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ABBY: The Black Exorcist - 1974


Conhecido como o primeiro “clone” de O Exorcista a chegar aos cinemas norte-americanos, Abby foi lançado pela American International Pictures (AIP) no final de 1974. Abby teve a direção de William Girdler, roteiro de Girdler em parceria com Gordon Cornell Layne e participação de Carol Speed e William “Blackula” Marshal.  

Abby Williams, uma conselheira matrimonial (interpretada por Carol Speed) é possuída por um demônio da luxúria libertado pelo seu sogro, o Bispo Garnet Williams (William Marshall), um exorcista que detonava o capeta na África. Depois de possuída e tocar o inferno nos Estados Unidos a única esperança da pobre Abby é que o sogrão volte para casa, junto com seu filho e um policial para realizar um exorcismo africano sobre ela para retirar de seu corpo puro (?) a sanha do demônio.

Apesar de ser considerado um dos blackxploitation mais podres do mundo, Abby é estupidamente divertido. A velocidade da trama é muito “over-the-top” em alguns pontos, mas tudo funciona como deveria funcionar.  O diretor William Girdler desperdiça pouco tempo (o filme tem apenas 85 minutos), mas entrega alguns bons momentos como quando a entidade é lançada pela primeira vez em uma caverna e quando ela entra na casa dos Williams. E como era de se esperar a Warner Bros. aparentemente processou a AIP (American International Productions) por plágio, impedindo o filme de ser exibido em alguns cinemas na época. Depois que o filme foi retirado, nunca mais a AIP conseguiu colocá-lo novamente em circulação, mesmo após as questões legais serem resolvidas. E a praga da WB permanece até hoje com o filme de W. Girdler estacionado numa coluna Cult sem nunca ter sido legalmente liberado para televisão ou vídeo. Em minha opinião eu achei uma puta sacanagem porque, fora a ideia de exibir uma garota possuída de boca suja, existe muito pouco do romance de William P. Blatty nesta pérola blackxploitation e eu duvido muito que a Warner Bros. detenha os direitos autorais sobre todos os filmes cujo tema seja possessão demoníaca.

De acordo com o próprio romancista do livro, o escritor William Peter Blatty, que estava no set de filmagens de Abby "o diretor William Girdler estava apenas tentando fazer uma versão diferente de O Exorcista e eu não tinha visto problema algum nisto". O que eu não entendo foi se Blatty disse que o filme de Girdler era inofensivo e serviria como uma espécie de “homenagem” ao Exorcista por que então correu atrás da Warner Bros. para processar o pobre Girdler? (se bem que até hoje ele ainda discorda disso!)

De qualquer forma, Abby não deixa de ser um espetáculo à parte. Assim como a sua parceira branquela, esta possuída afro(disíaca) não decepciona quando o assunto são palavrões, coisas (e até pessoas!) voando, uma onda de tesão incontrolável ao tomar banho ou desossar um frango, rasgar as roupas e falar obscenidades aos amigos e diferente de Linda Blair, esta senhorita encapetada não desperdiça sua libido em objetos inanimados, preferindo um bacanal em um bar cheio de homens banhados no álcool e no vício. A atuação dos negões no boteco é impagável...

Por mais que toda a nata diga que Abby seja um plágio de “O Exorcista” eu acredito  que a cópia seria mesmo do Evil Dead de Raimi tanto pela atuação da sapeca Carol Speed quanto pela voz de Bob Holt, que me divertiu durante toda a sua aparição como o “eshu”.


Título: Abby
Ano: 1974
País: EUA
Direção: William Girdler
Roteiro: William Girdler, Gordon Cornell Layne
Duração: 89 min.
Elenco:
William Marshall (Bispo Garnet Williams)
Terry Carter (Reverendo Emmett Williams)
Austin Stoker (Detetive Cass Potter)
Carol Speed (Abby Williams)
Juanita Moore (Miranda 'Mama' Potter)
Charles Kissinger (Dr. Hennings)
Elliott Moffitt (Russell Lang)
Nathan Cook (Tafa Hassan)
Nancy Lee Owens (Sra. Wiggins)
Claude Fulkerson (Benny)
William P. Bradford (Dr. Rogers)
Bob Holt (voz do Demônio)

Suicide Girls Must Die - 2010

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

Porn Shoot Massacre - 2009

Provavelmente um dos filmes mais tôscos que já assisti na vida. Peça totalmente amadora que a indústria pornô pôde fazer, mas mesmo asim é infinitamente melhor do que a bagaceira promoter intitulada Suicide Girls Must Die. O filme começa com uma música de piano simples onde uma jovem tomando um banho lembra descaradamente uma das vinhetas do Canal Playboy (e daí?...eu assisto o Canal Playboy mesmo!!!). A espuma do sabonete escorre pelo corpo sensual da morena, com especial atenção para os peitões que poderiam fazer uma maternidade inteira sentar e pedir aos berros "Qué mamá...qué mamáááá!". Ao sair do banho só há uma maneira correta de abrir um filme chamado Porn Shoot Massacre que é matar as gostosas do filme, um fato que, na minha opinião, é um desperdício de carne e fica registrada aqui a minha indignação: Porquê todos os assassinos deste estilo de filme só matam as gostosas e são vencidos/domesticados pelas fubangas? Trágico!

Bem, voltemos ao filme...

Na sinopse da trama várias estrelas do cinema pornô têm sido convidadas a se juntar ao elenco de uma produção tida como o mais novo revival da indústria pornô. O misterioso diretor usa um disfarce super cafona, mas ninguém parece se importar e as filmagens seguem tranquilas até que as sete afortunadas atrizes começam a serem perseguidas, torturadas e mortas no set de filmagens. Porn Shoot Massacre é exatamente o que seria de esperar, mas com um monte de elementos que você não pode esperar. A atuação pode ser ruim, mas a história é até interessante e a qualidade de produção é razoável. Não espere emoções demasiadamente fortes para esse filme, mas também não é de todo ruim. Você pode encontrar-se agradavelmente surpreendido em algumas de suas cenas.


Os picaretas responsáveis pela produção (Corbin Timbrook e Antonio Hernandez) deveriam estar num "perrêio" lascado ao idealizarem tal projeto. Porn Shoot Massacre não funciona tão bem como um filme de terror e é soft demais para uma produção erótica. Eu acho que eles estavam tentando criar um falso relato de uma indústria snuff, mas sem se preocupar no porquê, quando e como isso poderia acontecer. O desenvolvimento psicológico dos personagens na história que se desenrola é quase zero, pois a maioria deles que aparecem na seqüência no filme são massacrados antes de amadurecerem no melhor estilo de "Oi, tenho peitos...oh, morri!", mas temos que dar um crédito pro pobre Timbrook, afinal ele também é ator (Corbin Timbrook interpretou o caipira Billy Joe no filme Ed Gein: The Butcher of Plainfield e por isso já tem minha admiração) e chegou até a participar da série de TV Supernatural (tá, ninguém é perfeito!). Uma outra coisa digna de nota é que eles têm até um ator pornô anão que apavora a mulherada nas filmagens. Eu falei que alguns detalhes do filme iriam impressionar...


Apesar de todo seu aspecto tôsco, Porn Shoot Massacre se agarra ao espectador com o mais grudento dos enredos e os obriga a assistir a trama para saber qual o final da história (ah, e tem muita mulher pelada, o que ajuda bastante na hora de chamar a atenção). A "vítima" que for assistir os primeiros 13 minutos vai ser assolada por dúvidas durante todo o filme.


Será que alguma das gostosas pornô escapará com vida? O amor vai florescer entre a rainha do pornô e seu tímido admirador? Quem é aquele homem mascarado com uma marreta? Anões são proporcionalmente pequeno em todos os lugares do seu corpo? Todas estas e outras perguntas são respondidas no filme Porn Shoot Massacre. Agora na minha opinião o que eu gostaria de saber é se neste filme todos são realmente atrizes/atores pornô ou se eles simplesmente "fingiam transar", pois eles parecem fingir muito bem... 


Direção: Corbin Timbrook
Roteiro: Antonio Hernandez
Elenco:
Robert Ambrose ... Malfini
Naomi Cruz ... Junie
Nick Machado ... Jimmy
Shelly Martinez ...Chrissy
Liana Mendoza ... Tina
Lynette A. Nechayeva ... Beretta
Kasey Poteet ... Missy

Exists - 2014


Exists é uma produção independente escrita por Jamie Nash (de Seventh Moon, Lovelly Moly e do segmento "A Ride in the Park" do filme V/H/S/2 ) e dirigida por Eduardo Sánchez (de The Blair Witch Project,  Seventh  Moon, Altered e A Ride in the Park).  A trama conta a história de cinco amigos que decidem passar um fim de semana no Texas Big Thicket. Mas o que todos acreditavam ser uma viagem sem preocupações acaba por água abaixo com um acidente repentino em uma estrada escura e deserta. Em decorrência deste acidente, uma descomunal força da natureza é desencadeada, algo não exatamente humano, mas não completamente animal - uma lenda urbana viva (e aterrorizante!) que parte em busca de vingança. 


Sim... Exists é um filme sobre o Pé-grande no formato found footage, amado por uns e odiado por outros. O longa-metragem de "cenas encontradas" tem como tema a lenda desta enigmática criatura e é estrelado por Dora Madison Burge, Samuel Davis, Roger Edwards, Chris Osborn e Denise Williamson. 

O Pé-grande (Bigfoot, Sasquatch ou Caiola - termo derivado do halkomelem - um idioma do grupo linguístico salishan, natural do sudoeste da Columbia Britânica) é descrito como uma criatura na forma de um grande macaco que vive nas regiões selvagens e remotas dos Estados Unidos e Canadá. Reivindica-se que seria um animal aparentado do Iéti tibetano (o famoso "Abominável Homem das Neves"). Relatos de pessoas que teriam visto a criatura, na maioria dos casos, descrevem um primata bípede muito alto (entre 2 a 4,5 m). Geralmente é coberto por pêlos de cor marrom escuro e seu rosto é uma mistura de gorila e ser humano. Algumas pessoas testemunham um forte odor desagradável, enquanto outras dizem que a criatura não exala cheiro algum. Existe uma teoria científica que aponta a possibilidade dessas criaturas serem descendentes diretos do Gigantopithecus, primata já extinto, maior que um gorila e que possuía dentes parecidos com os dos humanos. Seu parente vivo mais próximo é o orangotango.


O Pé-grande de Sánchez e Nash é de longe a estrela do filme. Brian Steele nos apresenta uma criatura violenta e feroz na pele do monstro e seus uivos e gritos de lamento são realmente apavorantes. Diferente de outros filmes que abordaram monstros do imaginário popular no cinema found footage como The Frankenstein Theory, Wer, The Black Water Vampire e The Pyramid, o Sasquatch de Exists não parece ter medo de aparecer, independente dos horários (diurnos ou noturnos) e arremessar os incautos nas paredes, além de destruir automóveis com árvores arrancadas pela raiz.


Mas o filme tem sim os seus erros. O found footage funciona em alguns pontos, mas é flagrantemente equivocada em outros. É de uma confusão tão grande em algumas partes que passa a sensação de que não foi escrito originalmente para algo no estilo “filmagem encontrada” e sim transformado durante o seu processo de desenvolvimento. Algumas câmeras magicamente aparecem do nada na floresta. De onde é que elas vem? Quando foi instalada? Isso não fica lógico na trama e traz o filme um pouco para baixo. 


Além de Sánchez na direção e Nash no roteiro, a produção ficou com a Haxan Films e Amber Entertainment e teve sua estréia mundial em 07 de março de 2014 nas exibições da meia-noite no festival South by Southwest (SXSW). Desde 1987 que o SXSW movimenta a cidade de Austin, no Texas. São 10 dias de música, filmes e o futuro em tecnologia. Basicamente, é um festival de filmes feitos por produtores independentes, muitos deles não ligados a estúdios, e, por isso, muitos deles estão lá, com os seus olheiros, para analisar essas produções. As próprias independentes também colocam os filmes que podem render uma boa propaganda, e, torná-los mais conhecidos. Exists foi um dos vencedores. Adquirido pela Lionsgate (a produtora da franquia Jogos Vorazes) certamente a nova experiência de terror claustrofóbico dos criadores do “found footage” chegará ao Brasil.

I Was a Teenage Werebear (Chillerama - 2011)


Chillerama é uma antologia lançada em 2011 e composta por quatro segmentos, cada um homenageando um gênero diferente. O primeiro filme chama-se Wadzilla (dirigido e escrito por Adam Rifkin), uma paródia sobre os filmes de monstros da década de 50. O segundo episódio, I Was a Teenage Werebear (dirigido e escrito por Tim Sullivan) se passa em 1962 e usa clássicos musicais como Rebel Without a Cause (Rebelde sem Causa – 1955), Grease (Nos Tempos da Brilhantina – 1978) e a saga Twilight (Crepúsculo – 2008) como pano de fundo. O terceiro é uma versão bem humorada do livro O Diário de Anne Frank chamado The Diary of Anne Frankenstein e foi dirigido e escrito por Adam Green. O último segmento chama-se Zom-B-Movie, que tira um sarro dos filmes de zumbis. Foi escrito e dirigido por Joe Lynch. De acordo com Adam Rifkin e Tim Sullivan a ideia original era de produzir uma antologia chamada Famous Monsters of Filmland, baseada na revista homônima editada por Forrest J. Ackerman. Primeiro eles vieram com nomes e mock-up cartazes para cada um dos mini-recursos: The Diary of Anne Frankenstein (1940), I Was a Teenage Vampire (1950), Zombie Drive-In (1960) e Werewolf of Alcatraz (1970). Infelizmente o acordo com a revista Famous Monsters caiu completamente assim que foi lançada uma série na MTV semanal apresentada por Gene Simmons, da banda KISS, de modo que o projeto foi arquivado.


Alguns anos depois, Rifkin e Sullivan se reuniram com os diretores Adam Green e Joe Lynch no Rainbow Bar and Grill e a ideia ressurgiu. Logo, o quarteto decidiu realizar o projeto Chillerama como um filme de produção independente pela Pictures Ariescope (estúdio de Adam Green), servindo como sede das operações. Devido a restrições orçamentais Werewolf of Alcatraz foi substituído por Wadzilla; I Was a Teenage Vampire foi alterado para I Was a Teenage Werebear a mando de Joe Lynch; Zombie Drive-In tornou-se Zom-B-Movie, e uma quinta produção chamada Deathication foi adicionada a sequência no drive-in para os telespectadores fakes.

Como os lobos estão reinando neste mês resolvi fazer uma pequena resenha sobre o segundo segmento do projeto Chillerama intitulado, I Was a Teenage Werebear.


I Was a Teenage Werebear é uma paródia-musical de Rebel Without a Cause, Grease e da Saga Crepúsculo. Situa-se no ano de 1962 e é sobre um garoto chamado Ricky O’Reily, que, relutante em “sair do armário”, acaba se apaixonando por um misterioso bad boy de Malibu High’s chamado Talon (Anton Troy) e num momento “caliente” descobre ser portador de um mal ancestral escondido em seus genes; o estigma dos Lobisursos!

Este segmento foi escrito e dirigido por Tim Sullivan. Tim, que é assumidamente gay, incluíu muito material da cultura GLS no episódio. A própria palavra “urso” é uma gíria utilizada para identificar homens corpulentos e peludos na comunidade gay. O ator gay e porn-star Sean Paul Lockhart (também conhecido como Brent Corrigan e Fox Ryder) foi escalado para o papel principal e também temos a presença do ícone pornô Ron Jeremy (Playbear).


Curiosidades

• O ator designado para ser o treinador Tuffman desistiu no último minuto, então o escritor/diretor Tim Sullivan assumiu o papel.

• O nome da banda fictícia que realiza no baile (liderado por Robbie Vinton) é Big Toe and The Jam.

• O escritor/diretor Tim Sullivan teve alguns problemas ao mostrar o roteiro para os atores porque incluía uma cena de estupro num vestiário.

• Em muitas de suas cenas, Adam Robitel teve que improvisar.

• Por causa do cronograma da produção, os atores tiveram que sincronizar seu canto com as gravações do compositor Patrick Copeland. As canções então foram re-dubladas somente depois da conclusão das filmagens.

• O filme deveria ser sido todo filmado em uma escola, mas isso se revelou um custo proibitivo, então a produção foi transferida para a praia.

• Os atores que interpretaram os “werebears” usaram suas próprias roupas para interpretar seus personagens.

• Conforme o script original, Ricky deveria matar Talon. O escritor/diretor Tim Sullivan decidiu que o par seria necessário para ter um momento final, então ele perguntou aos atores Sean Paul Lockhart e Anton Troy para re-escreverem o final da cena. Ironicamente, foi nesse momento que fechou a versão oficial do segmento que foi destaque em Chillerama (2011).

Niku Daruma - 1998

Escrito e dirigido por Tamakichi (Anal) Anaru, Niku Daruma (cuja tradução seria algo como “boneca de carne”) é um dos mais doentios filmes que já tive o “prazer” de assistir. Lançado em vídeo no ano de 1998 com o nome estadunidense de Tumbling Doll of Flesh, o filme é mostrado quase inteiramente através de uma câmera estacionária e uma handcam, bastante utilizada em filmagens caseiras. Na trama conhecemos uma mulher chamada Kana (Kanako Ooba) e um homem chamado Kiku (Kikurin), ambos contratados para estrelar um filme pornô amador para a indústria de entretenimento adulto em vídeo. Tudo vai às mil maravilhas nas filmagens, mas enquanto o pornô progride o diretor (Tamakichi Anaru) e o cameraman (Yuuji Kitano) decidem incorporar elementos de BDSM, como bandagem nos seios, penetrações múltiplas com consolos, cera quente, flagelação e até um enema. Desconfortável com a forma em que o filme caminha a atriz decide abandonar as filmagens, o que leva a equipe a imobilizar a garota, dopando-a e a amarrando na cama. O que vem a seguir é um carrossel de violência misógina brutal e explícita…
Enquanto Kiku estupra a garota semiconsciente, o diretor amputa a perna esquerda de Kana com um cutelo, enquanto mutila sua língua com uma faca, um descascador de batatas e uma tesoura para fazê-la parar de gritar. Quando Kana finalmente desmaia de dor os “produtores” ainda injetam drogas para acordá-la e mantê-la consciente durante o resto das filmagens. Então ela tem seus membros amputados em pleno ato sexual enquanto Kiku é direcionado pelo diretor a ter relações sexuais com as feridas e entranhas da vítima. Atormentado pela cena dantesca, Kiku acelera os movimentos em sua “performance” e ejacula um jato de sêmen carregado de sangue nos seios da garota. Quando menos se espera é golpeado com um cutelo na cabeça pelo diretor e, após ser castrado recebe alguns closes do cinegrafista que continua a filmar os corpos mutilados de suas duas estrelas enquanto o diretor telefona para os “clientes” sobre como e onde será a entrega do material.
Apesar de alguns erros básicos (que ocorrem normalmente nas produções underground em geral), Niku Daruma foi referido como “um dos materiais cinematográficos mais doentes já filmados” pela The Movies Made Me Do It, o que lhe deu um nove em cada dez, apenas criticando alguns dos efeitos especiais. A Severed Cinema disse que “a maior parte deste filme é muito chato, mas ao mesmo tempo em que se faltava enredo e conteúdo com certeza compensavam seu valor em choque e sangue“.
Em suma, Niku Daruma é, sem dúvida, a mais perturbadora e enjoada experiência de cinema extremo que você terá. Sem blá-blá-blá e confetes não têm quaisquer características redentoras discerníveis que sejam. Cru, violento e claustrofóbico, não possui nenhuma pretensão de ser nada além do que ele é; um deleite obsceno para os espíritos inquietos.

Razorback - 1984


Razorback é uma pérola australiana de 1984, baseado no romance de Peter Brennan. Foi escrito por Everett De Roche, e dirigido por Russell Mulcahy (que viria a fazer os dois primeiros da trilogia Highlander). A trama gira em torno das aventuras de um monstruoso javali aterrorizando o interior da Austrália, matando, devorando e destruindo tudo o que via pela frente.

Dois anos depois de uma criança local ser atacada pelo monstro, Beth Winters, uma repórter da vida selvagem, viaja ao interior do país para documentar a caça ilegal de animais selvagens na Austrália com o intuito de serem processados e usados como ração, mas é atacada por dois caçadores que a deixam para ser morta pela besta. Com o desaparecimento repentino da repórter, seu marido Carl parte em busca de respostas e nem todos os pesadelos do mundo poderiam lhe alertar sobre o perigo (humano e animal) que o aguarda…

Sobre a Produção

No início da década de 80 o australiano Russell Mulchay havia se estabelecido como um dos principais diretores de videoclipes do mundo. Ele queria partir para outros horizontes, mas naquele momento só tinha sido oferecido musicais – uma sequência de Flashdance (que nunca foi realizada!) e Space Riders (que ele não queria fazer). Em agosto de 1982 foi-lhe oferecido um esquema para participar das gravações de Razorback e aceitou o trabalho. Mulcahy disse que o produtor Hal McElroy ofereceu-lhe a chance de dirigi-lo depois de ver o seu desempenho como diretor no vídeo da música “Hungry Like The Wolf“, da banda Duran Duran e de certa forma o talento “videoclipístico” de Mulcahy pode ser amplamente visível nas primeiras cenas que antecedem o título de abertura do filme. Curioso? Então clique aqui para tirar suas conclusões…

Uma outra curiosidade sobre a produção. Um modelo animatrônico do javali gigante, em tamanho real, foi construído a um custo de US $250.000 e visto por apenas alguns segundos no decorrer do filme.
Razorback foi filmado principalmente nas imediações de Broken Hill e arrecadou $801,000 nas bilheterias da Austrália. O filme foi lançado (na Austrália) pela Umbrella Entertainment em 21 de setembro de 2005 e foi apresentado em 2.40:1 Widescreen, incluindo uma trilha sonora Dolby Digital 5.1 e a trilha sonora original 2.0. Algumas das características especiais incluem um featurette de 70 minutos intitulado “Jaws On Trotters“, uma entrevista em áudio com o ator Gregory Harrison, quatro cenas deletadas da versão VHS com muito sangue extra, uma galeria de fotos e um trailer original, além de dois trailers extras para Roadgames e The Chain Reaction.

Razorback também recebeu um lançamento limitado nos cinemas dos EUA pela Warner Bros, em novembro de 1984 e arrecadou 150.140 dólares em bilheteria. Mais tarde foi lançado nos Estados Unidos pela Warner Home Video em 2009, como parte da Warner Archive Collection.

Reazione a Catena aka A Bay of Blood - 1971


Sem sombra de dúvidas, A Bay of Blood (Reazione a Catena, 1971) é uma das produções de Mario Bava que mais me cativam. Na trama, uma Condessa milionária é assassinada pelo seu marido por causa de sua propriedade, mas este é morto logo em seguida por um assassino desconhecido. Como é de praxe, os familiares se digladiam como hienas por causa da herança enquanto inicia-se um massacre sangrento. E tudo se complica ainda mais quando um grupo de “jovens desajustados” resolve acampar nas redondezas.
Como sempre, Bava fez o máximo ao utilizar-se de recursos limitados. A Bay of Blood não tem a potência arrebatadora de, por exemplo, Black Sunday, Kill, Baby, Kill ou Beyond the Door Pt.2 mas, no entanto, tem tudo para ser um dos maiores filmes “slasher” de todos os tempos. Uma outra curiosidade da produção é que este filme foi estúpidamente “chupinhado” por Sean S. Cunningham no filme Friday the 13th Part 2 (1980) que, erroneamente, é citado como uma obra que aproveitou a esteira do sucesso de Halloween, de John Carpenter (1978). 
Bom... eu poderia ficar por aqui falando dos aspectos técnicos da produção, sobre a atuação calendoscópica das câmeras e sobre a sutil melancolia que baixa sobre alguns dos protagonistas, mas aí isto seria apenas mais uma crítica então decidi apresentar algumas curiosidades acerca da produção deste que é o padrinho dos filmes Slasher...

CURIOSIDADES SOBRE “A BAY OF BLOOD”

  • Consta que esta produção tem mais títulos alternativos do que qualquer outro filme, mas os mais curiosos são: Twitch of the Death Nerve, The Last House on the Left: Part II, Ecology of a Crime e o meu preferido, O Sexo na Sua Forma Mais Violenta, que só poderia ter sido criado no Brasil...

  • Dario Argento gostou tanto do filme que pediu a um amigo que era projecionista para roubar-lhe uma cópia do filme durante sua primeira exposição na Itália. O cinema acabou tendo que exibir Hatchet for the Honeymoon (1970) para substituir o filme roubado. Ele possui o filme até hoje.

  • As locações da filmagem não tinham árvores, então Mario Bava as criou através de galhos de árvores distribuídos pelo local para passar pelas tomadas de câmera. De acordo com Laura Betti, a “gambiarra” ficou tão insólita que parte da produção e do elenco não conseguia segurar o riso.

  • Muitas vezes considerado o filme mais influente de Mario Bava A Bay of Blood também é considerado como o precursor do gênero slasher.

  • Mario Bava sugeriu pessoalmente o título Twitch of the Death Nerve para o lançamento americano depois de ouvir que estava sendo comercializado como uma sequência. O filme então foi lançado em ambos os títulos.

  • Mario Bava lamentou profundamente quando teve que filmar a cena em que um inseto é pregado vivo.

  • Um dos títulos para o re-lançamento deste filme The Last House on the Left: Part II, embora este filme não tenha nada a ver com o homônimo The Last House on the Left (1972). Na verdade, A Bay of Blood foi feito um ano antes do filme de Wes Craven.

  • O filme Friday the 13th Part 2 (1981) copia descaradamente dois assassinatos deste filme. Os locais de ambos os filmes são absurdamente semelhantes.

  • Federico Fellini comentou uma vez que ele escreveu um roteiro para um filme de terror a pedido de um conhecido que lhe deu um script com várias representações de assassinatos, mas não um fio de história para conectá-los. Muitos acreditam que foi Mario Bava a quem ele estava se referindo, em particular este filme.

  • Quando Christopher Lee viu pela primeira vez teria sido tão revoltado com o nível de violência explícita que deixou o teatro em protesto.

  • Devido ao baixo orçamento do filme, a maioria das locações pertencia ao diretor Mario Bava ou a membros da equipe. Os interiores da casa onde a Condessa Federica foi baleada são de uma das casas favoritas de Bava e as cenas filmadas no interior da casa de Frank Ventura foram produzidas em uma casa de veraneio de propriedade do produtor do filme.

  • Para driblar os problemas gerados pelo baixo orçamento do filme, Mario Bava decidiu ser seu próprio cineasta.

  • A Bay of Blood é o trabalho preferido de Mario Bava entre todos os filmes que ele já produziu.

  • Em 2005, a revista Total Film nomeou A Bay of Blood como um dos 50 melhores filmes de terror de todos os tempos.

  • O filme não só teve inúmeros títulos de lançamento, mas também vários títulos de trabalho em toda a produção. Entre eles, Odore di carne (The Odor of Flesh), Cosi imparano a fare i cattivi (Thus do we live to be evil), Antefatto (Before the Fact), Ecologia del delitto (The Ecology of Crime),  Reazione a Catena (Chain Reaction) e somente depois do seu relançamento foi batizado como Bahia di Sangre (Bay of Blood).

  • Dizem que o real motivo da origem do filme era o desejo de Mario Bava em trabalhar com Laura Betti novamente. Betti havia aparecido anteriormente em Hatchet for the Honeymoon (1970) e os dois se davam tão bem que inventaram a premissa deste filme para que pudessem realizar outro projeto juntos.

  • Para garantir o máximo de realismo ao retratar os 13 assassinatos diferentes, Mario Bava insistiu que Carlo Rambaldi fosse contratado para fornecer os efeitos especiais de maquiagem.




Finalizando este artigo segue uma publicação da Fangoria onde Tim Lucas escreveu 13 anos depois de lançamento nos cinemas do filme que “A Bay of Blood desenrola-se como uma piada irônica bastante macabra; um filme que foi construído como uma armadilha inevitável para o seu próprio anti-herói ...Vista nos tempos atuais, a violência que compõe este filme permanece com uma força potente e explícita que gerou todo o alicerce do slasher contemporâneo"...

The Cloth - 2013


The Cloth é um filme de terror/suspense americano de 2013, escrito e dirigido por Justin Price, que baseou sua história num livro homônimo. No elenco encontram-se algumas figuras conhecidas como Danny Trejo e Eric Roberts além de Rachele Brooke Smith, Kyler Williett, e Steven Brand.

A trama é centrada em uma organização secreta formada pela Igreja Católica para combater os casos crescentes de possessão demoníaca em todo o país. Com a chegada do demônio Kasdeya na terra, os membros do The Cloth tem apenas sete dias para impedir a passagem do mal absoluto em nosso reino. Para interromper a chegada de Belzebu, sua missão depende de Jason (Kyler Willett), um jovem descrente e amargurado pela morte prematura de seus pais, para liderar a próxima geração de sacerdotes-guerreiros antes que o Diabo e seus exércitos façam sua moradia na Terra.
Eu só posso descrever The Cloth como um filme horrivelmente desajeitado, formado por produtores de cinema independentes desprovidos de qualquer cunho religioso real, que apenas possuem uma câmera HD e um programa iMovie.

Imaginem um filme da Asylum (conhecida por pérolas vagabundas como Mega Shark vs Giant Octopus ou o mais recente, Sharknado) completamente desprovido de humor e dinamismo. Seus personagens são ocos e sem sentido como extras do Malhação. Por incrível que pareça, The Cloth se leva a sério por todo o processo até os créditos finais. Como botar fé (desculpem a piada!) numa história onde padres vestidos com batinas feitas de couro lutam para manter o Mal fora da Terra com armas que explodem demônios como milhares de pixels? Por mais difícil que seja de acreditar, o CGI deste filme é pior do que qualquer coisa que você já viu em algum filme da Asylum ou do SyFy Channel. Posso até arriscar minha integridade como fã de filmes de horror ao assumir que as cenas de possessão demoníaca no início do filme (que não foram desordenadas com o CGI meia-boca) me passaram um bom aspecto. Quem fez a maquiagem merece alguns aplausos, pois a cena de exorcismo no início e a caracterização do demônio Nybass apresentaram uma promessa que o resto do filme não conseguiu cumprir.
Para os fãs de Danny Trejo, um aviso. Ele é destaque na capa do DVD, como se ele aparecesse em todo o filme. Esteja ciente de que este não é o caso. Sua participação equivale a cerca de 5 minutos do tempo de execução de 89 minutos do filme. Eric Roberts também é apontado como um dos principais atores. Ele interpreta um padre traíra e também figura em talvez 5 minutos de tempo de tela também. Algo como cerejas verdadeiras num cupcake de loja de 1 Real…

E se você que não pode ficar pior… O DVD oficial de The Cloth ainda vem recheado de extras. Eu tenho certeza que ninguém vai se importar com isso depois de assistir esta tranqueira, mas vamos lá. Há dois featurettes intitulados “Making of ‘The Cloth” e “As Armas de The Cloth“. Takes excluídos e cenas alternativas também são encontradas e por final somos abençoados com um vídeo musical para a canção “Hell and Back” também. Um prato cheio para os fiéis que se amarram nesta onda de sofrimento e punição.

Finalizando, The Cloth não tem absolutamente nenhuma qualidade redentora. É uma tentativa aleatória de combinar os elementos de filmes como Constantine e Fim dos Dias com efeitos decadentes, atuações precárias e tatuagens de chicletes. Espero (com a ajuda de Deus) que Danny Trejo e Eric Roberts tenham sido bem pagos para justificar a perda de seu tempo e talento nessa tentativa “Playstation 1” de se realizar um filme de ação cristão.

The Cloth foi lançado diretamente para vídeo em 2 de julho de 2013. 

AMÉM!!!

Fábulas Negras: a prata da casa do cinema brasileiro


“Dizer que o horror é raro no cinema brasileiro é uma afirmação que, sozinha, quase nada significa. Afinal, filma-se pouco no Brasil – e exibe-se menos ainda. Então, só é possível dizer que o gênero é menos expressivo numericamente se compararmos sua expressão com a de outros gêneros. Nesse caso, o resultado é revelador: em 2002, Antonio Leão da Silva Neto, em seu Dicionário de filmes brasileiros, contabilizava que, até o começo daquele ano, 3.415 filmes de longa-metragem haviam sido finalizados no Brasil e, dentre eles, apenas duas dezenas eram classificadas pelo autor como sendo de horror ou de terror – em sua maioria, obras de Mojica. Só a título de comparação, o gênero policial, por vezes próximo do horror por seu caráter violento, era identificado no mesmo dicionário em mais de 250 obras.”

Utilizando de base este ensaio da colega Laura, dou inicio a esta pequena matéria sobre um dos cineastas mais ativos no underground brasileiro; Rodrigo Aragão e suas Fábulas Negras. Capixaba nascido em janeiro de 1977, Rodrigo Aragão dirige seus filmes a partir de Guarapari, onde mora desde criancinha. Filho de um ex-mágico que também foi dono de cinema foi criado ao redor de truques e maquiagens. O estalo de que aquilo poderia ser o seu futuro veio cedo. Aos sete anos viu um documentário sobre o filme O Império Contra-Ataca. Estava lá tudo o que mais gostava: cinema e efeitos especiais, mesmo que não tivesse bem idéia do que significava. Era a década de 1980, quando chega às telas o cult The Evil Dead (A Morte do Demônio, 1981), clássico do terror que terminou por fazer sua cabeça. Desde então maquiagem e truques cênicos nunca tinham sido tão importantes na hora de se assustar alguém.

O laboratório onde este cientista maluco realiza suas experiências macabras encontra-se numa pequeníssima aldeia de pescadores em Guarapari, no litoral do Espírito Santo, chamada Perocão. É um lugar de sol, maresia e botecos regionais que, regularmente, são abatidos pelas “loucuras sangrentas” deste monstrólogo incurável. Em 2005 alguns vizinhos decidiram apostar em seu doido preferido financiando o curta-metragem Chupa-Cabras, que abriu caminho para que o estranho rapaz do mangue se transformasse no mais novo difusor do cinema de horror nacional. Chupa-Cabras foi produzido com apenas R$ 300 e ganhou prêmios em diversos festivais. Graças à massiva disseminação pela internet, o curta-metragem virou um hit em todo o país entre os fãs de splatter e abriu caminho (de acordo com o diretor) para a produção do seu primeiro longa-metragem, o gosmento e divertido Mangue Negro (2008).
Fora das telas, Rodrigo Aragão também atuou no espetáculo intinerante Mausoleum (2000), produziu efeitos especiais e maquiagem cênica em peças de teatro e ainda realiza oficinas em quase todo o território nacional. Mesmo se entregando de corpo e alma à sua arte, o diretor capixaba assume seu descontentamento com a falta de interesse do mercado brasileiro. “Aqui, o mercado não me dá espaço. Corri atrás de 20 distribuidoras, oferecendo meus filmes, topando até que fossem direto para DVD. Mas o preconceito contra quem faz cinema de gênero, sobretudo o terror, é grande. Faço filmes baratos, sem edital, e tenho reconhecimento no exterior. Mas as vias oficiais não me abrem portas”,

Mar Negro, o terceiro filme da canibalesca saga produzida pela Fábulas Negras Produções Artísticas (e o primeiro a ser exibido em circuíto comercial) estreiou em casa, no Espírito Santo, no dia 17 de janeiro, mas outros estados também receberão a visita dos “mud zombies” de Perocão como o Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís, Belo Horizonte e Salvador.

CONHEÇA A TRILOGIA CAPIXABA DA FÁBULAS NEGRAS

Título: Mangue Negro 
Ano: 2008
País: Brasil
Direção: Rodrigo Aragão
Roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Ricardo Araújo, Marcelo Castanheira, Kika de Oliveira, Walderrama dos Santos, Markus Konká, André Lobo, Antônio Lâmego, Maurício Ribeiro, Reginaldo Secundo, Julio Tigre.

Sinopse: Certo dia, em uma comunidade de pescadores e catadores tão pobre quanto fora do tempo, a natureza resolve mostrar seu lado macabro. Do manguezal de onde sai o mísero sustento emergem zumbis canibais. Ninguém sabe o que causa a “contaminação”. O que importa é fugir e sobreviver para fugir de novo. A cada mordida, pais, amigos e irmãos se transformam em criaturas abomináveis. Diante de um horror que não recua nem com a claridade do dia, que não poupa sequer peixes e crustáceos, um sobrevivente relutante e amedrontado se descobre hábil com o machado e péssimo na hora de se declarar para a morena que faz seu coração bater.

Pontos positivos: Mangue Negro foi o primeiro longa-metragem de Rodrigo Aragão, e custou em torno de R$ 70 mil. Os efeitos especiais e a maquiagem ficaram por conta do próprio diretor. Em uma entrevista, o diretor afirmou que foi autodidata e aprendeu as técnicas assistindo seus filmes preferidos e seus extras. O resultado deste estudo de campo lhe valeu o prêmio de efeitos especiais e direção em vários festivais. Mangue Negro recebeu o "Prêmio Audiência do Rojo Sangre", na Argentina, e fez parte da seleção oficial do "Sci Fi London" na Inglaterra.

Pontos negativos: Mangue Negro é um filme lindo por excelência. Mesmo sendo vitimado por ameaças sobrenaturais transmite toda a ingenuidade e garra do morador ilhéu. Os únicos pontos negativos (em minha humilde posição de espectador e fã de filmes de horror) foram as vozes dos personagens Seu Valdê (que achei jovial demais para o personagem) e a da mãe cega da Kika, a Dna. Alba. 


Título: A Noite do Chupacabras
Ano: 2011
País: Brasil
Direção: Rodrigo Aragão
Roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Mayra Alarcón, Ricardo Araújo, Petter Baiestorf, Joel Caetano, Jorgemar de Oliveira, Kika de Oliveira, Walderrama dos Santos, Margareth Galvão, Markus Konká, Eduardo Moraes, Fonzo Squizzo, Alzir Vaillant, Cristian Verardi, Milena Zacché.

Sinopse: Um jovem casal retorna para a sua terra de origem, no interior do Espírito Santo. Quando chegam lá, Douglas reencontra os parentes transtornados pela misteriosa morte dos animais da fazenda, principalmente, porque acende uma antiga rixa entre famílias que acreditam tratar-se apenas de uma vingança pessoal. Mas um dos patriarcas acredita que algo mais sinistro está escondido entre as matas e a guerra entre os humanos vai encontrar um inimigo a altura, o Chupa Cabras, disposto a passar por cima de tudo para se alimentar do sangue de suas vítimas, não importando a qual família ela pertença.

Pontos positivos: Depois do relativo sucesso de Mangue Negro no circuito independente nacional e internacional, o diretor Rodrigo Aragão trabalhou na construção de seu mais novo pesadelo, A Noite dos Chupacabras. Este segundo filme é mais visceral que o seu antecessor. A trama deixou um pouco de lado o senso de humor oitentista de Rodrigo Aragão (visívelmente notado em Mangue Negro) para dar espaço a um nível técnico mais incrementado de filmagem e um roteiro mais complexo sobre uma briga territorial entre duas famílias, os Silva e os Carvalho. Apesar do título o verdadeiro monstro do filme e causa real de todo o banho de sangue recorrente não é a criatura (interpretada pelo magnífico Walderrama dos Santos) e sim o próprio Homem e sua ganância e sede de vingança. Destaque para a interpretação de Petter Baiestorf no papel de Ivan Carvalho e Margareth Galvão, como a Matriarca dos Carvalho.

Pontos negativos: A Noite do Chupacabras tinha tudo para ser um filme 100% aprovado. A única “mancha” desta obra-prima foi a integração do humor na cena da briga do bar, onde após comerem algumas porções de carne infectada, os Carvalho iniciam uma comédia no estilo pastelão onde saem vomitando em tudo e todos.


Título: Mar Negro
Ano: 2013
País: Brasil
Direção: Rodrigo Aragão
Roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Mayra Alarcón, Carol Aragão, Ricardo Araújo, Petter Baiestorf, Ana Carolina Braga, Alexandre Brunoro, Joel Caetano, Kika de Oliveira, Roberta Mesquita Dias, Walderrama dos Santos, Diego Fernandes, Gisele Ferran, Tiago Ferri, Margareth Galvão, Gurcius Gewdner, Markus Konká, Foca Magalhães, Hermann Pidner, Leandro Sherman, Coffin Souza, Fonzo Squizzo, Agustín Tapia, María Laura Umaña, Alzir Vaillant, Cristian Verardi,Ernesto Valverde Villalobos, Milena Zacché, Mariana Zani e Marcelo Castanheira.

Sinopse: Uma estranha contaminação atinge uma pequena vila de pescadores. Quando peixes e crustáceos se transformam em horrendas criaturas transmissoras de morte e destruição, o solitário Albino luta pelo grande amor da sua vida, arriscando a própria alma numa desesperada fuga pela sobrevivência.

Pontos positivos: Mar Negro é uma crítica à extração do petróleo sem consciência ambiental. Assim como seus outros dois filmes compõe uma analogia de horror sobre o desrespeito à ecologia de uma região e seus arredores, que abrangem praia, mangue e montanhas. Neste último episódio da trilogia, Rodrigo Aragão e sua equipe deram um show de técnica, compensada pela excelente iluminação, direção de fotografia e direção de arte. Além das surpresas criadas pelo nosso monstrólogo de plantão (que não vou citar por aqui pra não quebrar o suspense!) que vão deixar os espectadores com um cão pulguento atrás da orelha o filme também conta com outras novidades como as espetaculares atuações de Cristian Verard, Marcos Konká e Mayra Alarcón (que jurei de pé junto que estava dublando alguma cantora na cena da boate). Outras cenas memoráveis também ficaram a cargo da atuação dos personagens políticos interpretados por Coffin Souza e Joel Caetano (que deveriam ter sido mais explorados) e da primeira cena de nu da trilogia feita pela estonteante Kika Oliveira como a personagem Indiara, o amor platônico de Albino (Walderrama dos Santos).

Pontos negativos: Não consegui notar uma trama principal como foi elaborada em Mangue Negro (onde Luiz leva um filme inteiro para se declarar ao seu amor) ou em A Noite do Chupacabras (onde o foco principal é a batalha entre duas famílias para acertarem algumas contas do passado). O longa-metragem tem várias tramas paralelas como fio condutor que deixa o espectador meio confuso. Não fica claro se o alicerce da história é sobre o caso dos pescadores que encontram uma sereia (Baiacu-Sereia), o dos frequentadores de um bordel na noite de sua inauguração ou se é sobre a investida amorosa do Albino. Com este excesso de elementos, Rodrigo Aragão acabou desenvolvendo uma narrativa difícil de acompanhar, apesar de extremamente divertida de assistir.

Santa Claws - 1996


Aqui está um filme de terror absolutamente esquecível. Apesar da originalidade do nome (o Claus originário do nome do bom Noel é substituído pela palavra “claws”, que traduzido do inglês significa “garras”), esta produção ficou um tanto distante tanto no elogio ao feriado quanto nos elementos de horror. O filme é escrito e dirigido por John A. Russo, que, junto de George Romero, foi um dos diretores do clássico Night of the Living Dead. Santa Claws também traz como carro-chefe a atriz canadense preferida da Troma, Debbie Rochon, como… bem, como ela mesma. Ela interpreta Raven Quinn, uma Scream Queen que, junto com outras garotas, se prepara para trabalhar em um novo filme que resolve apostar na sensualidade das “rainhas do grito” utilizando-se da temática de um feriado de Natal.

Ao que parece ela acabou chamando a atenção de Wayne (
Grant Cramer), um fã obcecado (e muito próximo!) da atriz. O histórico de Wayne traz uma infância traumatizada. Wayne perdeu seu pai quando ainda era muito jovem e nunca se recuperou. Num certo dia o garoto encontra sua mãe transando com um homem vestido de Papai Noel e assassina os dois com a arma do seu pai. Como resultado deste surto edipiano passa a maior parte da infância em um reformatório…
Pelo pequeno release já deu pra notar que a originalidade não foi um dos fortes de John Russo que, ao que parece, optou por encaixar um Papai Noel em uma história já existente com o intuito de encaminhar esta arapuca cinematográfica para exposição em um feriado natalino. Bem, ao menos o atormentado Wayne se parece com um assassino natalino, não é?

Hmmm, não.

Quando o vemos pela primeira vez, Wayne está abrindo um pacote com um busto (
não este busto que está pensando e sim um daqueles itens colecionáveis) da atriz. Nesta cena, o reconhecemos como um psicopata não-funcional que cobiça a scream queen. Ele tem todo um altar dedicado a Raven (claramente um tributo ao filme Friday the 13th – Part 2, onde Jason Voorhees reverencia a cabeça decepada de sua mãe). Ao lado do altar está um manequim com todos os apetrechos do maníaco como se ele já preenchesse o cargo de psicopata há alguns anos. No kit está um blusão de inverno, uma toca ninja e como a arma do crime (pasmem!), um pequeno garfo de jardinagem. Numa mudança de tomada vamos então encontrar Raven e descobrimos que ela está distante de seu marido (que trabalha como fotógrafo em outra cidade e, vez ou outra come algumas modelos) e tem duas pequenas filhas pré-adolescentes pra criar. Ela precisa de uma babá enquanto se prepara para encontrar S. William Hinzman, o diretor do filme, interpretado por Bill Hinzman, o primeiro zumbi a aparecer no filme Night of the Living Dead. Pode até ser bobeira minha, mas ao assistir este filme (que não existe com legendas em português, então me perdoem se eu cometer algum deslize) notei certa “carona profissional” utilizada por John A. Russo à respeito de ser um dos cabeças (muitas vezes não creditado!) na produção do clássico zumbi de Romero e isto se torna muito claro quando vemos que todos os camarins do estúdio onde Raven Quinn e as outras scream queens trabalham possuem quadros com os pôsteres do filme Night of the Living Dead. Até o próprio Russo faz uma ponta no filme como um detetive que investiga a morte das garotas.
Voltando à história, Raven Quinn precisava de uma babá e com centenas de mulheres pela cidade para contratar ela resolve escolher o vizinho como protetor de suas filhas. A julgar por suas brincadeiras, Raven e o psicopata parecem ser amigos de longa data e de repente, Wayne é um amigo calmo, bom e racional que escuta com atenção todas as picuinhas matrimoniais da atriz.Bem, é sabido que as barbaridades cometidas pelos filmes B são inúmeras e talvez seja por isso que sejam tão divertidos de assistir, mas cadê o Papai Noel assassino do título? A descrição do IMDB diz o seguinte: “agora pensando que ele é Papai Noel, o homem desenvolve uma obsessão com uma estrela de filmes de terror erótico chamada Raven e começa a persegui-la.". Hey… algo está errado! Wayne nunca achou que ele era o Papai Noel. Numa passagem muito mal explicada ele resolve se vestir como o bom velhinho apenas para poder entrar disfarçado no estúdio (seu plano é magnífico, pois ninguém iria desconfiar de um Papai Noel com uma fantasia pintada de spray preto!!!!), mas nenhuma referência ao seu trauma de infância é citada desde os primeiros minutos do filme deixando a escolha do assassino Noel um tanto confusa.
Como sempre, Debbie Rochon fez um ótimo trabalho e ela estava tão sexy como sempre. Em certos momentos parecia que ela estava realmente se divertindo ao interpretar uma versão fictícia de si mesma. Mas de resto, todo o elenco soou muito superficial, mas com um roteiro criado como se fosse uma colcha de retalhos eles não tiveram muito o que trabalhar. A trama, como você pode imaginar, é bastante fácil de seguir, mas há buracos e inconsistências na trama que fica realmente difícil chegar ao final deste filme e somente os verdadeiros fãs de bagaceiras teriam coragem de ler os créditos finais desta bagunça.

Como um filme de horror, Santa Claws é um fracasso total, com um assassino cujas motivações são completamente inconsistentes e o restante da película só é motivada por eventuais cenas de nudez. Como um filme de temática comercial natalina também é um tremendo abacaxi e entre tantas outras porcarias lançadas em vídeo esta vai ser uma que você não querer pedir para o Papai Noel.