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Would you Rather (2012)


Desconfie se você for convidado para uma festa cujo anfitrião é o reanimador de mortos Jeffrey Combs, um ator de filmes B de horror com um currículo fantástico, entre clássicos que incluem a franquia Re-Animator e Do Além, até pérolas como A Casa da Colina e Medo ponto com br. É claro que o evento social vai além de um jantar simples, com boa comida e bebidas sofisticadas, obrigando os participantes a fazer escolhas que poderão determinar o destino dos demais envolvidos. Mas, o que você seria capaz de fazer para salvar a vida de um irmão doente, necessitando urgente de um transplante de medula óssea?

No caso, quem está nesta situação é ninguém menos do que a cantora e atriz Brittany Snow, do remake de A Morte Convida para Dançar. Ela interpreta Íris, uma mulher desempregada, sem o necessário para uma boa avaliação profissional, e desesperada para encontrar o tratamento adequado para o jovem leucêmico Raleigh (Logan Miller, de Minhas Adoráveis Ex-Namoradas). Depois de mais uma negativa para um futuro emprego, ela conhece o excêntrico milionário Shepard Lambrick (Combs), cujo passatempo particular é testar a coragem e ousadia de pessoas que não têm nada a perder.

Ele oferece um jantar para a garota e mais sete convidados, com a proposta de conseguir o que cada um deseja, seja financeiramente ou através de um transplante de emergência. No entanto, para conseguir todos os benefícios é necessário participar de um jogo intitulado "Would you Rather" (o que você preferiria), com perguntas e respostas que envolverão crueldade e sacrifício. Ocupam também a mesa outros jogadores como a insana Amy (a atriz pornô e, agora, escritora Sasha Grey), o ex-alcóolatra Conway (John Heard, de Esqueceram de Mim), Travis (Charlie Hofheimer, de A Vila), a paraplégica Linda (June Squibb, de Perfume de Mulher), Cal (Eddie Steeples, de Eu Sei Quem Me Matou), Peter (Robb Wells, de Hobo with a Shotgun) e Lucas (Enver Gjokaj, de Os Vingadores). Todos observados pelo mordomo Beavans (Jonny Coyne, de Caça aos Gangsters), pelo filho de Lambrick, Julian (Robin Taylor, de Provas e Trapaças) e alguns seguranças que estão ali para evitar que trapaceiem ou tentem fugir.

Would you Rather promove um jogo sádico entre os participantes, tendo o espectador como o nono convidado da mesa. Entre a tensão e a tortura, há momentos que irão remeter o público ao filme Jogos Mortais, principalmente na cena em que um deles precisa furar o próprio olho, servindo de inspiração para a capa do filme. Combs é o que torna o filme um convite aos fãs de suas produções B, com seu bigodinho característico, tornando-se improvável negar uma conferida, mesmo que as consequências envolvam apenas uma crítica negativa, nada de chicotadas ou choque. 

The Day - 2011


Embora se passe num ambiente pós-apocalíptico, o filme The Day, de Douglas Aarniokoski (Animals, 2008), traz poucas informações para o público. Não há menção a uma guerra nuclear, queda de meteoro ou doença que possa ter sido as causas para o clima devasto do longa. Sabe-se apenas que há predadores, famintos por sangue, e que os rastros podem levar facilmente aos inimigos ou denunciar sua presença. A partir de um roteiro de Luke Passmore (do curta "Bad Blood Days", 2008), o longa ganhou  força em suas exibições em 2011 devido ao elenco conhecido dos fãs do gênero, uma equipe composta por rostos vistos em filmes recentes de terror.


Um dos personagens principais é Adam (Shawn Ashmore, de "Pânico na Neve"), que perdeu a esposa e a filha para os canibais que habitam o novo mundo. Ele está ao lado de outros sobreviventes como a egocêntrica Shannon (Shannyn Sossamon, de "Uma Chamada Perdida" e "Catacumbas"), o doente Henson (Cory Hardrict, de "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles" e "Driftwood"), o líder Rick (Dominic Monaghan, da série "Lost") e a silenciosa Mary (Ashley Bell, de "O Último Exorcismo"). Após caminhar por horas, sob uma atmosfera granulada, o grupo invade uma casa de campo em busca de abrigo.

A velha casa parece isolada. Não há corpos - justificados pelo canibalismo - ou sinais de vida, um lugar adequado para passarem à noite, enquanto uma chuva forte se aproxima. O tempo todo há a afirmação sobre "eles" em relação aos inimigos que podem chegar a qualquer momento não sendo definidos como zumbis, vampiros ou criaturas. Segundo o IMDB, a intenção original era usar zumbis como vilões, algo que seria apenas a repetição de uma fórmula usada à exaustão; aqui os vilões são como vampiros, andam em grupos, possuem marcas e há também uma transformação mais ou menos mencionada. Esqueça os dentes pontiagudos e a cruz...eles morrem como os humanos, não fogem do sol e não brilham.


Após um momento de descanso, regado a um banho de chuva e algumas informações que servem para tornar os personagens mais reais, alguns acabam disparando o alarme de uma armadilha colocada no porão, junto da comida. Logo o local irá atrair uma gangue, um dos integrantes irá se revelar como membro do clã e a porrada vai rolar solta numa luta sangrenta pela sobrevivência, com momentos que irão remeter a outros filmes como A Noite dos Mortos-Vivos, quando a casa de campo for a única segurança.


The Day não traz novidades e nem será sempre lembrado pelos fãs de filmes pós-apocalípticos. Ainda assim é um bom filme, tendo como força o seu elenco de jovens talentosos e a claustrofobia imposta pela situação extrema. Possui uma bela fotografia, por Boris Mojsovski (Nurse 3-D), e uma ótima direção de arte (Shane Boucher, de "A Última Casa da Rua"), porém peca na trilha incidental em certos momentos dos confrontos. Talvez combinasse melhor com filmes de ação, soando artificial nas batalhas sangrentas.

The Bay - 2012


Que o subgênero "found footage" já está desgastado, todo mundo já sabe! Até mesmo a franquia REC resolveu literalmente "chutar" a câmera em primeira pessoa e abandonar o estilo em seu terceiro exemplar, mas ainda há muitos longas sendo realizados por aí, talvez pelo baixo custo e bom rendimento ou pela facilidade em filmar e produzir. Na maioria dos casos, o resultado é risível, chato e lento, com os cineastas insistindo na fórmula: "fitas foram encontradas...não houve edição...nada acontece até o último ato, quando todos morrem". Entre tantas tranqueiras, vez ou outra surge um trabalho digno de nota e passível de ser recomendado como algumas histórias da antologia V/H/S e o recente The Bay.


Produzido pela Automatik Entertainment (A Entidade e Lords of Salem) e Hydraulx (A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2, O Final, Looper: Assassinos do Futuro, Os Vingadores...), o filme de Barry Levinson (Fora de Controle, Vida Bandida, Esfera, Rain Man...) conseguiu lançamento pelo mundo todo com o apoio de diversas distribuidoras, incluindo a LionsGate que conseguiu levá-lo aos cinemas americanos no começo de novembro, depois de passagens pelo New York Film Festival e Toronto International Film Festival, arrecando algumas boas críticas. Se isso já não é motivo suficiente para atiçar a curiosidade do público, vamos tentar analisar seu conteúdo.


The Bay segue o estilo falso documentário - que poderia facilmente enganar o espectador se passasse em canais sérios como o History Channel - para contar uma epidemia mortal que acometeu a pequena cidade portuária de Chesapeake, em Maryland, depois que um acidente ecológico atingiu a água. Parece que houve o despejo irregular de fezes de frango no local, somado a uma vazamento nuclear ocorrido no início da década passada...ou sei lá. O problema é que essa soma criou um parasita que, após uma ingestão ou contato físico, cresce rapidamente no interior do corpo humano se alimentando dos órgãos e da língua. Assim, o que começa com o aparecimento de algumas bolhas na pele, culmina com vômitos, sangramento intenso até a implosão do corpo, quando a pequena criatura elimina o seu hospedeiro.


Diferente de outras inúmeras produções do estilo, The Bay não perde tempo com apresentação de personagens ou enrolação, já colocando as futuras vítimas em contato com o ágil inimigo em pleno feriado da Independência Americana, em 4 de julho, de 2009. A narração acontece através da repórter Donna Thompson (Kether Donohue), que dedicou vários anos para conseguir coletar o material de filmagem para divulgação já que as autoridades públicas tentaram abafar o terrível acontecimento. Enquanto fazia uma reportagem no local, ela testemunhou situações estranhas envolvendo corpos abertos - inicialmente confundidos com mordidas de tubarão - e as feridas que surgiam na população, entre gritos de dor e insanidade.

Apesar da narração da repórter, são exibidas diversas fontes de filmagem, como carros de polícia, câmeras de hospital e da rua e gravações amadoras. Levinson não poupa o espectador das cenas mais nojentas e grotescas, despejando vísceras, cadáveres deformados e muito sangue, transformando seu filme numa versão em documentário de Cabana do Inferno, de Eli Roth, ou Combustão Espontânea, de Tobe Hooper. No entanto, os momentos mais arrepiantes são aqueles que trazem o desespero das vítimas, entre gritos e sons inaudíveis, devido a ausência da língua, num festival de gemidos de dor que antecipam a morte sangrenta dos moradores da região.


Seria muito fácil para o roteirista Michael Wallach, em seu trabalho de estreia, acrescentar zumbis ou alguma doença que causasse a loucura apenas, mas em The Bay ele foi muito mais produtivo ao tratar de temas ainda não usados no subgênero "found footage": contaminação, desespero e epidemia. Surpreendendo sempre o espectador com situações isoladas e também ao acrescentar uma pequena história envolvendo um casal (com Kristen Connolly, de "O Segredo da Cabana" e "Fim dos Tempos") e seu bebê, dirigindo-se para o local, ele dá dinâmica à produção e boas doses de suspense. É impossível não se preocupar com o destino daquelas pessoas e tentar se colocar num pesadelo parecido, em episódios similares ocorridos pelo mundo. 

Julia X - 2011



Conhecer pessoas pelo bate-papo é uma prática comum hoje em dia pela facilidade do contato e por permitir a aproximação pelo conteúdo antes de valorizar o rótulo. Ao mesmo tempo que é interessante também pode se tornar perigoso a partir do momento em que não é possível saber com quem você está lidando até o encontro físico. O cinema de horror já trouxe alguns bons ensinamentos sobre essa prática através do psicológico Menina.Com, do drama Confiar e recentemente com o sangrento Julia X, dirigido pelo produtor e roteirista P.J. Pettiette (Jennifer's Shadow, If I Die Before I Wake, Bad Dreams).

Com um orçamento estimado em 4 milhões, o longa tem como estrela o ex-Hércules Kevin Sorbo, como um serial killer que costuma sequestrar mulheres que conhece pela internet para depois matá-las, deixando uma marca na pele das vítimas. Julia (Valerie Azlynn, de Substitutos, 2009) poderia ser mais uma vítima do assassino, se não fosse sua capacidade de sobrevivência e intenções macabras. Nos primeiros vinte minutos, ela encontra meios para fugir em diversas situações, incluindo a própria morada do estranho e outros lugares abandonados, parecendo apenas mais uma survivor girl. O ponto de virada acontece quando ela tem a oportunidade de nocautear e sequestrá-lo, conduzindo-o até sua residência, onde sua sádica irmã Jéssica (Alicia Leigh Willis, de A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos) os aguarda.
Jéssica também quer ter a oportunidade de protagonizar sequestros, mas, por ser mais nova, é obrigada a seguir as orientações da irmã. Assim que acorda, o assassino percebe que escolheu a vítima errada, sofrendo inúmeras torturas, enquanto também tenta encontrar alguma maneira de fugir e contra-atacar. Assim, o banho de sangue comanda o longa, com as irmãs enfrentando o inimigo com os acessórios que possuem em casa, enquanto brigam entre si a respeito de eliminar ou não o homem, continuar torturando-o e o posto de líder.

P.J. Pettiette emprestou seu argumento para o especialista em efeitos especiais, Matt Cunningham (Tropas Estelares, 1998), escrever o roteiro. Apesar da boa ideia, o resultado não foi plenamente satisfatório, mesmo ao encher a tela de vermelho e criar lutas sangrentas entre frases de um simples encontro. Até mesmo a entrada de uma outra vítima na história, o mecânico Sam (Joel David Moore, de Avatar), não trouxe grandes mudanças no longa, até mesmo porque sua participação não acrescentou nada à produção. E também não haveria necessidade de mostrar o passados das irmãs para justificar sua raiva pelos homens, algo que o cinema de horror já provou não ser importante.
Kevin Sorbo é um ator bastante limitado, não convencendo em nenhum momento como serial killer sedutor - aliás, ele serviria muito bem para filmes pornô, principalmente na cena inicial no devaneio de Julia no banheiro. O destaque das atuações ficou por conta de Alicia, no papel de uma garota imprevisível e ousada, capaz de assumir o controle da situação e ainda se divertir com os confrontos. É ela que seduz o espectador e provoca as melhores cenas, permitindo uma avaliação não tão negativa para o longa.

Julia X tinha as ferramentas para se transformar numa grande produção, sempre lembrada pelos fãs do gênero, mas acabou se tornando uma Guerra dos Roses ou a Morte lhe Cai Bem: levemente divertido, embora não seja ousado e peque em algumas soluções fáceis.

The Texas Chainsaw Massacre 2


Continuar um clássico deve ser um trabalho ingrato! A História do Cinema já provou o quanto é difícil um raio cair duas vezes no mesmo lugar, por mais que o original tenha determinado as regras do sucesso: Exorcista 2, Hellraiser 2, Psicose 2, A Hora do Pesadelo 2 e inúmeros outros podem servir de exemplo de produções extremamente inferiores ao primeiro filme. Ainda mais complicado deve ser continuar uma obra que você mesmo criou! Imagina o peso da responsabilidade de George A. Romero (em Despertar dos Mortos) ou Sam Raimi (com Evil Dead 2) quando decidiram fazer uma sequência de seus filmes clássicos! Se os resultados, em sua maioria, são inferiores, o que se pode dizer de Wes Craven e seu pavoroso Quadrilha de Sádicos 2, um longa que praticamente insulta o trabalho original, e Tobe Hooper, com o péssimo O Massacre da Serra Elétrica 2? 

Até então Hooper tinha um currículo regular, com longas eficientes e divertidos como Pague para Entrar, Reze para Sair, Poltergeist - O Fenômeno - embora este tenha tido a influência quase que completa de Steven Spielberg -, Força Sinistra e Invasores de Marte. Contudo, ele vinha de duas produções que fracassaram na bilheteria, o que o fez apostar as fichas na continuação de seu maior sucesso, O Massacre da Serra Elétrica, com o incentivo da produtora Cannon Films. 
Lançado em 1974, o longa original representou a fase final do movimento hippie - seja no visual colorido em oposição à imagem granulada e o clima sombrio ou na destruição do rótulo paz e amor -, ao apresentar uma viagem de carro de cinco amigos para visitar o túmulo do avô de Sally Hardesty (Marilyn Burns, na melhor interpretação de sua carreira) e seu irmão Franklin (Paul A. Partain). Uma carona a um psicopata e uma parada num matadouro são o prenúncio de um encontro com uma família de canibais e o confronto com uma figura monstruosa e insana que utiliza uma motosserra para destroçar suas vítimas. Ganchos, marretadas, peles e partes humanas servindo de adereços, e a conclusão do horror absoluto num jantar macabro dão o tom do cardápio assustador e violento de um cineasta ousado em um momento de inspiração plena.

Somado aos crimes de Charles Manson, em pauta no início da década de 70, e ao grotesco Aniversário Macabro, de Wes Craven, O Massacre da Serra Elétrica fez uma exposição azeda da humanidade, comprovando que os efeitos da guerra nuclear seriam capazes de criar monstros imensos, mas jamais se igualariam à raça humana. Um exemplo disso está na figura do maior antagonista e o primeiro ícone do gênero, Leatherface, materialização nas telas de um dos piores assassinos da história americana, Ed Gein. Ele não era conhecido pela quantidade de assassinatos cometidos, e, sim, pela forma como lidava com os restos mortais, utilizando-os como partes de seus móveis. Com um contexto assim, dá para entender porque o filme se enquadra facilmente na lista das melhores produções de horror de todos os tempos!

Treze anos se passaram. Na década de 80 o Texas afastaria a imagem ruim em produções menos agressivas ou completamente divertidas como a comédia Férias Frustradas. Tobe Hooper imaginou que poderia voltar às origens, atualizando o pesadelo para a nova fase do cinema conhecida como "terrir" ou "espantomania", com filmes com o título "A Hora..." e vilões irônicos. Um parênteses: apesar da tendência otimista, há cineastas como Clive Barker e Romero, que mantinham a atmosfera tétrica em seus trabalhos e continuações! Foi nesse cenário que Hooper resolveu rever a família de canibais, desenvolvendo o patético O Massacre da Serra Elétrica 2, a partir de um roteiro escrito por L.M. Kit Carson, que anteriormente havia feito o elogiado Paris, Texas, de Wim Wenders.

Carson e Hooper diziam que a base do original era o humor negro - sabe lá de onde tiraram isso! Assim, acreditavam que a continuação deveria acentuar esse humor e o gore, numa sátira aos excessos dos anos 80. Como bem definiu o crítico Roger Ebert, em sua análise para o Chicago Suntimes: A Parte 2 tem muito sangue e mutilação, com certeza, mas não tem o terror do original nem o desejo de ser levado a sério. Ainda que não tenha a mesma seriedade, o longa sofreu com a censura, sendo banido em diversos países como Alemanha e Cingapura; até mesmo a Austrália não achou graça e só conseguiu lançar a continuação no mercado alternativo de VHS na época, e, em DVD, em novembro de 2006. Tudo isso se deve ao talento de Tom Savini, com seus efeitos de maquiagem impressionantes, e não ao argumento ou direção.
1986. Após os eventos do primeiro filme, dois rapazes cruzam a estrada deserta do Texas atirando contra placas de sinalização e outdoors. Eles são Buzz e Rick, dois idiotas que pretendem curtir um final de semana em Dallas. Sob o efeito de drogas, a dupla espanta um caipira da estrada e resolve passar um trote para a radialista  Vanita Stretch Brock (Caroline Williams, de Halloween 2, 2009). Mantendo o telefonema ativo, no caminho, eles são fechados por uma picape, enquanto atravessavam uma ponte remota. O veículo emparelha com o carro dos jovens e passa a acompanhá-los em marcha ré por toda a sua extensão - longa, por sinal - até que surge de sua traseira um cadáver, segurado por ninguém menos do que Leatherface (Bill Johnson, de Future-Kill). Rick tenta acertá-lo com sua arma de fogo, mas não atinge o alvo, enquanto Leatherface ataca o carro com sua motosserra, partindo a cabeça de Buzz. O veículo bate.

No dia seguinte, o tenente Lefty Enright (Dennis Hopper de Terra dos Mortos), tio de Sally e Franklin, chega ao local do acidente. Ele está investigando os crimes da família canibal há 13 anos, incluindo o desaparecimento de seus sobrinhos, esbarrando em questões judiciais e nas lendas criadas sobre Leatherface. Lefty pretende escrever um artigo sobre o caso nos jornais, algo que interessa a radialista Stretch, que leva a ele a fita com o áudio da gravação do assassinato de Buzz e Rick. Ele a convence a tocá-la a cada uma hora em sua rádio para que o público fique sabendo do que acontece por lá, embora, na verdade, queira apenas fazer dela uma isca, provocando a família canibal.
Durante o programa, Stretch recebe a visita de Chop Top (Bill Moseley, de Halloween - O Início), irmão do caronista do primeiro filme e que estaria no Vietnã na época em que Sally enfrentou Leatherface. Um pouco de horror psicológico do visitante até a chegada de Leatherface para atacá-la com sua motosserra. Até o momento, o filme caminha bem: não mantém o clima do original, mas tem um enredo curioso sobre os prováveis conflitos. Eis que a qualidade descamba quando o assassino que veste peles humanas se apaixona pela radialista, fazendo momentos sexuais com sua arma e cutucando-a entre as pernas. O colega de trabalho de Stretch, L.G. McPeters (Lou Perryman, de Meninos não Choram, falecido em 2009), surge no local, sendo atacado violentamente com golpes na cabeça. Leatherface mente que matou a radialista, e a dupla vai embora levando o corpo de L.G..

Se antes a família evitava largar suas vítimas para evitar que a polícia investigasse os crimes, na continuação, além de Rick e Buzz, a radialista é deixada para trás por ser magra (!!!). Ou seja, se a intenção era a discrição, como evitariam qualquer polêmica ao supostamente assassinarem a DJ depois que ela resolveu provocá-los? Com certeza, uma grande investigação iria ocorrer e os ideais de Lefty seriam comprovados! Dá para perceber o quanto o roteiro possui grandes falhas, tornando-se pior na segunda metade, com a apresentação dos insanos membros da família e palhaçada assumindo de vez a produção.

Stretch decide segui-los, sem saber que Lefty também faz o mesmo. Chegam a um circo, com a exibição de corpos como parte da atração (!!!), onde a radialista cairá em uma armadilha e será mais uma vez salva por Leatherface, ao passo que Lefty resolverá destruir o ambiente, principalmente ao se deparar com um cadáver numa cadeira de rodas, acreditando ser Franklin. Além de Leatherface e Chop Top, a família ainda é composta pelo cozinheiro Drayton Sawyer (Jim Siedow, reprisando o papel) e o vovô mumificado. E ainda resta espaço para a aparição da vovó, num altar ao estilo Sexta-Feira 13 - Parte 2!
Mesmo sem parte da pele e exposição da carne em algumas partes do corpo, além dos ferimentos na cabeça, L.G. ainda está vivo! Ele ajuda Stretch a se soltar antes do suspiro final, quando a radialista resolve assumir que o amava. Leatherface, vulgo Bubba, terá mais um momento romântico com a moça, colocando nela a pele do rosto de L.G. e iniciando uma valsa macabra. Lefty depois encontrará o assassino numa luta mortal de motosserras; e Stretch terá que encarar Chop Top pelas cavernas do circo. Discursos moralistas, frases de efeito, jantar com cadáveres, dança com a motosserra...compõem O Massacre da Serra Elétrica 2, numa versão piorada do filme original.

Numa primeira conferida, o filme de Tobe Hooper pode até garantir alguma diversão. No entanto, a avaliação vai piorando a cada nova tentativa, quando detalhes toscos surgem à tona - incluindo a postura irregular de Leatherface - e o roteiro apresenta seus problemas. Por um bom tempo, acreditei que o diretor tivesse feito um trabalho mal feito em resposta à pressão da Cannon, até ler algumas entrevistas em que ele elogia a própria postura e exibe sua criação com orgulho. E não é o único: por incrível que pareça O Massacre da Serra Elétrica 2 é considerado por muitas pessoas como superior ao original, alcançando o status de cult. 

Para falar a verdade, prefiro mil vezes a terceira, a quarta parte e até o remake e sua continuação do que O Massacre da Serra Elétrica 2. Os olhos arregalados de Matthew McConaughey e a mordida do lábio de Renée Zellweger, em O Massacre da Serra Elétrica 4 - O Retorno, são muito mais interessantes do que esta continuação engraçadinha. Aliás, se há uma palavra que possa resumir o segundo filme é palhaçada. Talvez seja por esse motivo que tenham escolhido o circo como palco dos horrores da família Sawyer.

Il tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave - 1972


O primeiro miado italiano de um gato preto baseado no texto genial de Edgar Allan Poe foi ouvido em 1972. Sob o comando de Sergio Martino, antes dele pisar na "Montanha dos Canibais" e visitar a "Ilha dos Homens-Peixe", Il tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave é seu maior título, ainda que não seja seu melhor trabalho. O nome original é uma referência ao primeiro giallo do diretor, "O Estranho Vício da Senhora Ward" - depois viriam mais dois até esta homenagem ao conto mais famoso de Poe. 

Embora seja conhecido por aqui como "No Quarto Escuro de Satã", a obra é também lembrada por inúmeros títulos como Gently Before She Dies, Eye of the Black Cat e Excite Me!. Este último, estilo "exploitation", deve-se ao tom da produção, repleta de erotismo e cenas de sexo gratuitas presentes em alguns trabalhos de Martino. Poderia se enquadrar numa tragédia familiar se o sangue vermelho e gosmento não tivesse ali, além das luvas pretas e lâminas reluzentes. Martino deu vida à uma trama de vingança, sedução e morte, com diversas reviravoltas e lugares-comuns, além de um gato preto chamado Satã.
O escritor falido Oliviero Rouvigny (Luigi Pistilli, de "A Mansão da Morte", de Bava) é um tremendo filho-da-puta (peço desculpas pelo termo chulo, mas não encontrei um meio melhor de defini-lo com precisão). Mora numa mansão sinistra com sua sofredora esposa Irina (Anita Strindberg, de "A Cauda do Escorpião") e a empregada. Logo na cena inicial, durante uma festa promovida aos hippies de um acampamento local - com uma cena de nudez belíssima de Dalila Di Lazzaro (de "Phenomena", da Dario Argento) - ele humilha a mulher e a empregada, e ainda força o sexo com ambas. 

Mais tarde, um passeio à livraria, a atendente deixa evidente um caso entre os dois, desde um flerte na época em que ela era apenas uma aluna de Oliviero. Pouco depois, no local do encontro, ela é assassina por uma figura misteriosa, usando roupas negras e uma lâmina curvada. Acusado pelo assassinato, Oliviero pede a ajuda da esposa para contornar as suspeitas do Inspetor (Franco Nebbia), e ela demonstra novamente sua fragilidade e subordinação ao marido safado. A situação torna-se mais drástica quando chega ao local a sobrinha de Oliviero, a sedutora Floriana (Edwige Fenech, de "O Albergue 2"), que resolve transar com todo mundo e jogar para todos os lados, sem definir sua posição. 
Observando todas as ações como um espectador misterioso, o gato Satã tem a admiração do marido e, consequentemente, a raiva de Irina. Num dos dois momentos "Poe" do filme, ela ataca o animal com uma tesoura e arranca seu olho esquerdo. Quem lembra do texto original, verá similaridade desse acontecimento com o gato Pluto, vítima de seu dono. O felino do conto sofre mais do que Satã, embora a versão de Martino o coloque em destaque por diversas vezes. Ele acompanha as intrigas da família, observando e julgando os atos com seu olhar amarelado, somente aguardando o momento de revelar os corpos. 

No Quarto Escuro de Satã tem os méritos de uma livre adaptação de um texto clássico de Edgar Allan Poe, além da boa atuação de Luigi Pistilli. Peca pela falta de originalidade e ousadia nas mortes, na narrativa lenta, amarrada pelas cenas de sexo gratuitas. Numa delas, a mais absurda que se pode imaginar, Floriana resolve transar com o entregador numa condição extremamente artificial: sem beijá-la uma vez sequer, ele pede que ela tire toda a roupa e improvisa uma cama. O sexo rola como se estivessem fazendo um trabalho em conjunto, sem afeto algum. Tão ato não se justifica pela afeição sentida por ambos, incluindo uma proposta de fuga.

Um bom giallo, mas sem o suspense e o mistério das boas produções do período.

Within the Woods: O Prelúdio de The Evil Dead


Quem nunca sonhou em fazer seu próprio curta de horror que atire o primeiro machado. Sendo fã ou não de filmes de terror, qualquer pessoa que tenha tido acesso a uma câmera de vídeo já se imaginou dirigindo ou atuando em algo do gênero. A ideia de fazer uma produção amadora já remete às produções trashes. com sangue e tripas sobre a camiseta branca, gritos escandalosos e muita diversão. Veja como exemplo o filme Saneamento Básico, de 2007, dirigido por Jorge Furtado, que mostra cidadãos da pequena Linha Cristal tendo que se virar para produzir um filme trash para arrecadar fundos para a realização de uma obra na cidade. Com poucos recursos, mas muita criatividade, eles criam um filme de terror com uma criatura feita com materiais improvisados e contam com o apoio de realizadores para a confecção da obra. A própria atriz Vera Fisher já fez por diversão seus próprios filmes caseiros de terror com amigos, mesmo que assumidamente não seja fã do gênero.

E este que vos escreve já se arriscou nessa brincadeira realizando um filme de terror envolvendo seitas e sequestros na adolescência. Com primos e amigos, a história consistia num serial killer que era morto num atropelamento, mas acabava sendo trazido de volta por um maluco satanista em sua tentativa de trazer algum morto à vida. Para azar do próprio, o cadáver escolhido era exatamente de um cruel assassino que já havia acumulado vítimas em sua carreira sinistra. Como resultado: atuações forçadas, figurinos comuns e muitas gargalhadas.
Atualmente, com o acesso mais fácil às filmadoras, tendo até celulares com esse recurso, qualquer um pode brincar de fazer filmes. No entanto, em 1978, havia um grupo de amigos que tinha uma intenção mais séria de fazer um curta de terror, usando-o como alicerce para a produção de algo mais intenso e completo. Within the Woods é um dos três curtas dirigidos por um tal de Sam Raimi, que provavelmente não imaginava a dimensão de seu trabalho.

Quatro colegas de faculdade, dois casais, decidem passar um final de semana numa casa rural localizada num bosque afastado da cidade grande. Enquanto um casal (Scott Spiegel e Mary Valenti) fica na casa jogando Banco Imobiliário, o outro (Bruce Campbell e Ellen Sandweiss) vai passear pela floresta a fim de realizar um piquenique a sós. No caminho pela mata, Bruce conta a Ellen sobre a história da região, dizendo que a área era um cemitério indígena e que agora pertencia a um velho espírito que toma conta do local. Ellen sai em busca de lenha, enquanto Bruce cava um buraco para a fogueira. De repente, o rapaz encontra um velho crucifixo e também uma adaga indígena. Mesmo tendo violado um túmulo indígena, o rapaz não se preocupa, pois Ellen acaba de retornar com a lenha. Ambos decidem dormir...e até esquecem de acender a fogueira. 

Mais tarde, Ellen acorda e descobre que Bruce desapareceu. Imaginando que o namorado tenha decidido voltar para a casa, resolve fazer o mesmo. No caminho, encontra Bruce agarrado a uma árvore, mutilado, com um olho fora da órbita, completamente morto. Então, a Força aparece. A cena que o espectador assiste a seguir é praticamente a mesma em que viu em The Evil Dead, mas com menos (muito menos) efeitos especiais.

Alguns minutos depois, Scotty sai em busca de Bruce e deixa Shelly confortando Ellen. Com a demora do namorado, Shelly abre a porta e leva um susto ao ver Bruce como um morto-vivo, segurando a adaga indígena. Ele então enforca a garota e a esfaqueia violentamente. Ellen tranca a porta e corre para a cozinha. Pega duas facas e retorna para a porta. A maçaneta gira...ela golpeia....Scotty.

Bruce aparece e quebra a janela. Ellen tenta fechar a porta, mas não consegue pois o corpo de Scotty está impedindo o movimento (algo visto em Evil Dead 2). Ela puxa o corpo e fecha a porta. Ele diz para ela pegar a arma que há no porão. Quando a garota retorna, encontra Scotty morto com um machado nas costas. Então, ela inicia uma sangrenta batalha com Bruce, em que apenas um vencerá...

Within the Woods é um curta extremamente amador dirigido por um jovem Sam Raimi com o propósito de arrecadar fundos para produzir um longa-metragem, um tal de The Evil Dead. O diretor de Homem-Aranha convidou seus colegas de faculdade Bruce Campbell, Ellen Sandweiss e Scott Spiegel para atuarem na produção, e, contando com a ajuda de Robert G. Tapert - que emprestou a casa e o local onde foram feitas às filmagens -, gastou aproximadamente $1,600, filmando-o com uma câmera Super 8, sem utilizar trilha sonora. O filme não teve uma boa aceitação nos Estados Unidos, mas Raimi não desistiu e levou o seu filme à Europa, onde arrecadou os fundos necessários para a produção de The Evil Dead - este custou $350,000, nada mais nada menos que 1000 vezes inferior ao orçamento de seu último megassucesso, Homem-Aranha 3.

Não é necessário um olhar mais atencioso para verificar que o diretor já demonstrava um certo talento na condução de uma câmera. Nota-se também que diversas cenas de Within the Woods foram repetidas em The Evil Dead. Por exemplo, a cena de perseguição a jovem Ellen na floresta é praticamente idêntica nos dois filmes, com a diferença de que Cheryl acaba sendo estuprada pelas árvores no filme de 1982. A atuação do elenco é pouco convincente, mas percebe-se o carisma promissor do jovem Bruce Campbell, que depois entraria para o hall da fama dos atores de filmes B.

Within the Woods não foi lançado em DVD no Brasil e lá fora está anexado às cópias de versões elaboradas de The Evil Dead. Trata-se de um filme caseiro, uma produção precária e simples, que serviu de base para o que viria a ser o maior clássico do gênero. Facilmente encontrado para download na internet, é um filme histórico e obrigatório que deve ser visto por toda a sua importância na história do horror mundial.

A INFLUÊNCIA EM EVIL DEAD

Sam Raimi filmou em 6 dias os 32 minutos de Within the Woods, pretendendo arrecadar fundos para produzir um longa-metragem. Na verdade, a proposta era fazer de seu curta uma prévia do que seria visto em seu filme definitivo - era assim que ele apresentava o longa para os estúdios e investidores. Conseguiu uma exibição do filme antes de uma sessão de The Rocky Horror Picture Show. Um crítico viu e fez uma crítica positiva do filme, servindo de apoio para que surgissem patrocinadores para a realização de um longa. Logo que conseguiu o dinheiro que precisava, deu início à produção de The Evil Dead, mas antes fez algumas alterações no roteiro: substituiu o argumento da profanação do cemitério indígena pela leitura de palavras malditas de um livro encontrado na velha cabana. Curiosamente, no ano de lançamento de The Evil Dead foi feito um filme com direção de Tobe Hooper e produção de Steven Spielberg sobre um tal cemitério indígena profanado. Alguém já ouviu falar de Poltergeist?

Apesar das alterações no roteiro, muitas cenas de Within the Woods foram refilmadas ou serviram de inspiração para The Evil Dead, até então intitulado BOOK OF THE DEAD:

- Os nomes dos personagens de Mary Valenti, Shelly, e Scott Spiegel, Scotty, foram re-utilizados em The Evil Dead, mas os atores acabaram sendo substituídos, apesar da breve aparição de Spiegel no clássico. Mary não seguiu a carreira de atriz, nem apareceu nos filmes da franquia.

- a cena em que Ellen corta a mão de Bruce e ele é forçado a mordê-la apareceu em The Evil Dead, mas com Scotty e Shelly.

- a cena em que Ellen é perseguida na floresta até a porta da cabana e tenta desesperadamente entrar apareceu em The Evil Dead com Cheryl, mas a garota não teve a mesma sorte e foi atacada pelos bosques.

- Scotty, aparentemente morto, levanta-se possuído pelo demônio. Tal cena é idêntica no longa.

- o momento em que Bruce é desmembrado em Within the Woods é similar a que acontece com Shelly em 1982.

- Bruce é golpeado com uma adaga no curta-metragem. No longa, Shelly é golpeada nas costas por Scotty.

- a cena em que Bruce tenta entrar na cabana e Ellen golpeia Scotty foi refeita em The Evil Dead 2.

Donner Pass - 2012


Não basta apenas um bom argumento para que um filme possa ser considerado bom. Quando as atuações não convencem e os clichês se espalham pela produção, as qualidades técnicas e a boa história podem não fazer diferença alguma. É o caso do slasher Donner Pass, filme de estreia na direção de longas de Elise Robertson, atriz com participação em mais de vinte produções entre séries como True Blood e Grey's Anatomy.

Baseado numa trama desenvolvida por Elise, Mouncey Ferguson e R. Scott Adams, o longa tem uma premissa bem interessante sobre uma lenda numa localização conhecida como Donner Pass. Devido a um episódio trágico do passado envolvendo canibalismo e imortalidade, o local carrega uma história assustadora: se alguém se alimentar de uma outra pessoa viva na região, ela "rouba" a sua vitalidade. 
O esquisito Thomas (Erik Stocklin) convida seus amigos Mike (Colley Bailey), Kayley (Desiree Hall) e  a insuportável Nicole (Adelaide Kane) para um fim de semana em seu casarão, num ambiente gélido isolado por uma floresta densa e escura. Antes mesmo que possam curtir uma bebedeira, novos e desmiolados jovens chegam ali para atrapalhar e aumentar o número de vítimas.
Brincadeiras imbecis e provocações, o grupo só passa a se tornar interessante quando começa a perder seus integrantes, e isso acontece depois que um deles decide comprar cerveja de madrugada, com uma neve alta e ventania pelo caminho, e desaparece. Na busca pelo rapaz, encontram o veículo abandonado sangue por todo lado e seu corpo aberto, como se tivesse sido devorado por um animal.
Eles já haviam ouvido falar de uma mulher que desaparecera na região nas mesmas circunstâncias, encontrada semi-devorada. A tensao se torna crescente com a aparição de uma figura estranha nas redondezas e novos ataques, forçando-os a lutar pela vida. Quem será que está se alimentando do grupo? Seria algo relacionado ao passado e à lenda local?

Mesmo com o sangue em profusão e uma martelada no olho quase on-screen, a realização decepciona com cenas ridículas como aquela envolvendo a morte de uma garota numa piscina aquecida, com o namorado há alguns metros urinando. A trama também se perde com diálogos toscos, a vingança de um estupro não esclarecido e o confronto entre os personagens.
Além das atuações não convencerem, principalmente com a canastrice de Desiree Hall, Donner Pass recicla o velho discurso das motivações do vilão e a criação de um "monstrinho" ao estilo Rec para  tentar complicar as coisas. Até cria alguma emoção pela caracterização e selvageria, mas deixa a sensação de "deja vu", de falta de criatividade.

Ainda assim, Donner Pass não chega a incomodar e pode até servir como uma diversão passageira para aqueles menos exigentes. "Não ser ruim não quer dizer que seja bom.", confirmando as sábias palavras de um dos personagens e que pode traduzir bem o filme a qual faz parte.

A Sociedade dos Amigos de Lovecraft


As indizíveis criaturas do Inferno de Lovecraft devem estar se regozijando com as peripécias iniciais de seu filho bastardo Brian Yuzna. Entre as adaptações do escritor americano compartilhadas com seu parceiro Stuart Gordon, o cineasta filipino ainda deu vida a projetos próprios, tendo seu debut na direção em 1989 com Society. Antes de se perder em trabalhos irreconhecíveis como Querida, Encolhi as Crianças e Tarzan, Yuzna chegou a tocar o extremo com monstruosidades e ousadias, críticas sociais e horror indigesto ao se lançar no comando do roteiro de Rick Fry e Woody Keith, ambos de A Noiva do Re-Animator. Não fez um filme perfeito, mas uma excelente carta de apresentação, principalmente com a perturbadora sequência final que talvez tenha inspirado a VTI a apelidá-lo de A Sociedade dos Amigos do Diabo.

Tanto o título brasileiro quanto o original podem fazer um distraído imaginar de que se trata de um filme de seita maligna, com rituais de invocação do demônio e sacrifícios. Até existem encontros secretos e rituais bizarros, mas são apenas parte da rotina de uma  rica sociedade que cospe nas faces imundas dos desprovidos financeiramente. Aliás, faz um pouco mais do que simplesmente cuspir. O conceito é bem mais simples do que se pode imaginar, ainda assim considerado por muitos como complicado e inacessível, tanto que os americanos só foram ver o filme em 1992, três anos após o lançamento na Europa, onde fez muito sucesso e trouxe retornos interessantes para o diretor. 
Para fazer parte da tal Sociedade, é preciso ter a idade adequada e bons fundos. Nascer em berço de ouro pode lhe prover de bons momentos entre os iguais no sábado à noite, entre trocas de elogios e uma alimentação especial. Bill Whitney (Billy Warlock, de Baywatch) vive na beirada dessa sorte por sua condição bastarda. Embora seja popular nos esportes e na escola, onde disputa o cargo de presidente de turma, ele se sente um invasor dentro de sua própria morada. Não há diálogos, nem carinho ou atenção dos pais, numa preferência natural à irmã, algo que o conduz a consultas regulares e incompreensíveis com o psicólogo Dr. Cleveland (Ben Slack, de Assassinato em Primeiro Grau). Quando o ex-namorado de sua irmã, David Blanchard (Tim Bartell), começa a alertá-lo sobre coisas esquisitas que captou da família no debut da garota, num microfone escondido no brinco, Bill inicia sua descida às camadas do Inferno a cada descoberta.

Enquanto acidentes estranhos eliminam aqueles que tentam falar mal da Sociedade, Billy deixa de lado a namorada ciumenta e passa a ser envolver com a sedutora Clarissa (Devin DeVasquez), que possui na figura da mãe algo que já evidencia o gosto do diretor pelo bizarro. Ele ainda enxerta momentos peculiares como um banho da irmã, cujos seios aparecem nas costas, e a posição sexual que traria aplausos dos mais virtuosos contorcionistas. Yuzna parece estar homenageando o cinema de Cronemberg e fazendo referências ao trabalho de Paul Bartel no humor negro Tudo Por Dinheiro, de 1982, e a comédia Comendo os Ricos, de 87, dirigida por Peter Richardson. Imagine todos esses diretores sentados à mesa para uma refeição lovecraftiana e você compreenderá os últimos vinte minutos dessa obra-prima de Yuzna. 
Indiferente ao conteúdo e às mensagens políticas, resta um último ato exagerado e extremamente perturbador. Num olhar atual, é fácil identificar as deficiências técnicas nos efeitos de maquiagem a cargo do experiente Screaming Mad George, seja nos bonecos de látex ou no tom avermelhado e artificial. No entanto, são alegorias que evidenciam uma sociedade feia e supérflua, e os ingredientes de um espetáculo obsceno de criaturas disformes em atos de orgia e canibalismo, com um humor que pode não ser bem digerido para os que não são íntimos com o extremo. 

A Sociedade dos Amigos do Diabo é um pesadelo urbano. É o retrato dos insultos que sofrem os trabalhadores em seu ritual diário de humilhação por parte daqueles que captam seu suor diário e enchem piscinas e copos de cristal. Poderia ser o filme promissor de uma trajetória marcante na sociedade dos gênios do horror, mas acaba sendo um trabalho bastardo, idealista e repulsante, que encerra de maneira satisfatória a década de 80. 

Bug Buster - 1998


Não é apenas um pesadelo feminino: baratas são realmente criaturas repugnantes. Até mesmo aqueles que as enfrentam com seus tênis de trezentos reais assumem um certo desespero quando são convocados para um extermínio. Não é o medo que comanda essa pouca afeição - talvez uma inveja pela sua capacidade de sobrevivência a uma guerra nuclear e ousadia em aparecer em lugares inusitados... - mas a sua incômoda presença, além do fato delas morrerem de modo extremamente horrível, resultando numa gosma branca com antenas e órgãos distorcidos sempre antecipados pelo som de biscoito sendo esmagado. E como vocês sabem, coisas nojentas são um prato asqueroso e completo para o gênero fantástico, tanto que marcam presença há muito tempo em produções ruins e divertidas. Quem não se lembra do clássico Praga Infernal, de 1975, de Jeannot Szwarc, com esses insetos em forma mutante? Já na década de 80 há mais exemplares como o último segmento de Creepshow - Show de Horrores, de 1982, assim como Ninho do Terror e a cena mais curiosa de um assassinato em A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos, ambos de 1988. Se há exemplos divertidos, também há um representante tão ruim que fez as Blattodeas se sentirem orgulhosas: Baratas Assassinas aka Bug Buster, lançado em 1998, um ano depois de Mutação, de Guillermo del Toro.
Shannon Griffin (Katherine Heigl, de Ligeiramente Grávidos) passou sua vida sendo atormentada por pesadelos com baratas em seu quarto - ela provavelmente não consegue ver a graça de Joe e as Baratas. Para se livrar desse terrível mal, ela é sua família se mudam para um hotel na pequena cidade de Mountview, no interior da Califórnia, um local perfeito para descansar e tratar sua fobia. É lá que a jovem encontrará seu interesse amoroso, Steve, e passará a encarar seus maiores medos, quando pistas revelam a possibilidade de insetos estarem fazendo vítimas na região.

Baratas Assassinas é o típico filme-clichê: similar a diversas produções do gênero bicho vs homem, o enredo aposta no bom humor e nas homenagens a outros exemplares para atrair a atenção do público, mas evidencia seu fraco conteúdo, péssimos efeitos especiais e um elenco que você não espera revê-lo novamente no cinema. Seguindo o estilo Tropas Estelares, o filme tem início com um comercial de TV com um especialista em matar insetos e criaturas diversas, General George (
Randy Quaid, sempre em personagens insanos), com seu discurso de ex-combatente do Exército e sua metodologia nem um pouco convencional na exterminação das pragas. Se a primeira propaganda não foi interessante, o que dizer das inúmeras que aparecerão no decorrer do longa, mostrando o exterminador em situações bizarras – ora, fuzilando um rato de plástico, ora pendurado em um cipó, enquanto insetos falsos são atirados em sua direção?
Um casal de jovens, o já citado Steve (David Lipper, de Operação Babá), entra num lago da região para se banhar e fazer outras coisas mais, quando a jovem sente uma dor forte na perna, como se algo a estivesse mordendo. Curiosamente, momentos antes, o rapaz relembra uma situação que ocorrera no passado nesse mesmo local, onde um jovem teria morrido vítima de um suposto acidente. Se ele sabia do perigo, por que ainda assim resolveu entrar na água? Adrenalina? Uma transa garantida? Ou apenas burrice?

Logo depois do ataque, com a presença da polícia - lê-se dois bobalhões que ficam o filme inteiro citando outras produções como Tubarão - o público é apresentado a Dra. Laura Casey (
a belíssima, mas limitada Brenda Epperson Doumani), veterinária, que atribui o incidente a uma possível mordida de um peixe encontrado no local. Em seu laboratório, a doutora descobrirá no interior do animal uma barata, talvez a responsável pela alteração genética e morte do peixe, e a enviará para seu ex-professor, o mestre das caras e bocas, Dr. Hiro Fujimoto (George Takei, de Star Trek), cujo papel se resume a ficar num laboratório conversando com o elenco sempre via telefone, sem nunca contracenar com os outros atores.

A partir daí, já é possível prever quase tudo: Shannon se interessará por Steve, que perderá a namorada vítima da “contaminação” gerada pela mordida do inseto; vários moradores da região irão morrer derretidos pelo ataque sempre crescente dos insetos, até que o General George será convocado a prestar socorro; será descoberta a relação entre as baratas mutantes e o incidente ocorrido no lago no passado; todo o elenco principal se verá diante de uma ameaça ainda maior do que as pequenas baratas; e por aí vai. 
Nem com seu estilo trash com humor-negro, o filme consegue se safar de uma avaliação extremamente negativa. Não há uma cena sequer interessante ou que seja digna de observação, já que tudo o que é mostrado já foi visto antes e de forma melhor em centenas de outras produções. Diferente de Malditas Aranhas, com sua sátira aos clássicos da era dos monstros gigantes, Baratas Assassinas soa como uma cópia vulgar sem carisma ou criatividade para homenagear qualquer filme que seja. Embora os efeitos tenham ficado a cargo de Jeanne Vosloo, de Homens de Preto 2, eles são extremamente ruins e aparentemente amadores. Se era para brincar com o estilo, o resultado simplesmente não funcionou.

Sem justificativa para qualquer recomendação a uma conferida, que sirva pelo menos de alerta aos caçadores de pérolas do estilo: a repugnância a essas criaturas deve se ampliar a essa produção e a seus envolvidos. O problema é que, depois de arriscar esbarrar no longa, não há chinelo ou inseticida que evite os estragos cometidos por seu conteúdo.

Gato Preto (Il Gatto nero - 1981)

Um homem caminha tranquilamente pelas ruas de um vilarejo, seguido por uma pequena criatura de quatro patas - que o infernauta já saberá sua identidade antes dos créditos surgirem na tela. Ao entrar em seu carro, ele esquece a porta de trás aberta e permite a entrada de seu algoz felino. Alguns metros a diante, seus olhos irão se encontrar com os do demônio negro, fazendo-o ficar hipnotizado até largar a direção do veículo. Chocando-se com um carro estacionado, seu corpo é atirado pelo vidro evidenciando o sangue que escorre por sua cabeça esmagada. Em apenas, dois minutos de projeção, você já terá evidências suficientes para acusar o diretor como sendo Lucio Fulci, seja nos closes nos olhos ou na morte sangrenta em plena luz do dia.

Assim começa Gato Preto (Il Gatto nero), filme que o diretor italiano concebeu em 1981, na mesma época em que lançava ao mercado obras como Terror nas Trevas e The House by the Cemetery com seu nome já estabelecido dentre os mestres do gênero. A produção não faz parte dos destaques da filmografia do cineasta, mesmo que sua marca registrada esteja presente durante os 92 minutos e possa ser considerada interessante, principalmente com as referências ao escritor Edgar Allan Poe. Segundo consta nos bastidores, Fulci teria dirigido o longa de modo automático, prestando um favor ao produtor Giulio Sbarigia, mas manteve seu estilo peculiar graças à parceria com Sergio Salvati, desde o western Os Quatro do Apocalipse.


O roteiro de Gato Preto tem a participação de Fulci, mas também leva o nome de Biagio Proietti. Não é preciso muito esforço para notar que as referências a Poe vieram do diretor italiano. Publicado em 1843 no Saturday Evening Post, o texto original trazia um homem que teve seu comportamento alterado devido às influências negativas de seu animal de estimação, levando-o a cometer atrocidades, sem conseguir se livrar do animal. A primeira adaptação cinematográfica foi feita em 1934 com Boris Karloff e Bela Lugosi. Este último voltaria a encarar o felino com Basil Rathbone em 1941 sob a direção de Albert S. Rogell. Depois seria a vez dos astros Vincent Price e Peter Lorre, em 1962, na antologia Muralhas do Pavor, de Roger Corman, enfrentarem o bichano demoníaco. No entanto, o conto só teria uma versão italiana em 1972 quando Sergio Martino comandaria o gato Satã - sim, esse era o nome da criatura - em "Il tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave", lançado por aqui como "No Quarto Escuro de Satã", numa pincelada à obra original. Dario Argento também deu a sua contribuição à obra com o curta que pertenceu a produção Dois Olhos Satânicos, de 1990, ao lado de George A.Romero, com Harvey Keitel no papel principal.

Após a morte inicial, mais duas vítimas sofrem nas patas do gato preto; dois jovens resolvem namorar numa pequena instalação num porto e ficam presos no local, morrendo sufocados. Longe dali, ao investigar uma tumba, a fotógrafa Jill Trevers (Mimsy Farmer) encontra parte de um microfone usado pelo médium Robert Miles (Patrick Magee) para registrar suas conversas com os mortos. Ele é o dono do gato serial killer, que demonstra pouco afeto arranhando-o nas mãos. Investigando os assassinatos o Inspetor da Scotland Yard Gorley (David Warbeck) pede ajuda a Jill, que começa a acreditar num envolvimento de Miles com os crimes.


Lucio Fulci foge dos exageros de seus trabalhos anteriores ao fazer de Gato Preto um filme mais atmosférico do que sangrento, o que é de estranhar vindo de alguém conhecido como Maestro do Gore. Uma mulher em chamas, um homem pregado ao solo (comum nos filmes de Fulci, basta ver "Manhattan Baby" e "Demonia" para ver cenas parecidas) e arranhões no rosto completam o cardápio macabro do diretor, sem apelos para feridas nojentas e olhos arrancados (em "Demonia", o diretor trouxe gatos mais assustadores do que este, num filme bem inferior). Os efeitos especiais são simples, mas eficientes dentro da proposta de apresentar um animal assassino. A criatura incomoda cada vez que aparece em cena, com a sonoplastia ampliando seus miados e sons cavernosos para dar uma sensação de repulsa.

A obra de Edgar Allan Poe é lembrada quando Miles enforca o animal, ficando gravada a cena sobre a madeira. O médium passa a ser atormentado pela morte do animal com a corda aparecendo em alguns momentos. Também vemos o texto original na sequência final, desde o emparedamento até a conclusão idêntica à obra do autor.

Macabre - 2009


A 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo terminou em 5 de novembro de 2009, após a exibição de 424 produções de diversos países nas categorias Competição de Novos Diretores, a Perspectiva Internacional, a Mostra Brasil, Retrospectivas e a Mostra Suécia. É sempre interessante participar desse prestigiado evento que é uma janela de acesso a filmes que dificilmente terão espaço nos cinemas, locadoras e lojas brasileiras.
Foi na Mostra de 2002 que tive o privilégio de conferir o excelente Fácil de Enterrar (
Soft For Digging, 2001), que é um exemplo claro de produção que não teve lançamento no Brasil e muitos fãs do gênero perderam a oportunidade de conhecer o pesadelo do velho Virgil e seu encontro com a morte de uma criança. Pois, em 2009, chegou a vez do terror de Singapura com Macabro (Macabre aka Ruma Dhara - 2009), exibido no Cine Olido. Uma produção nada inovadora, mas possui elementos suficientes para figurar entre os mais sangrentos trabalhos do gênero remetendo aos clássicos O Massacre da Serra Elétrica e Fome Animal.
É a primeira produção do estúdio Gorylah Pictures, da Singapura, e tem a direção da dupla da Indonésia conhecida como The Mo Brothers (
Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto), que, em 2007, dirigiu um curta chamado Dara, a fonte de inspiração para Macabro, já contando com a protagonista vilâ do remake, Shareefa Daanish. Aliás, é ela o maior destaque do filme, com seu jeito agressivo de lidar com visitas e sua voz carregada de simplicidade e maldade.
O enredo é bem simples: nos primeiros trinta minutos conheceremos seis pessoas num pub em Bandung, pretendendo uma viagem para Jacarta. Na saída para a estrada, encontram uma jovem perdida, a bela Maya (
Imelda Therinne), e decidem levá-la para sua residência - enfim, uma série de clichês que justificam o trágico fim. Se o grupo fosse fã de filmes de terror notariam os sinais claros de uma tragédia iminente: a garota estar sozinha na região, sua postura atípica, a moradia sinistra com cabeças de animais e armas para todo lado, uma família que não esconde um lado sombrio. Inclusive, uma das jovens chega a presenciar um dos membros da família carregando algo pelo jardim - o que já serviria de motivo para uma saída pela direita, mas a acefalia dos jovens continua contribuindo para o gênero fantástico.
Depois de uma bela refeição, sem a presença de dois amigos, um casal cuja esposa espera um filho em seu oitavo mês, todos acabam dormindo depois de ingerir um "
boa noite, Cinderela", sem conseguir ouvir a voz da anfitriã Dara pedindo que o filho leve-os para o sótão e prepare as ferramentas para algum ritual macabro. A partir daí, o filme engata uma quinta marcha, com o grupo tentando sobreviver aos quatro assassinos, enquanto fogem pelos cômodos da casa e pela mata. A diversão torna-se ainda maior quando chega um grupo de policiais para revistar o local, culminando num massacre em proporções inimagináveis, com tiros de bestas, espingardas e até uma batalha envolvendo uma motossera e um espada de Samurai - algo parecido com o que vemos no encontro entre Jason e Leatherface nos quadrinhos. A propósito, os The Mo Brothers têm o seu próprio Leatherface, um gordão escroto, sem deformidades no rosto, mas silencioso e sádico.
O que interessa em Macabro há de sobra: sangue, tripas, a violência que não poupa o espectador em mostrar ferimento nos olhos, nas mãos, queimaduras, membros decepados e até esqueletos de bebês - num dos momentos mais terríveis do filme. E ainda sequências que permitem o riso involuntário como os policiais na moradia, a imortalidade dos personagens - talvez por se alimentar de carne humana - e, principalmente, a canastrice de Adam (
Arifin Putra), com seu olhar de maldade exageradamente teatral.
Toda a brutalidade em cena trouxe notoriedade para os The Mo Brothers, tanto que Timo Tjahjanto assumiu a condução de dois segmentos, um pelo The ABCs of Death, com a letra L de Libido (um dos melhores, diga-se de passagem), e simplesmente a melhor parte de V/H/S/2 intitulada Safe Haven, envolvendo seita macabra, suicídios em massa e a vinda do demônio. Com esse currículo, esses irmãos merecem uma atenção especial em seus próximos trabalhos, mesmo que seja para revisitar uma macabra família de Jacarta.