vampiro da Hammer sabe o que isso significa.

Enquanto a Princesa Asa Vadja não retorna a vida, a dupla de médicos sai do mausoléu e encontra Katia Vajda (Barbara Steele, novamente), uma descendente da vampira. O jovem Dr. Andre se encanta com a moça, mas como a vida segue, ele e o Dr. Kruvajan, agora com a carruagem concertada, precisam partir para uma hospedaria mais próxima. 
Enquanto isso no castelo onde mora Katia, a família está apreensiva, pois naquela noite completa duzentos anos da morte de Asa, o que significa que voltará a vida para completar sua maldição. Asa já desperta, mas incapaz de se levantar de seu caixão acaba ressuscitando também seu amado Javuvitch por o que me parece ser telepatia. Asa precisará possuir o corpo de sua descendente Kátia para poder se levantar, nem que tenha que matar ou transformar em vampiro quem estiver pela frente. Com isso contará com a ajuda de Javutich e do Dr. Kruvajan, que a está altura já está transformado em um vampiro e o culpado por tê-la ressuscitada.

O fato de Asa ressuscitar e ficar incapacitada, prostrada em seu leito de morte, enquanto Javutich ressuscita de forma energética e serelepe, nunca é explicada pelo roteiro, mas seguimos em frente.

Restará ao jovem Dr. Andre, com ajuda do padre local (Antonio Pierfederici), destruir a bruxa-vampira e seus asseclas, acabando assim com a maldição e vivendo com Katia feliz para sempre.
La Maschera del Demonio” sofreu alguns cortes e ganhou o título em inglês de “Black Sunday” quando foi lançado na Inglaterra. Tanto que outro trabalha de Bava, o clássico “I Ter Volti della Paura” acabaria sendo rebatizado de “Black Sabbath” pelos picaretas distribuidores ingleses, ávidos por capitalizar em cima dos fãs do primeiro filme.

O sucesso de “Black Sunday” foi tanto que não só alavancou a carreira do diretor, que nos proporcionou mais uma dúzia de clássicos do horror, como colocou na vitrine mundial o próprio horror italiano, finalmente renascido das cinzas feitas pelos fascistas.

Apenas em 1992 foi lançado no mercado de vídeo inglês a versão uncut, desta vez rebatizada de “The Mask of Satan”, esta é a matriz que a distribuidora Works usou para lançar o dvd aqui no Brasil no começo da década de 2000, chamado de “Black Sunday – A Máscara de Satã”. Antes o filme tinha recebido nos cinemas o título de “A Maldição do Demônio”, e vejam só: no cartaz brasileiro a tagline transforma a maldição de duzentos anos em dois mil anos!

Curiosamente a dublagem em inglês omite um fato que só existe na versão em italiano: a de que Asa e Javutich eram irmãos. Isso mesmo que você pensou, esse relacionamento incestuoso desapareceu completamente na versão inglesa. Com uma belíssima fotografia em preto-e-branco do próprio Bava, com belos movimentos de câmeras em cenários góticos, o filme é um belo delírio visual.
Sem contar a bela trilha sonora de Roberto Nicolosi, que seria reaproveitado por Bava no episódio “I Wurdulak”, que também trata de vampirismo, do clássico filme episódico “I Ter Volti della Paura”.

O maior trunfo para o sucesso de “La Maschera del Demonio” talvez tenha sido a presença de Barbara Steele, uma atriz que sempre compensou sua falta de talento com muito carisma. Com seus olhos esbugalhados e rosto expressivo, aqui ela encanta tanto no papel da malévola Asa quanto na carola Katia.  Barbara Steele, nascida na Inglaterra em 1937, começou fazendo filmes na terra natal até que surgiu uma oportunidade, em 1959, de trabalhar em Hollywood no filme “Estrela de Fogo” de Don Siegel e estrelado pelo mito Elvis Presley, mas Barbara acaba brigando com o diretor e com o Rei do Rock e acaba abandonando as filmagens. Resolve ir para a Europa, esfriar a cabeça, lá conhece Mario Bava, para a sorte de ambos.

Mas não pense que a relação de trabalho de Bava e Steele eram as mil maravilhas. Steele se mostrava difícil no set, tinha chiliques, às vezes porque não gostava da peruca que iria usar ou pelo decote que teria que mostrar. Ela chegou a se recusar a entrar no set, pois achava que Bava queria que ela ficasse nua diante das câmeras. A própria atriz reconhece as dificuldades que teve durante as filmagens, ela atribui isso a sua inexperiência na época como atriz somada com a sua incapacidade de compreender a língua italiana.

O sucesso de Steele em “La Maschera del Demonio” não só a transformou num ícone do horror, como também abriu portas para que ela trabalhasse em outras produções do gênero, como em “A Mansão do Terror” de Roger Corman, inclusive na própria Itália. Ela não voltaria trabalhar mais com Bava, mas com outros diretores como Anthonio Margheriti (Danza Macabra) e Riccardo Freda (L’Orrible Segreto del Dr. Hitchcock). Barbara ainda está na ativa, participou do fraco “O Segredo da Borboleta” de 2012.

Em “La Maschera del Demonio”, a principio, Barbara Steele e Arturo Dominici, que interpreta o Javutich, eram para usar caninos proeminentes, típicos de vampiros mas Bava não gostou e acabou não os utilizando no filme, embora seja possível encontrar por aí fotos promocionais do filme com a imagem de Barbara usando os famigerados dentes afiados.

Enfim, “La Maschera del Demonio” é mais que um grande filme de horror gótico. É um clássico indispensável, uma obra importante para a história do cinema de horror. Se você ainda não viu, está perdendo tempo.

Black Sunday – A máscara de Satã / A Maldição do Demônio (La Maschera del Demonio / Black Sunday / The Mask of Satan, 1960)
Direção: Mario Bava
Com: Barbara Steele, John Richardson, Andrea Checchi, Arturo Dominici, Antonio Pierfederici.

La Dama Rossa Uccide Sette Volte - 1972


Desde que vi o ótimo La Notte che Evelyn Uscì dalla Tomba (1971), estava procurando esta que é a obra derradeira do diretor MIRAGLIA. E assim como seu filme anterior, temos aqui um giallo com toques sobrenaturais, bem ao estilo Scooby-Doo, com seus tons góticos. Contendo um maravilhoso clima típico de horror que aqui serve para temperar os tradicionais elementos dos gialli. Emilio Miraglia se saiu até melhor que no seu trabalho anterior. 

A trama gira em torno de uma maldição secular que paira sobre uma família alemã. Cada cem anos uma descendente morre pelas mãos da própria irmã, e retorna como o fantasma de uma mulher  vestida de vermelho onde assassina seis pessoas inocentes e a sétima seria a própria irmã assassina, fechando assim um ciclo. A lenda nos é apresentada logo no belo prólogo, contada pelo avô à suas duas netinhas que vivem brigando, de cara fica evidente a bela fotografia valorizando a ambientação do castelo em que vive os Wildenbrück (a família amaldiçoada), tudo emoldurada pela belíssima trilha de Bruno Nicolai. Depois temos um salto no tempo e vemos uma das crianças crescidas: Kitty (e bem crescida, diga-se, interpretada por Barbara Bouchet, no auge da beleza) que acaba vendo pessoas ao seu redor sendo assassinadas. O detalhe é que sua irmã Evelyn, que muitos pensam estar na América, foi morta por acidente por Kitty que ocultou o cadáver, ou seja, a maldição da rainha de vermelho está de volta. Será a maldição secular que se concretiza ou uma pessoa mascarada e fantasia como a fatal “dama de vermelho”?
Os fãs do giallo não podem se queixar, aqui temos tudo o que se pode esperar de um bom filme de mistério made in Italy: roteiro absurdo, ilógico e solução mirabolante (com seus momentos de surrealismo involuntário), sensualidade latente (além da deusa Bouchet, temos ainda as beldades Maria Mafaltti, Pia Giancaro e a deusa exploitation Sybil Danning, que não se priva de exibir seus seios para a alegria dos tarados de plantão), toques de misoginia (a cena em que a protagonista é violentada pelo chantagista viciado não deixa de ter um ar de fetiche sádico), câmera inquieta (os bons e velhos zooms), e é claro, o principal: assassinatos exagerados e sangrentos, destaques para a cena do homem que tem seu corpo arrastado por um fusca, o cadáver da moça encontrada dentro da van, e a mulher que tem sua cabeça cravada nas lanças de uma grade de um portão. O visual mescla as cores e vestuários setentistas com os cenários góticos o que nos oferece uma ambientação bem interessante.
Como curiosidade vale citar que a finada distribuidora ítalo-americana NoShame Films, que faliu em 2006, chegou a lançar um box que continha não só dois dvds com os dois gialli do Emilio Miraglia, La Notte che Evelyn Uscì dalla Tomba e La Notte che Evelyn Uscì dalla Tomba, como também um boneco da própria “dama de vermelho”! Não é preciso dizer que este item é agora raríssimo. 

Também conhecido por outros títulos alternativos, entre eles Blood Feast, o que pode confundir as pessoas com o clássico tosco homônimo de H. G. Lewis. Atmosférico e hipnótico. É um exemplar de respeito dentro do subgênero e que merece e deve ser conhecido.

La Notte che Evelyn Uscì dalla Tomba / Red Queen Kills 7 Times - (Itália, 1972)
Com: Barbara Bouchet, Ugo Pagliai, Marina Malfatti, Pia Giancaro, Sybill Danning.

The Night Evelyn Came Out of the Grave aka La notte che Evelyn uscì dalla tomba - 1971


Interessantíssimo giallo, aqui acrescentado de uma bem vinda atmosfera de horror gótico, e estrelado pelo canastrão ítalo-brasileiro Antonio Luiz de Teffé, mais conhecido como Anthony Steffen. Com direito a todo tipo de bizarrice, absurdos e exageros que o cinema italiano de gênero dos anos setenta foi pródigo em fornecer.

Acompanhamos a trajetória do Lorde Alan Cunningham (Anthony Steffen), um viúvo traumatizado pela morte da esposa Evelyn, que o marcou profundamente , mesmo que pese o fato de ele tenha pego a moça em flagrante em pleno ato com o amante nos jardins da propriedade, como mostra em alguns flashbacks ao decorrer do filme (na verdade parece que essa cena se repete ao longo do filme com o único propósito de mostrar a atriz correndo pelada pelos gramados afora. Pura nudez gratuita). 

Perturbado o nobre leva sistematicamente prostitutas ruivas para seu castelo aonde as tortura e as mata. Sua fixação por ruivas se explica pelo fato de sua falecida amada também ter sido uma. Ele é espionado e chantageado pelo seu cunhado, o caçador Albert (Roberto Maldera). No seu dia-a-dia ainda temos figuras como o seu psicanalista Dr. Richard Timberlane (Giacomo Rossi-Stuart), a paraplégica tia Aghata (a bonita Joan C. Davis em seu único trabalho no cinema) e o primo fanfarrão George (Enzo Tarascio aqui aparecendo nos créditos como Rod Murdock) é este último que para aliviar as angústias do nobre resolve levá-lo para uma festa, embora, aparentemente, não saiba dos crimes cometidos pelo mesmo. E é nesta festa que o Lorde Alan conhece Gladys (Marina Malfatti, que aqui aparece frequentemente com decotes generosíssimos, isto quando não está com os peitos de fora mesmo) apaixonado pela moça ele apressa o casamento e se sente curado de suas obsessões, já que sua aversão é por ruivas e sua nova esposa é loira. 
Nesse ínterim umas séries de coisas estranhas começam a acontecer, sugerindo que o fantasma de Evelyn tenha voltado para atormentar o protagonista. Gladys descobre então que o cadáver da ruiva desapareceu do mausoléu que há nos arredores do castelo. A insanidade de Alan parece retornar aos poucos. 

Fica a pergunta no ar: os acontecimentos sobrenaturais são reais ou alguém está armando contra o protagonista? (bem ao estilo Scooby-Doo)  Quando começam a declinar para a segunda opção, chega a questão, se é armação, então quem estaria por trás de tudo? 

Nesta altura todos são suspeitos, incluindo a meretriz Suzie (Erika Blanc), última vítima de Alan, ao qual o mesmo não conseguiu assassinar, pois teria desmaiado em meio a devaneios e não teria consumado o ato (embora esta bela ruiva tenha sumido misteriosamente). No meio desse reboliço todo o espectador descobre que nem todos são o que aparentavam ser, e alguns personagens mostram conexões entre si, até então desconhecidas. E para aumentar o clima já caótico é que aparece um misterioso assassino de luvas (claro! Afinal estamos num Giallo) que começa a diminuir a lista de suspeitos, matando um por um de formas bizarras.
Pervertido e misógino este filme é carregado de elementos sadomasoquistas e fetichistas (e, claro, fartas cenas de mulheres com seios a mostra). Como quando Alan no começo arrasta suas vítimas para sua alcova, uma autêntica câmara de torturas medieval, que, entre correntes e outros artefatos típicos, faz com que suas vítimas, vestidas apenas de calcinhas coloquem longas botas de couro para depois o lorde (tomado de uma volúpia digno do Marquês de Sade) começa a açoitá-las impiedosamente com seu chicote. Há também todo um eficiente clima de horror que não faz feio nem para os filmes da Hammer da época. Ótimos cenários góticos, como o cemitério, o castelo. Não faltam nem os velhos clichês, como a sequência de sessão espírita e o velho clímax na noite de tempestade. 

E claro, os assassinatos bizarros, destaque para duas aqui, a primeira é quando o matador misterioso ao invés de usar uma faca ou navalha (comuns em Giallo) usa uma pequena serpente venenosa, que morde o pescoço de um dos personagens, este, enquanto se retorce em convulsões é atirado dentro de uma cova, e acaba sendo enterrado enquanto dá seus últimos espasmos; realmente angustiante. O outro assassinato é antológico (e normalmente cortado em algumas versões que há por ai): outra vítima é abatida por uma rocha na cabeça e seu corpo atirado dentro de uma jaula cheio de raposas. Não faltam closes dos animais comendo as tripas do cadáver (isso sem falar num outro infeliz que caí numa piscina com ácido sulfúrico). Além da mistura de sensualidade, sadismo e horror. Para mim a maior ousadia do roteiro, além de suas reviravoltas bizarras e conclusão absurda (como todo Giallo que se preze), é o fato do serial killer do início se tornar no virtual herói da trama. Vale destacar também a cena em que Alan conhece Suzie, em meio a trilha setentista (obra do grande Bruno Nicolai) no meio de um cabaré, a bela prostituta ruiva sai de dentro de um caixão e começa a dançar de forma excêntrica. Segundo as palavras da própria atriz Erika Blanc: "Eles chegaram para mim, pediram uma dança legal e eu decidi fazer da maneira mais estranha possível. A atmosfera do set era muito boa, e a cena ficou ótima".

O diretor Emilio Miraglia teve uma carreira curta como diretor, apenas seis longas e encerraria suas atividades no ramo no ano seguinte com outro Giallo, “La Dama Rossa Uccide Sette Volte”, que muitos consideram sua obra-prima. 
Quanto ao Anthony Steffen, ele que era um astro na Itália por causa dos spaghetti westerns, talvez tenha sido o ator que mais protagonizou esse subgênero na história, acabou tendo que rumar para outros tipos de filmes com o declínio do mesmo. Ele considerava “La Notte che Evelyn Uscì Dalla Tomba” uma bobagem. Seu trabalho favorito em Giallo seria em “Sette Scialli di Seta Gialla” (1972) de Sergio Pastore. O fato é que “La Novhe che Evelyn...” foi seu maior sucesso comercial nos EUA. Segundo o escritor Stephen King no seu livro de ensaios “Dança Macabra” (1981), afirma que pipocas vendidas com cobertura vermelha ("pipocas de sangue") eram vendidos nos drive-ins e cinemas grindhouses  nas sessões deste filme. De qualquer modo a atuação exagerada do canastríssimo astro ítalo-brasileiro, de ascendência nobre como ele mesmo cansava de se vangloriar (ele era descendente do Barão de Teffé por parte de pai e sua mãe era uma condessa italiana), e que se mostra bem a vontade no papel do lorde almofadinha com piripaques psicóticos e que casa perfeitamente com o clima exagerado e tresloucado imposto pelo diretor Miraglia (destaque para as cenas em que o personagem se entrega ao completo extâse enquanto chicoteia as moças seminuas, as caras de Anthony são tão convincentes que dá a impressão de que ele realmente curtiu ter feito tais cenas).

Com todas as imperfeições formais e incorreçõs políticas que tem direito, “La Notte Che Evelyn Uscì Dalla Tomba” sai-se muito bem em sua fórmula inusitada que mescla climas que vão do gótico ao sadomasô, com nudez feminina e violência. Enfim, um filme indicado para os fanáticos tanto pelo giallo, quanto por exploitations em geral. Uma bela obra sem dúvida.

The Night Evelyn Came Out of the Grave aka La notte che Evelyn uscì dalla tomba (Itália, 1971)
Direção: Emilio Miraglia 
Com: Anthony Steffen, Marina Malfatti, Erika Blanc, Giacomo Rossi-Stuart, Enzo Tarascio, Roberto Maldera, Joan C. Davis.

Il Profumo della Signora in Nero - 1974


Ah, esses italianos malucos e seus gialli surtados. Se os filmes de mistério à italiana são muitas vezes confusos e surreais (muitas vezes até involuntariamente), talvez esse exemplar atípico seja dos mais maravilhosamente esquisitos.

Silvia Harcheman (a boa atriz Mimsy Farmer) é uma jovem cientista industrial que vive sua vida pacata entre o trabalho e seu namoro com o misterioso Roberto (Maurizio Bonuglia), até que delírios envolvendo velhos traumas de infância arrastam a moça para um espiral de loucuras onde fantasia e realidade se misturam e se confundem. Seria ela vítima de uma conspiração movida por algum motivo obscuro? Ou seria alvo de algum feitiço? Ou tudo não passaria de surtos psicóticos? Afinal, quem seria a dama de preto que ela vê se perfumando em suas visões? E a enigmática garotinha loira que invade sua rotina? E que relação isto tudo tem haver com seus vizinhos, como por exemplo, a sua amiga Francesca (Donna Jordan) ou o bizarro Sr. Rossetti (Mario Scaccia), um ex-professor viúvo com fixações por hipopótamos? Sem se preocupar em responder de forma mastigadinha para o público estas e outras questões, o filme nos leva a um clima insano que desembocará numa conclusão simplesmente desconcertante e extrema.
O diretor Francisco Barilli, que já tinha trabalhado de roteirista (ajudou a escrever o clássico giallo “Chi I'ha Vista Morire?” a.k.a. “Who Saw Her Die?” - 1972 - de Aldo Lado) e ator (foi protagonista do clássico “Antes da Revolução” aka Prima Della Revoluzione, 1964, de Bernardo Bertolucci) e embora tenha dirigido alguns curtas e especiais para a tv, longas mesmo dirigiu apenas dois. Uma dupla de gialli peculiares pode-se dizer: Pensione Paura (1977) e este Il Profumo della Signora in Nero. Embora no universo do giallo a pergunta que habitualmente se faz é: "quem matou?", aqui a questão é outra: o espectador acaba se perguntando: "o que está acontecendo?" Neste ponto a obra de BARILLI se assemelha a outro giallo clássico, o alucinógeno Tutti Colori del Buio a.k.a. All Colors of the Dark (1972) do mestre Sergio Martino. Em ambos os filmes não há especificamente um assassino para ser descoberto, mas revelar se tudo que acontece faz parte de uma conspiração ou se é fruto da imaginação da personagem central. Ambos também bebem aparentemente na mesma fonte, a trilogia do apartamento de Roman Polanski, em especial O Bebê de Rosemary (notem que a Mia farrow e a Mimsy Farmer possuem o mesmo biotipo). Mas se em Tutti Colori del Buio Martino mergulha num clima delirante de psicodelia, Barelli opta aqui por um clima surreal mais gótico e menos linear. Outra curiosidade é que esse filme também se assemelha ao último filme da trilogia do apartamento: O Inquilino, já que a protagonista no desenrolar da obra vai assumindo outra personalidade, o detalhe é que o filme de Polanski foi realizado dois anos depois. 
O filme começa de forma lenta o que pode desagradar a geração fast-food/video game atual, mas cresce em sua parte final quando não conseguimos mais definir o que é realidade e delírio (o que fez com que esse filme chegasse a ser chamado de "pré-David Lynch" por alguns). A fotografia de Mario Masini, como de praxe no cinema italiano é ótima, com alguns belos movimentos de câmera (como a cena de abertura) e a música de Nicola Piovani da o suporte necessário a este surto cinemático.

Embora seja um filme um tanto difícil, que pode não agradar a todos, Il Profumo della Signora in Nero é uma obra bela e desconcertante, uma gema obscura que merece ser descoberta. Uma autêntica peça de arte. Uma iguaria para paladares especiais.

Il Profumo della Signora in Nero/The Perfume of the Lady in Black (1974)
Direção: Francisco Barilli
Com: Mimsy Farmer, Maurizio Bonuglia, Aldo Valletti, Mario Scaccia, Donna Jordan.