Mostrando postagens com marcador Marcos Almeida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcos Almeida. Mostrar todas as postagens

Cannibal Holocaust: barbáries e atrocidades em película


Cannibal Holocaust  é um dos filmes mais polêmicos produzidos em 1979. O detalhe deste filme em particular, bastante chocante são as cenas filmadas onde os atores estão matando alguns animais de verdade na justificativa de que estes seriam servidos posteriormente como alimentos. Boa parte do Filme registra exatamente isso e na sequencia resgata de forma cinematográfica costumes indígenas nunca antes mostrados em Filme algum desta natureza. O mesmo horror causado pelo Homem Civilizado ao indígena e provado por estes em um segundo momento do Filme quando os opressores se tornam vitimas do mundo selvagem, um detalhe curioso e que de fato o Diretor desta obra se propôs em fazer um filme de Canibalismo e Atrocidades, ele conseguiu de fato muito mais do que isso, pois inovou o Cinema com a pioneira ideia de mostrar na Pelicula com os atores com Cameras Filmando também e registrando tudo que viam pela frente, desde cenas picantes de Erotismo até mesmo idiotices comuns que as pessoas fazem em frente de uma Camera de vídeo. Atualmente Filmes como A Bruxa de Blair e Rec entre outros não aqui citados seguiram esta influencia ainda que sem citar essa referencia ao pioneiro Ruggero Deodato, pois o bom filme de terror precisa passar exatamente esta idéia de que tudo é verdadeiro no Filme e que o horror é real. 
Em Cannibal Holocaust um Professor e Antropologo está com alguns auxiliares em uma expedição de resgate  de um grupo de jovens que sumiram nas matas selvagens da América do Sul, a medida que adentram na mata vão se deparando com vestígios de coisas terríveis que acontecerem com a passagens dos jovens desaparecidos. No desfecho desta expedição vão encontrando evidências de que ninguém sobreviveu ao cruel destino reservado aos profanadores do Paraiso intocado por Homens civilizados. Ao encontrarem as ossadas e a Camera contendo as películas Filmadas dos mesmos foi possível compreender a dimensão das atrocidades cometidas na desastrosa aventura dos jovens que sem nenhum prévio conhecimento sobre Ciências Naturais , adentraram em uma Mata Selvagen apenas com o intuito de se divertirem com o exótico e o pictoresco da America do Sul. As Cenas de Canibalismo e Antropofagia desta obra muito bem Filmada encontrou a perfeição na abordagem do mestre Italiano que também usou atores Italianos maquiados e indigenas de verdade de tribos além de cenários realistas para dar aquele caráter assombroso a obra por se tratar de uma película de terror . 
Canibal Holocausto foi proibido nos E.U.A e até no Brasil e não foi por menos pois o filme é realmente indigesto para quem não come muita carne como Eu, tem cenas chocantes empalações Humanas e trucidações de animais de verdade como Tartarugas, Macacos, Porco do Mato etc! Não pensem os senhores que esse filme passou desapercebido de autoridades e das leis, ao contrário, o Diretor Roggero Deodato foi processado e condenado a quatro anos de cadeia além das despesas judiciais altíssimas com uma serie infinita de parafernálhas de recursos dos quais os advogados tiveram que recorrer para defendê-lo, a fama de má reputação do Diretor se espalhou pela Itália e pelo Mundo e ele ficou sem Trabalho por um longo período. Jornalistas da imprensa não deram tréguas ao Diretor que foi infernizado com telefonemas incansáveis no intuito de intimá-lo a dar esclarecimentos de sua obra horripilante de horror. Quando pesquisei sobre este filme encontrei um relato curioso do próprio diretor que achei proveitoso para expôr neste artigo, confiram: "Eu Mesmo assisti o filme na casa do  grande amigo Sergio Leone e ele me disse com suas palavras, querido Roggero que filmão! A segunda parte dele é uma obra prima do realismo Cinematográfico , mas tudo parece tão real que eu acho que esse filme vai de fato lhe trazer alguns problemas por todo o mundo..." Dito e feito !!! Ruggero Deodato estreiou seu Filme na Colômbia, país onde foi rodado a maior parte das Filmagens. Em Bogotá a agitação foi total , a fama do Filme e do Diretor se espalhou  rapidamente e logo toda a Europa só comentava sobre o agressivo Filme de Canibalismo. 
É estranho , parece ate que aqueles jornalistas e os críticos em geral nunca leram ou estudaram absolutamente nada de Hans Staden ou Jean de Brie ou de outros viajantes Europeus que adentravam nas Américas e se deparavam com tribos de Canibais Ferozes como e o caso dos Tupinambás, no Brasil por exemplo, muito bem documentado em qualquer livro mediano de História! Mas o polêmico Filme entrou para a História do Cinema definitivamente , indigesto ou não, Cannibal Holocaust é um filme para se ver com reservas e prudência, tem limite de censura em idade, mas é uma obra de Arte peculiar, agressiva e critica ao mesmo tempo, pois se formos levar em conta, a Maldita imprensa usa e abusa de imagens e reportagens de Violência e Atrocidades todos os dias mostrando coisas terríveis e desumanas de extremo potencial ofensivo, com muito sangue e covardias sem limites e nunca ninguém entrou com processos judiciais contra estes sorrateiros velhacos que construíram fortunas e Impérios com o lucro gerado das desgraças da Humanidade, expostas em horário nobre em megas redes de televisão e imprensa. Antes de finalizar este artigo destaco que a trilha sonora desta obra e tao fascinante quanto as imagens apresentadas e digno de nota e de apreciação as musicas compostas exclusivamente para a película aos encargos do compositor Riz Ortolani. Pois então, chega de ficar somente no Facebook e vamos la aproveitar nosso precioso tempo para assistir esse Filmaço de Horror do maestro Ruggero Deodato.

Clockwork Orange (Laranja Mecânica - 1971)

“Loucura é achar que podemos viver num mundo sem violência” - Stanley Kubrick

Laranja Mecânica foi mais uma destas geniais obras literárias que acabaram definitivamente assegurando imortalidade nas telas do cinema, e foi o grande Anthony Burgess o escritor do homônimo livro que mais tarde ganhou forte popularidade ao ser projetado como filme pelo diretor de cinema Stanley Kubrick, que morreu no dia 7 de março de 1999. Mas sua morte como a morte de todo aquele que cria e trabalha com arte seja esta qual for, não canta a sua miserável vitória porque foi a arte quem foi a vencedora! E aqui se fez valer aquela frase do poeta Augusto dos Anjos, "Oh! Morte, contra a arte, em vão teu ódio exercês!", ou aquela outra do sábio Leonardo da Vinci, "Tudo morre no homem, menos na sua arte."

Stanley Kubrick morreu, mas seus trabalhos como diretor de cinema, sua visão criadora e dinâmica ultrapassou sua própria essência, e esta brilha cada vez mais e daqui para frente com maior intensidade rumo ao infinito. E as novas gerações irão futuramente deparar-se com alguns de seus filmes e exclamar: “Genial! Magnífico! Impressionante de se ver!”

Laranja Mecânica é hoje muito mais que uma obra literária graças à Stanley Kubrick, mas Laranja Mecânica é também muito mais que um filme, é um cult graças aos punks e skinheads dos anos 70, que transformaram quase todas aquelas imagens de ultra-violência em realidade. O filme foi lançado em 1971, mas logo após seu lançamento, foi expressamente proibido devido não só às impressionantes cenas de ultra-violência e estupro, mas também pela forte ideologia política que o mesmo continha, e nesta época era classificado como um “filme de forte influência para alguns jovens”, e isto era muito perigoso... E realmente foi!

Imediatamente os primeiros grupos de jovens que conseguiram assistir ao filme passaram a espelhar-se naquelas cenas e transportá-las para a vida real, que em nenhum momento era menos real que o filme. Os subúrbios de Londres, repletos de skinheads e punks, tomaram o filme como culto sagrado. E aquela espécie de “moda” bootboy com elegância podia ser vista em muitos pontos onde eles encontravam-se. Os skinheads podiam então serem vistos trajando roupas brancas e botas pretas e o chapéu-coco, pondo em prática o “Horror Show” em alguns locais lembrando porém que neste caso se trata de uma ramificação do skinhead no estilo “droogs” do filme e não o movimento como um todo. Diria que algumas gangues skins eram mais familiares a este tipo de atitude que as outras, coisas dos anos 70...

Mas se o filme Laranja Mecânica foi proibido, como foi que aqueles jovens foram tão fortemente influenciados pela obra? Acontece que foram tiradas cópias piratas desta obra, ainda que de péssima qualidade e estas eram então muito bem apreciadas. Mas se analisarmos hoje este filme, veremos que aquelas atitudes daqueles “droogs” das cenas, são normais em comparação com as chacinas e os crimes que todos os dias banham o subúrbio com mar de sangue, e aqui trata-se de realidade do dia-a-dia de todos nós. É ver a vida...

A estrela principal do filme foi muito bem escolhida, e o talento para “papel de mal e perverso” foi dado ao ator Malcolm McDowell, aquele que nasceu para reencarnar das cinzas do grandioso império romano, o grande imperador Calígula das telas do cinema. Isto mesmo: Calígula! O mesmo ator! Porém, em Laranja Mecânica, Malcolm McDowell faz o papel de um líder “droog” de nome Alex The Large. Seu visual “droog” consiste numa maquiagem no rosto, roupas brancas, blusa e calças, coturnos de cor preta, bengala estilete, chapéu côco, estilo Charles Chaplin. Alto e bem encorpado, ele é bom de briga e chegado em estuprar mulheres. Mas esta figura possui um lado nobre, vejam os senhores, ele gosta de música clássica! Em especial o grande Luduvig Van Beethoven, que aliás é a trilha sonora do filme inteiro. E sobre o ritmo de sinfonias clássicas rolam as principais cenas do filme. Os seus companheiros também possuem o mesmo visual agressivo e tem quase as mesmas atitudes, costumam beber copos de leite misturados com alguma coisa numa cantiva exótica, onde as mesas e cadeiras tem formato de mulheres nuas.

Não vou ficar descrevendo todas as excelentes cenas do filme ou contar o filme todo. Mas em poucas palavras, Alex mata uma mulher, vai preso, e lá na cadeia ele opta por um novo tratamento psicológico contra o impulso da violência em todas as suas faces. Ele é então levado a um sanatório especial onde é obrigado a ver vários filmes de ultra violência, sobre o efeito de uma droga que é nele injetada. Seus olhos ficam adaptados a um bizarro aparelho que os prende e os mantém abertos, mesmo contra a vontade. Então ele, após todos os exames, passa a se regenerar e sentir náuseas e vômitos seguidos de dor, toda vez que voltar a praticar ou sequer pensar em praticar atos de violência e estupro.

O filme é extenso, cerca de 138 minutos de duração, e é inútil descrever seus detalhes de modo que encheria linhas sobre linhas e não conseguiria atingir completamente os detalhes e a grandeza da obra, é necessário ver! Assistir o filme para perceber o universo estranho de beleza e emoção seguido de um “certo terror”, sim porque não dá um “certo terror” ver uma cena de violência explícita?  

O filme Laranja Mecânica é muito bem conceituado no mundo underground e a influência passou para a música, que espelhando na filosofia e no visual do filme, criou um ritmo excelente de se ouvir! Surgiram bandas, a maioria de skinheads, com nomes como Blitz, The Oppressed, The Warriors, Last Resort, entre outras. Mas a mais popular, cultuada inclusive pelos punks, foi a banda The Adicts, que radicalmente se vestem como os “droogs” do filme.

Claramente podemos ver como a obra de Anthony Burgess criou mais vigor e poder através do prisma cinematográfico de Stanley Kubrick e daí passou para as ruas, encarnou nas gangues dos anos 70, influenciou bandas de punk rock e skinheads, etc... Existe também o lado “político ideológico” do filme, mas prefiro falar do lado mais rueiro pois este está muito mais perto de nós que o outro.

Muito bem, vamos assistir Laranja Mecânica que a gente ganha muito mais vendo uma imagem de cinema do que só ouvindo falar nela...

Os inimigos de Roma

 Esse artigo foi publicado originalmente no fanzine “Juvenatrix” # 65 (Agosto/2002)

“Não foram externas as causas da derrocada do Império Romano. De há muito o Império não era o mesmo, quando se fragmentou, não foi subitamente, no embate com força poderosa. A invasão dos bárbaros nada fez senão explicitar um longo processo.” – Max Weber – do declínio da cultura antiga

Quando o cinema foi inventado, uma das grandes preocupações dos produtores e diretores de filmes era em resgatar todos os aspectos das culturas antigas em seus épicos. A grande arte ficava assim comprometida em reproduzir em imagens com movimento todas as façanhas do mundo antigo. Quem teve oportunidade de ter assistido o clássico “No Tempo dos Faraós” poderá concordar com minha afirmação. Quanto a mim, recordo-me vagamente do filme por já fazer mais de 20 anos de sua projeção na TV, pelo menos foi a última vez que assisti. O filme mostrava o Império do Egito e a construção de uma grande pirâmide para guardar futuramente a múmia do faraó.

No final do filme, com o sepultamento do faraó, enormes blocos de pedra deslizavam-se por túneis inclinados rompendo vários vasos de cerâmica que uma vez quebrados abriam compartimentos por onde se escoava areia fina do deserto para definitivamente lacrar a pirâmide junto com os que haviam sepultado o faraó, com todos os seus bens e tesouros.

O filme resgatou todos os detalhes que dedicados arqueólogos e historiadores haviam pesquisados sobre o Egito Antigo, afinal todos os bons filmes épicos que tem as suas temáticas voltadas para civilizações antigas precisam impreterivelmente contratar de imediato bons historiadores e arqueólogos capazes de reconstruir através de seus aprofundados estudos, as bases para um bom filme antigo!

O cinema produziu uma enorme quantidade de épicos a saber: “Júlio César”, “Os Dez Mandamentos”, “Sansão e Dalila”, “Davi e Golias”, “O Rei dos Reis”, “Quo-Vadis”, “A Queda do Império Romano”, “Barrabás”, “Ben Hur”, “Demétrio e os Gladiadores”, “Espartácus”, “O Egípcio”, e tantos outros que preencheriam inúmeras folhas descrevendo somente nomes de filmes. Assistindo a uma quantidade significativa destes filmes por várias vezes, pude então identificar minuciosamente todos os inimigos de Roma Antiga.

Por incrível que pareça, muitos dos inimigos não fazem parte daquele contingente antigo de rancorosos conspiradores, mas sim alguns dos próprios produtores dos filmes!

Sempre adorei os filmes de Hollywood, mas somente de uns tempos para cá é que pude fazer minhas comparações e estudos sobre a influência da mídia cinema e TV na mente das pessoas. Todos os filmes sobre Roma Antiga ou pelo menos alguns produzidos por Hollywood, tinham a intenção proposital de mostrar os romanos sempre como cruéis carrascos e criminosos brutais e violentos. Parece e isso é muito visível que os produtores tomaram o partido de difamar ainda mais o Império Romano e ficar do lado dos cristãos e judeus rancorosos.

Não posso negar a espetacular produção destes filmes que adoro fanaticamente, porém é este o único ponto em que estes produtores “pecaram”, em exagerar as cenas, transformando judeus e cristãos em vítimas dramáticas.

É típico da civilização cristã desprezar com veemência desde a história primitiva dos homens até sua evolução e construção de grandes civilizações, é típico e comum olhar Roma com rancor, inveja, indiferença, com ódio, com um orgulho típico de quem não quer admitir jamais a grandeza do Helenismo!

Foi exatamente neste período extremo da humanidade que houve uma desmedida inversão de valores. Apollo, divindade soberba de luz, beleza, equilíbrio, liberdade, limpidez, artes, perfeição humana, graça, vigor, foi substituído por uma típica cena de derrota individual muito comum em Roma pagã. A crucificação! Um pregador típico, surrado, escarnecido, condenado ao flagelo e martírio da cruz, passou a ser o Deus mais venerado no lugar do elegante Apollo Helênico!!!
No filme “Quo-Vadis”, que aprecio fanaticamente, encontrei um ponto forçoso na sua projeção, e foi um amigo que comentou a respeito. José Salles observou uma cena onde Marcus Vinícius, que era um general de tropas romanas vitoriosas, quando este que, antes era um bom romano pagão, passa a pedir para “Jesus” salvar e dar forças aos cristãos que estão sendo penalizados no Coliseu!   

Também a imagem do Imperador Nero ficou comprometida, mostrando um Nero doente, débil, crudelíssimo, repetindo assim o erro histórico fruto da vitória do cristianismo apenas.
A produção da maioria destes filmes era impecável, o cenário perfeito, reproduzindo minuciosamente templos romanos, palácios luxuosos, jardins fenomenais com fontes, estátuas e plantas exóticas, dançarinas muito sensuais e belas, bigas velozes, mas bastava colocar na boca de um personagem cristão uma só palavra contrária que tudo aquilo “sumia” imediatamente. Somente a moral cristã prevalecia nestes filmes!

O ideal pagão ficou muito comprometido em algumas películas de Hollywood. Isto não ocorreu com as produções italianas de épicos, e bastaria fazer os comparativos, vide “Hércules, o Conquistador”, “Sansão e o Tesouro do Rei”, “A Ira de Aquiles”, “O Colosso de Roma”, entre outros, que pelo contrário, buscaram resgatar e valorizar a cultura pagã antiga há muito perdida.
Estes pequenos detalhes passam despercebidos pela maioria dos espectadores e eu não sou um crítico de cinema para ficar apontando eventuais erros de produção, mas se a minha opinião valesse, com certeza eu iria em poucas palavras denunciar a corrupção do cristianismo dentro da cultura antiga, que foi a mais nobre de toda a humanidade e não aquela feita por brutais e desumanos carrascos como muitos filmes tentaram mostrar.

Os inimigos de Roma ainda são muitos, mas para estes, existia uma lei na antiga Roma que fazia qualquer conspirador ladrão, assassino, criminoso, rancoroso, cristão, zelota, invejoso, rebelde, descontente, os por se assim dizer “comunistas da época” tremerem para valer, o martírio da crucificação ou comida para leões...

Dracula 3D


Dracula de Bran Stoker  ganhou mais uma adaptação para o Cinema e desta vez foi  o diretor italiano Dario Argento quem arriscou a empreitada para representar o "Rei dos Não-Mortos". Dario e velho conhecido do cinema de terror italiano, veterano do estilo Giallo, um tipo peculiar de filme que mistura sangue, violência e umas pitadinhas de sexo mas de forma bem discreta. A obra e uma das mais adaptadas para o cinema e já foram feitos quase todas as abordagens e adaptações possíveis e imagináveis, mas como Dracula é um fenômeno único naquilo que representa, nunca é possível de  esgotar-se as formas de como podemos interpretar essa obra.
Dario Argentum apostou nisso e parece que o resultado foi um filme cheio de simbolismos ocultos do Vampirismo com aquele suspense  típico das películas do mestre italiano.  Quase todos os seus  outros filmes possuem  esta  mesma característica, a sequência de suspense quase arrebatadora que sempre culmina em uma cena mais violenta .  Achei que esse Dracula parece um pouco com o adaptado por Copolla em alguns aspectos. Por exemplo, na maneira de como o vampiro se transforma em outros seres e o que também achei inédito foi ter mostrado que o Vampiro pode muito bem se transformar também em uma coruja (a coruja é o Simbolo de Lilith, a Mãe de todos os vampiros). Outra coisa interessante no Dracula de Dario Argento foi a vestimenta do vampiro totalmente inspirado no Nosferatu de Murnau. O Castelo bem escolhido com cenários medievais completou a obra e deu uma dinâmica justa naquela cena tradicional descrita por Bram Stoker em que Dracula anda como uma lagartixa sobre as paredes de pedra da Torre de um arruinado castelo encravado no cume de um grande abismo.
Não é necessário descrever o filme cena por cena, pois eu sempre acho cansativo e além disso os que ainda não viram o mesmo perdem o encanto de assistir. As adaptações de Dracula não fogem muito a regra e quase todos que adoram e curtem filmes de vampiros já devem ter lido pelo menos uma vez na vida o Livro Dracula. Eu mesmo tenho o costume de ver  inúmeras vezes o mesmo filme. O problema é que nem sempre o tempo está ajustado para essa empreitada devido à outras tarefas do meu dia-a-dia.
Recentemente  o cinema mundial seja ele alternativo, underground ou tradicional vem readaptando muitas obras e personagens de terror, como O Lobisomem, Elizabeth Bathory, Dorian Gray, Frankenstein, Alienígenas e Zumbis, além de muitos outros e Dracula  não poderia passar sem ser readaptado com os recursos maravilhosos do Cinema Contemporâneo  e seus  meios tecnológicos perfeitos  para recriar cenários e efeitos visuais muito exitantes ao gosto de cada expectador.  Dario Argento apostou nestes novos efeitos visuais e destes recursos  e  conseguiu fazer um filme diferente, quebrando um pouco aquele tabu de que seus filmes tem por obrigação de serem sempre do mesmo jeito. O Rei dos Desmortos ganhou um novo semblante, jovial e alinhado ao estilo Matrix: urbano, violento, aristocrático e sanguinário como devem ser  todos os vampiros. Acho que o Mestre acertou em cheio em deixar para a posteridade uma película dirigida por ele com a marca inapagável da Historia do Cinema e da Literatura do Vampiro Imortal, Conde Dracula, imagem grotesca de um personagem vivo, notívago e imortal.   

Fantomas - 1974



Sem dúvida nenhuma, Fantomas (aka Ogon Bato/Fantaman - 1974) foi um dos melhores desenhos feitos para ser exibido em seriados na televisão, mas o maior impacto mesmo é a figura sinistra do guerreiro que surge como um espectro sobrevoando os céus com sua capa sempre esvoaçando ao vento. Sob uma atmosfera típica dos próprios episódios, Fantomas aparece gargalhando como um ser sobrenatural para enfrentar o seu pior inimigo, o Dr. Zero, um cientista louco que quer dominar o mundo, e para isso ele usa de todas as artimanhas da ciência futurística com recursos bem modernos voltados para o domínio absoluto do poder mundial.

Fantomas apareceu em 1947 no mangá assinado por Takeo Nagamatsu. Antes, em uma espécie de teatro de ilustrações chamado kami-shibai, uma diversão popular no pós-guerra. Além da versão de Nagamatsu, ouve uma outra, assinada pelo mestre Osamu Tezuka. O herói é um esqueleto envolto em uma capa com golas altas que lembra muito a capa dos vampiros dos filmes antigos de horror. Em uma de suas mãos Fantomas segura sempre uma clava ou bastão como arma para enfrentar seus oponentes. Contracenando, surge ainda o assistente do Dr. Zero, conhecido como Gorgo, que também possui um visual bastante exótico, típico de um criminoso frio, trajando um casaco alaranjado com golas também levantadas. A torre do Dr. Zero é uma espécie de nave móvel, onde o mesmo refugia-se para traçar seus planos secretos contra o bem da humanidade em geral.

A série Fantomas é povoada de monstros e criaturas bizarras que surgem em cada capítulo dando um estilo original e independente um do outro. Quando o espectador assiste a cada episódio, mergulha num mundo repleto de curiosidades, voltadas para a ciência na maioria das vezes. Robôs gigantes, homens mecânicos, ciborgues, monstros espaciais ou aquáticos, espectros, tudo está manipulado pelo Dr. Zero para conquistar o mundo.

Surge então como representante do bem, um outro cientista, o Dr. Still, que também é rival do Dr. Zero e de Gorgo, e fazem parte ainda do time do bem, um rapaz de nome Terry, uma garota chamada Marie Müller e um bonachão com o nome de Gabi. Bons tempos eram aqueles quando alguma emissora de televisão exibia pérolas tão preciosas que divertiam a todos sem distinção. Fantomas não foi um desenho feito só para crianças assistirem, mas para gente de todas as idades.

A agressividade do desenho animado não estava relacionado com as armas e as lutas, mas com o impacto dos próprios personagens que tinham uma postura superior a muito lixo exibido hoje em dia por aí afora. O próprio Dr. Zero é um ser bizarro, com quatro olhos e metade do seu corpo é mecânico. Possui uma voz sinistra e uma das suas mãos lembra-nos as mãos daquele famoso robô do Dr. Smith na série de TV da década de 60, Perdidos no Espaço, pois são dois ganchos afiados que se unem para segurar uma arma, por exemplo.

Considerando a qualidade desse desenho em comparação com estes modernos atuais e contemporâneos americanos, a diferença é infinita. Não pode-se nem comparar uma coisa com outra, pois seria uma ofensa grave e imperdoável. Fantomas pertenceu a uma geração e a um período na história, sendo assim, cabe aos colecionadores adquirir alguns capítulos para apreciação. Seria talvez um contracenso exibir novamente Fantomas na televisão, pois as novas gerações talvez não compreenderiam a grandeza e a qualidade excepcional desta obra maravilhosa que um dia brilhou na televisão, povoando a imaginação de todos nós que tivemos o privilégio de pertencer a este período de glória dos seriados e desenhos da TV. 
No Brasil, foram feitas duas dublagens pela Cine Castro. Na primeira, ainda com as películas de 16 mm em branco e preto, chamaram o desenho de Fantomas; isso no final dos anos 60. Quando a TV colorida chegou por aqui, no início dos anos 70, novas cópias do desenho foram adquiridas e redubladas, pela mesma equipe de dublagem da Cine Castro que havia efetuado a primeira dublagem, porém, inexplicavelmente, chamaram o desenho de Fantaman - O Guerreiro da Justiça.

O desenho Fantomas ganhou nomes variados ao redor do mundo. Nos EUA, foi chamado de Golden Bat, na Itália Fantomas, no Japão Ogon Bato, na Austrália Phantoma, entre outros.
“Nosferatu é uma palavra moderna derivada da palavra em eslavo antigo Nosufur-atu, extraída do grego Nosophoros, Portador de Pragas.”  -  O Livro dos Vampiros, de J. Gordon Melton

Quando o escritor irlandês Bram Stoker publicou no ano de 1897 seu livro Dracula, talvez não pudesse imaginar o tamanho em proporções que sua obra iria adquirir no futuro com a invenção do cinema. Foram feitas mais de cem versões sobre o vampiro mais cruel de que se tem registro, com a imagem medonha de um ser malígno que se alimenta de sangue humano, levanta-se de seu insalubre sepulcro ao cair as “trevas no céu pesadamente” (como dizia Anthero de Quental), e depois retorna ao mesmo local ao ouvir o cantar do galo, como indício de que o dia vai nascer.
Dentre estes horripilantes filmes sobre vampiros, “Nosferatu” (1922) parece ser o primeiro, destacando-se dos outros por arrepiantes cenas rodadas em branco e preto, dando à obra um caráter de profunda fantasmagoria e pesadelo, onde o vampiro Conde Orlok surge da escuridão em um visual agressivo e bizarro como o protótipo ser anti-social, com seu semblante sinistro que lembra uma medonha figura que traz a própria morte encarnada em si mesmo. Pestilento e doentio, Nosferatu tem os dentes em forma de duas pontas juntas como a de um rato roedor, usa um casaco preto como um gótico moderno de vida noturna, além de unhas pontiagudas e cabeça sem um só fio de cabelo. Magro e alto, esta figura horrível traz o horror encarnado assustando até o mais cético mortal.

O filme invoca em suas imagens trêmulas, as exóticas paisagens da Alemanha que muito se aproxima em beleza exuberante das regiões desconhecidas da Romênia, a antiga Transilvânia onde viveu na Idade Média o Drácula histórico, Vlad Tepes.
Neste pitoresco cenário, o diretor F. W. Murnau encontrou todos os ingredientes básicos que invocam o vampirismo, montanhas, florestas densas, riachos, pontes, capelas, castelos em ruínas, aldeões ciganos, lobos, carruagens e, é claro, o talento de Max Schreck, que faz o papel do vampiro Nosferatu. E desta forma, a primeira versão para o cinema da obra de Bram Stoker revive todas aquelas imagens do horror de Dracula contidas nas páginas do livro.

Quem for assistir Nosferatu na esperança de ver cenas fortes de violência e sangue num exagero aloprado e até ridículo, caracterizado pela idiotice da ideologia americana, vai com certeza ficar decepcionado, afinal Nosferatu é uma obra do expressionismo alemão e assim o caráter do horror dá-se num clima de sonhos maus e pesadelos, culminando numa peste maligna que arrasta todos para uma grande mortandade, e tudo envolto numa atmosfera gótica e nevoenta, onde é o inconsciente quem vai ser despertado para uma realidade mais subjetiva que objetiva.

O enredo do filme é simples, baseado no livro “Dracula”, com algumas modificações de nomes e locais apenas, e isso devido talvez por não terem pago corretamente os direitos autorais à viúva de Bram Stoker, que teria entrado com um recurso na justiça para a destruição das cópias do filme caso não fossem pagos os direitos autorais. Para a nossa sorte, algumas cópias do filme sobreviveram a esta polêmica e hoje podemos mergulhar dentro destas imagens e captar o verdadeiro horror que “Nosferatu” causa no espectador.

Nosferatu é o “não morto”, o morto vivo, um vampiro que nada tem de galã e sedutor, pois é corcunda e de aspecto decadente. Ele penetra na civilização do Homem como uma maldição, vindo de longe, navegando em uma escuna, um velho barco onde os tripulantes são todos mortos. Nosferatu bebe o sangue deles e transmite a peste negra a todos. Milhares de ratos acompanham o vampiro, fazendo uma alusão também à maior mancha de horror ocorrida na Idade Média na Europa: a Peste Negra.
No decorrer do filme, o amor - aleijão da humanidade - entra em cena e o vampiro é atingido não com uma estaca no coração, mas com a imagem ideal de uma mulher jovem e bela, aquela que ele havia visto o retrato no camafeu do corretor de imóveis que ele fez prisioneiro em seu castelo.

Esta imagem ideal, fruto de uma visão de poeta, é para o vampiro um martírio que o atormenta, e ele deixa-se prender em seus braços macios de seda. A bela mulher convence-o a ficar com ela desfrutando os “beijos de fogo” da volúpia e do sangue. Assim, o dia vai clareando, despontam os primeiros raios do sol, a aurora segue a aurora, canta o galo mensageiro de Apollo e Nosferatu, embriagado com o sabor do sangue doce da bela jovem e impregnado de uma luxúria sexual, ele esquece que tem que voltar para o sepulcro.  Então, logo ele é destruído pela luz do sol convertendo-se em um monte de poeira. Enganado e seduzido por uma “mulher ideal”, encontrou seu aniquilamento! Assim a peste também acaba e os habitantes libertam-se do mal.

Vale a pena ver “Nosferatu” um clássico expressionista do cinema de horror alemão, e desta forma mergulhar acordado em um dos mais medonhos pesadelos da criação humana.

Nosferatu – Uma Sinfonia de Pesadelos ao Luar (Nosferatu – Eine Symphonie des Grauens, Alemanha, 1922, mudo, preto e Branco, 72 minutos). Direção de F. W. Murnau. Roteiro de Henrik Galeen. Fotografia de Fritz Arno Wagner e Gunther Krampf. Direção de Arte de Albin Grau. Elenco: Max Schreck (Conde Orlok), Alexander Granach, Greta Schroder-Matray, Gustav von Waggenheim, G. H. Schnell, Ruth Landshoff. Lançado em vídeo no Brasil pela Continental. 

N.E.: Em 1979 foi filmada uma outra versão chamada “Nosferatu, The Vampyre” (Alemanha / França), com direção, produção e roteiro de Werner Herzog, e estrelado por Klaus Kinski como o vampiro, e Isabelle Adjani como a sua vítima. Durante a década de 20 foram filmados alguns filmes mudos que, ao lado de “Nosferatu”, entraram para a história do cinema fantástico. “O Gabinete do Dr. Caligari”, “Fausto”, “O Corcunda de Notre Dame”, “O Fantasma da Ópera” e “Metrópolis” são obras primas que merecem ser revistas sempre, e que estão disponíveis em nosso mercado de vídeo, lançadas pela Continental.

Seu nome era Vlad Tepes

Publicado originalmente no fanzine Juvenatrix 42 Data: Março de 2000
 
"Quem na guerra observar com maior vigilância as intenções do inimigo, e mais exercitar seu exército, correrá menos perigo, e terá maior probabilidade de vitória" - Nicolau Maquiavel.

Se por acaso algum de nós formos pesquisar sobre os principais tiranos da história, com absoluta certeza iremos depararmos com nomes bastante significativos para o nosso empreendimento um tanto sinistro. A nossa primeira investida nas páginas da história nos transportará através do tempo em épocas e períodos manchados de sangue. Devemos levar em conta, porém, que nem tudo que se ouviu dizer é verídico ao passo que muitos autores exageraram ao descrever os acontecimentos.

Um exemplo deste "erro histórico" ocorreu em cima da memória do Imperador Nero, que é sempre lembrado como "tirano", "cruel", "incendiário de Roma", etc. Desta forma Nero é sempre visto como um imperador maldito. Mas antes mesmo destes "títulos", sabe-se hoje através de fontes confiáveis que Nero era um homem de cultura, admirador dos gregos e dedicado divulgador da Arte Helênica. Foi um grande estadista e além de imperador era músico, cantor, poeta, ator, escritor e homem de grandes ideais!

Quanto às barbáries ocorridas no seu reinado, de fato também ocorreram muitas, entre crimes, crucificações, piras humanas, orgias regadas à vinho, depravações sexuais, etc. Mas não é sobre Nero que irei aprofundar o assunto pois o título deste artigo diz respeito a um outro personagem da história conhecido por Vlad Tepes, nascido no ano de 1431 da era cristã, filho legítimo de Vlad Dracul.

"Dracul" significa "Dragão", uma tradução um pouco complicada do romeno que pode também significar "o diabo". A palavra em seu original é "Drac", oriunda de uma antiga ordem ou irmandade cristã que tinha como um dos objetivos principais combater a ferro e fogo os turcos. Nota-se aqui uma minúscula contradição, uma ordem cristã que traduzida entoa "o diabo" ou "dragão", um nobre símbolo que também é mais oriental que romano.

Nota-se também o caráter bélico-militar da ordem com objetivo de "guerra santa", uma espécie de cruzada, pois todos os grandes governantes europeus estavam de prontidão contra os inimigos dos cristãos. Aqui, cristãos eram todos os que não fossem islamitas ou pagãos, povos com outras crenças e costumes. E a Europa toda se denominava cristã por uma questão político-econômica bem definida onde como já sabemos o povo mais humilde, os camponeses e os trabalhadores em geral, eram quem sustentavam todos os feudos europeus que usavam a religião para manipular e abusar da boa fé dos mais desfavorecidos.

Vlad Tepes nasceu na antiga Transilvania e a palavra "Tepes" foi uma espécie de apelido que ele ganhou mais tarde na vida adulta, que significa "empalador", devido ao seu radicalismo sádico com seus inimigos. Vlad será então sempre associado como um príncipe tirano, cruel e muito mal. Aqui novamente é evocado somente o lado perverso de Vlad Tepes, sendo que ele foi um príncipe justo que lutou a favor de seu povo, porém seu radicalismo assusta! Poderia voltar na sua árvore genealógica e evocar nomes de figuras muito curiosas descendentes de diversas raças européias de guerreiros e povos bárbaros. Os antigos romanos chamavam de bárbaros a todos os povos nômades, "selvagens", que não tinham uma cultura refinada herdada pelos gregos. Entre estas diversas tribos destacam-se os vândalos, ostrogodos, visigodos, burgúndios, anglo-saxões, hunos, árabes, mongóis, entre a diversidade de outras tribos. Os antepassados de Vlad Tepes Drácula vinham da Valáquia, uma província romena localizada mais ao sul da Europa Central, e se formos traçar no papel o confuso torvelinho de todas estas raças européias, um nome surgirá como o próprio nome do diabo, Átila! O rei dos hunos, e uma frase deste grande líder pode ainda ser lida para podermos entender seu temperamento guerreiro, "A estrela cai, a terra treme, eu sou o martelo do mundo e a erva não cresce mais por onde o meu cavalo tiver passado!"

Podemos apenas imaginar como alguns dos antepassados de Vlad Tepes Drácula agia em seu próprio tempo onde o aço, o ferro, o fogo, o sangue e o ódio eram os ingredientes básicos da realidade medieval por estas terras tão selvagens. O contexto histórico que culmina em Drácula é tão complexo que somente ele preencheria um novo artigo, mas tomemos um atalho para mergulharmos nos relatos de horror do século XV onde surge um Drácula real, muito diferente daquele do cinema, se bem que o Drácula cinematográfico é uma sombra do Drácula histórico devido à generalidade de um escritor irlândes chamado Bram Stoker, bastante citado nos meus artigos.

"Gela-me o sangue quando sopra o sinistro Haraverus alta noite quando eu, mergulhado no silêncio da minha solidão cismo em seu personagem... e como um louco sinto-me no dever e obrigação de pronunciar seu nome! Inspiro-me na sombra maléfica de Drácula e vejo diante de mim todos os seus inimigos visíveis e ocultos, cismo, e meu espírito mergulha no pesadelo:  

Ah! Se eu pudesse empalar meus inimigos, em estacas pontiagudas de madeira. Sepultá-los vivos em seus jazigos, para que tiritem na hora derradeira! De Vlad Drácula sou espelho fiel e contra o mundo lutarei, minha espada de ódio e fel será para eles o testamento!"

Sim! Às vezes componho versos simplificados, longe de esperar glória, escrevo para preencher o tempo... Mas o espectro de Drácula ainda assombra-me, tento compreender o temperamento e a personalidade deste homem, mas é em vão! Ele é sinistro demais para nossa limitada compreensão e o mal tem um aspecto diverso.

Muitos relatos foram escritos a seu respeito, um deles editador por Ambrosiu Huber no ano de 1499 na cidade alemã de Nuremberg. Descreve coisas horrendas e assustadoras onde um homem, mais conhecido como Drácula, o Calamitoso, empalou um número considerável de seres humanos. O método de empalar consiste em atravessar o indivíduo com uma enorme lança pontiaguda feita na maioria das vezes com dois ou três metros de comprimento. Desta forma a empalação tornou-se uma das mortes mais cruéis equipara somente à crucificação. Isto é, se não exceder-se a este outro método de morte. A crucificação também tem seu lado horrendo, e Cristo deve Ter sofrido o diabo quando ficou dependurado na cruz do calvário junto a dois ladrões, pois a morte demora e o sangue escoa lentamente...

Em alguns casos a empalação produz uma morte imediata no indivíduo. Em outros o indivíduo agoniza lentamente e o sofrimento é absoluto!

Observando uma xilogravura que já foi rara, mas hoje é muito conhecida por vários estudiosos no assunto, pois foi publicada no livro "Em busca de Drácula e outros vampiros", dos autores Raymond T. McNally e Radu Florescu, esta sempre horrenda imagem surge como um autêntico documento de época. Tentarei descrevê-la para melhor entendermos a questão:

Bem ao fundo, pequenas montanhas, arbustos e árvores, logo em seguida a imagem de uma fortificação militar ou castelo medieval cheio de janelas e torres como pontos de observação sobre os invasores turcos.

Tudo isso no canto direito da parte de cima do desenho, mas mesmo antes de percebermos essa paisagem, ao lado esquerdo da ilustração existem uma quantidade enorme de espetos e lanças pontiagudas que transpassam os corpos de um número razoável de indivíduos. Todos eles mortos ou agonizando como que estupefatos pela barbaridade diabólica dos seus próprios destinos, realmente uma morte horrível. Mais abaixo deste detalhe, uma espécie de carrasco ou servo executa uma tarefa um tanto macabra para espanto dos leigos. Ele difere vários golpes com um machado em corpos mutilados e esquartejando-os em pedaços, joga a cabeça deles em um caldeirão a ferver em fogo brando. Braços, cabeças, mãos, pés, dorsos, estão espalhados pelo chão... À direita desta cena está Vlad Tepes Drácula, vestido com uma rupa típica da região. Ele parece estar sentado em frente de uma mesa de madeira forrada e bem servida com pão, vinho e carne...

Parece que Drácula fazia suas refeições assistindo a estas atrocidades com os olhos de indiferença. Alimenta-se e zombava dos inimigos condenados ao martírio. Refletindo ainda nesta horrenda xilogravura do século XV aproximadamente, associo esta imagem a uma cena do filme "Scars of Dracula", ou "O Conde Drácula", produção da inglesa Hammer Films estrelando Christopher Lee como o Conde Drácula. Em um determinado momento do filme, o servo fiel do conde, um indivíduo barbudo e cabeludo com uma cara de louco que lembra mais um lobisomem devido às grossas pestanas acima dos olhos, esquarteja o corpo de uma jovem morta a golpes de punhal pelo próprio vampiro. Os pedaços de seu belo corpo são jogados em um recipiente e o servo faz todo o serviço assobiando com um ar de indiferença, devido à já estar acostumado à rotina dessa sinistra tarefa...

Seria esta cena uma alusão à xilogravura?

Um outro filme que faz uma breve alusão do processo de empalação é em "Drácula", de 1979, estrelando Frank Langella como o Conde Drácula.

Bem no final do filme, no porão do navio Czarina Catherine, que seguia seu destino para a Romênia, Drácula luta com Abrahan Van Helsing e Jonathan Harker e na sua fúria sanguinária acaba empalando Van Helsing, que agoniza vertendo em sangue pela boca. Mas este consegue içar um gancho enorme de remoção de cargas que transpassa as costas de Drácula, que em seguida é hasteado com violência para fora do navio indo agonizar dependurado no alto do mastro de frente ao seu inimigo de morte, o sol escaldante do meio dia...

Voltemos ao Drácula da Idade Média, e mais relatos surgem ao seu respeito descrevendo-o como cruel e justo, à medida certa de um bom príncipe! Entre os relatos podemos extrair trechos sobre uma belíssima taça empalhada em ouro que fora colocada próxima de uma fonte em uma pequena praça nas proximidades de Tiagoviste. Vlad Drácula colocou-a de propósito ali para que todos pudessem beber água fresca, e por muito tempo ninguém ousou roubar a taça, tal era o temor pela justiça de Drácula. Mas certa vez, um cigano roubou a taça da fonte, este foi então capturado e após tortura cruenta ele foi esquartejado e cozido em um enorme caldeirão de ferro, depois em seguida foi servido de comida aos seus comparsas obrigando-os a comer a carne cozida do ladrão cigano que havia roubado a dita taça de ouro!

"Comam-no! Pois é assim que se faz justiça no reinado de Vlad Tepes Drácula!..."

Imaginemos só esta justiça ferrenha aqui em nosso país, quantos infelizes não seriam cozidos em panelas de ferro, a começar pela choldra de políticos canalhas que compõe todo o poder público, estenderia depois empalando os patifes que compõe os partidos de esquerda, seguindo sempre o rastro de todo o indivíduo que colabora para denegrir a imagem do Brasil! Utopias...

Mas a justiça de Vlad Tepes Drácula é muito diversa disto que chamamos e conhecemos por justiça, não é simbolizada por uma mulher de olhos vendados segurando uma balança. A justiça de Drácula é a Espada de Aço Afiada! Talvez seja por isso que ela funcionava, afinal, como escreveu Nicolau Maquiavel em uma de suas obras, "O Príncipe", considerado o melhor livro produzido por ele, "Um príncipe deve usar da crueldade ou piedade de acordo com as circunstâncias." E ainda adverte Maquiavel que "é muito mais vantajoso para um príncipe ser mais temido que amado, pois o amor acaba mas o temor permanece!"

De fato, Drácula foi muito temido e este temor transformou sua imagem no Diabo encarnado, nenhum outro personagem da história foi tão temido. Se bem que existiram outros tipos excêntricos e cruéis, como é o caso de Gilles de Rais, nascido em 1404 e morto em 1440. Este violentou, sodomizou e matou mais de 140 criancinhas, além de abusar sexualmente de rapazotes e ninfetas, torturando-os até uma morte sangrenta.

Vlad Tepes Drácula parece também que sentia um certo prazer sádico ao mandar executar suas vítimas, e no caso de mulheres infiéis ou arrogantes (que faziam-se de difíceis não querendo entregar-se para o prazer). Uma destas infelizes, Vlad Drácula mandou que seus órgãos sexuais fossem extirpados e depois a mesma fora esfolada viva e exposta à multidão de curiosos! Costumava também mandar cortar os mamilos dos seios e em outros casos atravessava com um comprido espeto de ferro em brasa a vagina de alguma mulher que sendo virgem, perdera a virgindade em aventuras ocasionais. O espeto de ferro emergia pela boca da vítima!

Não há dúvidas, são relatos horripilantes que uma vez lidos, jamais esquecemos e se fossemos pôr no papel todos os documentos medievais referentes à Vlad Tepes Drácula, teríamos em mãos um dos manuscritos mais horrendos de que se tem registro, e é po isso que o personagem "Drácula" excede em terror equiparado a qualquer outra criatura deste lúgubre universo.

Todo homem consciente da transitoriedade da vida, da fragilidade do organismo, do corpo, que sabe com profundidade o quanto a humanidade é má e traiçoeira, aquele que tem uma visão ampla de que todas as relações humanas são fundamentadas no interesse, que o sonho de um dia habitar um castelo é uma utopia, quando considera o cubículo que está confinado em sua mísera habitação insalubre, ah! Todo homem que olha para esse exército de mulheres jovens, ninfetas cheirando o frescor da juventude e se vê velho, exilado do amor, excluído dos prazeres mais seletos desta vida! Aqueles que, rodeados de inimigos, se vêem derrotados pela dialética bastarda da mesquinha realidade que é labutar, trabalhar para não morrer de fome. Todo homem que mesmo sofrendo todo tipo de injustiça social, aquela derivada do poder público, da política corrupta, aquele que mesmo sofrendo todo tipo de assalto, conserva um traço de cultura e consciência, este pelo menos uma vez na vida, deve ter-se fascinado por "Drácula", um anti-herói maldito que vinga e promove sua própria justiça sem precisar de se sujeitar à humilhações oriundas de uma civilização degenerada, de uma forma absoluta.

Sim! Drácula é uma lembrança da mais malvada e cruel criatura que já marcou a civilização, e esta sombra vem fascinando os homens sensitivos cada vez mais, apesar de toda a mancha negra que paira sobre a memória desta criatura. O vulto espectral de Vlad Tepes Drácula renasce hoje em histórias em quadrinhos, em pinturas, gravuras, desenhos, gibis, fanzines (que é o nosso caso), livros específicos de vampirismo, literatura gótica, revistas de história, e no cinema, a invenção mais elevada da ciência!
E nos filmes produzidos, um que realmente dá no que pensar foi Nosferatu (1922)! "Nosferatu, nunca diga esta palavra, evite dizê-la pois ela é como o canto do pássaro agourento da morte..."

Nosferatu, o sinônimo da peste, doença e morte em massa, um vampiro com dentes de rato, que vive confinado em um velho castelo e dorme de dia em um caixão, e à noite acorda para beber o sangue dos vivos!

Mas se Vlad Tepes Drácula possuía longos cabelos crespos e um bigode à moda prícipesca da época, Nosferatu é careca e sem o dito bigode. Aqui ele transcedeu como que reencarnado numa imagem de cinema de forma grotesca e agressiva conservando porém o aspecto de nobre ao habitar sempre um castelo!

As imagens do filme Nosferatu tem o aspecto de um sonho mau, um pesadelo atormentado, mudo, sempre pestilento, mórbido, carregado de imagens medonhas onde o espectador é sempre mais um dos integrantes do enredo...

Nota-se que através da literatura, Drácula ganhou realmente a imortalidade e a imagem do demônio é apenas uma inspiração de horror grosseira equiparada à sombra de Drácula que foi verídica. Mas Drácula não pode carregar sozinho esta reputação de cruel. Outros casos ocorreram de monstruosidades cometidas por outros homens, e o ilustre antropólogo italiano Paulo Mantegazza nos relata o seguinte:

- "Schaaffhausen fala de um respeitável senhor da Silésia que gostava tanto de sangue humano fresco, que sua mulher compassivamente se fazia sangrar todos os anos, para satisfazer o irresistível apetite do marido antropófago".

- "Os caraíbas preferiam do homem cozido a nuca e o pescoço, outros as nádegas, as coxas e as pernas".

- "Agradava muito aos habitantes das ilhas Marquesas, o sangue sugado através do crânio, e, em Nukahiva, Krusenstein encontrou devidamente furadas, todas as caveiras humanas."

- "Na África Central, são bocados prediletos os peitos e mãos das mulheres."

- "A carne humana tem sido comida crua e cozida, na Polinésia, os viajantes descrevem complacentemente os guerreiros cozidos no forno recheados de batatas e servidos num tabuleiro com seus ornamentos."

- "Alguns vasos encontrados em antigos túmulos britânicos eram muito provavelmente destinados a recolher o sangue de vítimas humanas."

- "O Rei Peppel do Rio Bonny (África), deu um jantar de gala por uma vitória em que foi feito prisioneiro o Rei Amakrée. Os comerciantes europeus foram convidados para o jantar no qual entre outras coisas, foi servido o coração ainda palpitante, de Amakrée.Comeu-o Peppel dizendo: 'Eu trato assim os meus inimigos!'"

Enfim, não posso trancrever toda a obra de Paulo Mantegazza para não fugir do assunto sobre as crueldades de Vlad Tepes Drácula, mas é bom ilustrar um pouco através da geografia mundial que a crueldade, assassinato e antropofagia são crimes diversos em qualquer civilização!

Devo admitir então que o que faz às vezes um único nome carregar má fama ou reputação não é pela exclusividade de sua maldade, mas porque outros ocorridos desta natureza já há muito caíram no esquecimento ou foram cometidos no anonimato por outros indivíduos, em algum lugar no tempo e no espaço. Vlad Tepes Drácula deve ser analisado não somente pelo seu lado criminoso, mas justo também, pois das ditas "vítimas" por ele mandado empalar, a maioria eram inimigos invasores turcos que também degolavam pessoas sem piedade.

Vlad, muito antes de exercer o poder obsoluto, fora certa vez capturado pelos turcos othomanos e é muito provável que aprendeu com seus inimigos o uso desmesurado do terror e o profundo desprezo pela vida, quando livre jurou levantar a espada em defesa da cristandade. Mas com o passar do tempo, a antiga Roma e o mundo haviam distanciado-se do "Príncipe Cristão".

Todas as fortificações mandadas construir por Vlad, além das já construídas por alguns de seus antepassados, eram feitas com muralhas de pedra bruta reforçadas com tapumes para repelir a artilharia dos inimigos. Desta forma, no cume dos Cárpatos erguiam-se imponentes castelos, alguns hoje em ruínas!

Estes Montes Cárpatos na Romênia parecem ser uma horripilante e arrepiante parada na fronteira oriental da Europa e marcam os limites de um reino preso entre a história e o horror. Ali, naquelas paragens pitorescas envoltas de vegetações diversificadas, numa terra denominada "além dos bosques", Transilvânia, reinou Vlad Tepes Drácula...

Se pudessemos mapear essa região também denominada "terra dos fantasmas" como um turista privilegiado, percorrendo hoje alguns pontos significativos desta mórbida odisséia, descobriríamos que o espírito atormentado que se relaciona com estas paragens, é muito mais peculiar do que julgamos, nós os amantes do macabro e do desconhecido. Pois os relatos relacionados ao vampirismo e de um mal sobrenatural é tão evidente que até o mais frio cético ou ateu sentiria gelar em sua mísera alma. Seria porém um ótimo empreendimento conhecer de perto os castelos habitados por Drácula e pisar pelo menos uma vez na vida em Bucareste, uma das cidades fundadas por Vlad Tepes Drácula.

Acredito que uma viagem a um local exótico, uma cidade ou país desconhecido, vale por muitos livros lidos e como disse Albino Forjaz de Sampaio, "para sabermos o quanto somos insignificantes devemos viajar...". Sim, seria uma experiência fascinante percorrer esta terra tão sinistra por onde o próprio Bram Stoker passou fazendo levantamento de informações históricas a respeito de Drácula, antes de elaborar sua obra.

Antes de terminar este escrito, não posso esquecer um outro relato de horror sobre o príncipe das trevas. Nos dias atuais, é comum em algumas cidades da Alemanha, grupos de neonazistas skinheads espancar e incendiar mendigos e imigrantes turcos ou de qualquer outra etnia racial. Isso deixa as pessoas chocadas e horrorizadas. No tempo de Vlad, este, certa vez, mandou recolher e alimentar uma quantidade significativa de mendigos e miseráveis. Após saciá-los, Vlad perguntou a eles: "O que mais vocês querem que eu faça por vocês?". Os miseráveis então responderam já saciados: "Príncipe Vlad, alivia a nosa dor e pobreza!". Vlad então mandou a seus soldados que trancassem todas as saídas do pátio do castelo e mandou que os mesmos ateassem fogo nos mendigos e estes arderam até a morte, sob gritos desesperados e como tochas humanas debateram-se em uma cena cruel e ao mesmo tempo horripilante.

Mas se naqueles tempos as coisas já não eram tão fáceis, pior foi ficando na medida que as guerras multiplicaram as barbáries de sangue.

A queda de Constantinopla, a conhecida como "Roma Oriental", fundada no passado remoto pelo Imperador Constantino, com o objetivo de dominação na fronteira com o oriente próximo, foi marcada por violentos combates de othomanos com cristãos. Ilustrações da época nos dão uma idéia deste conflito que parece Ter dado um fim no império romano no oriente e marcado também o fim da idade média no calendário cristão. Os exércitos turcos, radicais e dispostos a tomar a cidade ou morrer, massacraram definitivamente os cristãos que resistiam por detrás das muralhas fortemente construídas em volta de Constantinopla. Este violento combate se deu em 1453 aproximadamente.

O diretor de cinema Francis Ford Coppola, ao elaborar o roteiro de seu filme Drácula de Bram Stoker, lançado em 1992 fazendo absoluto sucesso, produziu uma excelente imagem logo no início do filme, fazendo uma alusão à queda de Constantinopla. A cidade arde em chamas, fumaça negra cobre o cenário e uma enorme cruz de pedra desprende-se do topo de uma igreja, provavelmente a antiga igreja de Santa Sophia. A enorme cruz cai e se desfaz em pedaços no chão! Que cena espetacular!

A imagem ganha seu potencial embalada na excelente trilha sonora composta pelo compositor Wojcieh Kilar. Observamos então não só uma referência da queda de Constantinopla mas a vitória absoluta sobre o cristianismo e uma excelente recordação de que não é esta a religião oficial da humanidade, pois mesmo já fazendo dois mil anos de cristandade, esta doutrina não obteve vitória na parte oriental do mundo!

Vlad Tepes Drácula, para afugentar e horrorizar os invasores, mandou empalar mais de 20.000 prisioneiros turcos. Estes ficaram expostos em um vale durante mais de uma semana. Os que presenciaram estas imagens ficavam estupefatos de terror perguntando-se uns aos outros: o que se pode fazer com um homem capaz disto?

Mas não se chamava Abraan Van Helsing o verdadeiro inimigo de Drácula, mas sim um poderosíssimo sultão da tomada de Constantinopla, o temido Mehmed II, que organizou diligências fortemente armadas com um elevado número de guerreiros para invadir a Valáquia. Em uma das investidas, Vlad fora ferido por uma lança pontiaguda ou flechas e provavelmente tenha morrido assim, existindo porém uma outra versão de que ele teria sido capturado vivo, levado como prisioneiro e fora mais tarde decapitado. Isto no ano de 1476, a mando do sultão Mehmed II.

Mas não encontrou descanso após a sua morte, e segundo relatos de documentos seus restos mortais foram sepultados em um mosteiro em uma pequena ilha em Snagov. Mas para maior espanto dos que o temiam, por uma casualidade do destino ou mãos vingadoras de Jeová, uma violenta tempestade com ventos e raios caiu nas proximidades destruindo boa parte da antiga edificação que era de madeira. E com o passar dos tempos, mudanças das mais variadas se deram no mosteiro e para completar o quadro de horror, o caixão e o corpo de Drácula desapareceram misteriosamente...

Milhares haviam sido empalados no seu reinado de pavor e assim restava a lembrança da mais sinistra e terrível criatura que espalhou o horror na civilização.

O rei dos não mortos não está deitado em seu túmulo, talvez divague para sempre como o espectro mais atormentado de que se tem registro, sua imagem nunca será apagada da história. Ainda que seja mil vezes mais odiado, Drácula é um mito, uma lenda, uma história de horror verídica que ainda nos causa muitos calafrios, principalmente quando soa a meia-noite em ponto e assombrados lemos a inscrição do seu nome em algum artigo de livro, ou revista com referência sobre tamanho horror.

Que a sua justiça caia um dia sobre todos os nossos inimigos visíveis e ocultos...

Jess Franco: O rei do horror erótico europeu


Jesus (Jess) Franco Manera nasceu no dia 12 de maio de 1930 na Espanha, e desde muito jovem sempre se dedicou as belas artes primeiro como escritor talentoso, depois fotógrafo, ator e por fim diretor e roteirista de filmes bem conceituados, entre tanto sem nunca ter encontrado grande reconhecimento e sucesso comercial, não desistiu de seu trabalho e passou a se dedicar intensamente ao mundo do cinema, tornou-se diretor conceituado de filmes Trash devido ao seus inúmeros filmes de horror terem uma boa dose de cenas de sexo e nudez com as mais lindas atrizes, sua produção foi intensa nos períodos dos anos 60 ate 80 e de lá pra cá não parou de produzir mais apenas diminuiu o ritmo sem jamais perder seu estilo e qualidade, foram mais de 200 filmes produzidos ao longo de sua carreira trabalhando neles alem de terror, outros mais variados gêneros.
Atrizes consagradas fazem partes de seus filmes, todas esteticamente belas, de uma beleza natural e não é a toa que ele sempre escolheu temas polêmicos em seus filmes investindo de forma simples em cenas bem exóticas, excitantes com um pouco de violência, sem nunca perder o sentido original de sua obra.
 
O lesbianismo, sempre presente nas obras do diretor, é marca registrada da sua originalidade. Jess abusou de forma livre um tema que até hoje em pleno século 21 ainda é grande um grande tabu moralista para os mais atrasados, que contam com a maioria no mundo. Um exemplo de sua genialidade e ousadia são as obras Vampyrus Lesbos, Pesadelos Noturnos, Conde Drácula, Ela Matou em Êxtase, Faceless etc...
 
O Universo de Jess Franco é complexo, infinito, e não dá para medir a dimensão de sua grande obra, que tem sempre um fundo artístico de grande reconhecimento mundial em obras clássicas da literatura universal, além de profundo conhecedor de obras conceituadas de escritores europeus. Ele ultrapassou o conceito tradicional de adaptação usando uma linguagem própria para dar vida e movimento às obras que ele estudou e adaptou em película.
Ele, de vez em quando, aparece atuando em pontas de cena de seus próprios filmes sempre falando pouco e agindo de forma psicótica e contracenando sempre com belas atrizes e se fingindo de louco.
 
Jess Franco tornou-se ao longo de sua carreira o principal ícone de referência aos filmes B e Trash, além de eternizar o horror erótico por toda Europa. Seus filmes chocaram os mais puritanos e os leigos continuaram sem entender nada de sua obra devido sua linguagem artística complexa que exige do espectador atenção e conhecimento. Trabalhou duro somente com atores consagrados como Jack Palace, Christopher Lee, Klaus Kinski, Howard Vernon, Soledad Miranda, Lina Romay, Paul Miller, Eva Stromberg, Laura Geinser entre outros ícones do cinema.
 
Jess Franco se junta ao grupo de Joe Damato, Ruggero Deodato, Jorge Romero, Lucio Fulci e Jorg Buttgereit como mais um titã dos filmes de horror erótico, deixando sua marca registrada para sempre na história do cinema.
 
 
Filmografia
 
1959 - We Are Eighteen                    
1960 - Red Lips                     
Queen of the Tabarin            
1961 - Vampiresses 1930                  
Gritos en la noche/The Awful Dr. Orloff /Screams in the Night     
1962 - Death Whistles the Blues                   
The Sadistic Baron Von Klaus/Hand of a Dead Man          
1963 - The Jaguar                 
Rififi in the City                     
1964 - Dr. Orloff's Monster/The Secret of Dr. Orloff          
1965 - The Diabolical Dr. Z/Miss Muerte     
1966 - Attack of the Robots/Cards on the Table     
Residence for Spies               
1967 - Lucky the Inscrutable            
Necronomicon Dreamt Sin/Succubus           
1968 - Two Undercover Angels/Red Lips Sadisterotica      
Kiss Me Monster                   
The Blood of Fu Manchu/Fu Manchu and the Kiss of Death          
The Castle of Fu Manchu                 
The Girl from Rio/Su-muru/City Without Men         
99 Women                 
Marquis de Sade's Justine/Deadly Sanctuary           
1969 - Eugenie, The Story of Her Journey into Perversion/Les Inassouvies/The Insatiable Ones 
Venus in Furs/Black Angel    
The Bloody Judge/Throne of Fire/Night of the Blood Monster/The Witch-Killer of Blackmoor    
Count Dracula                      
1970 - Sex Charade              
Eugenie de Sade 2000                      
Nightmares Come at Night/Eyes of the Night         
Vampyros Lesbos/Las Vampiras      
She Killed in Ecstasy/Mrs. Hyde       
The Devil Came from Akasava                    
Death Packs a Suitcase/The Death Avenger of Soho          
The Revenge of Dr. Mabuse             
X-312 Flight to Hell              
1971 - Virgin Report             
Robinson and His Wild Slaves/Sexy Darlings           
Dracula vs. Frankenstein/Dracula, Prisoner of Frankenstein/The Screaming Dead         
A Virgin among the Living Dead/Christina, Princess of Eroticism
Lovers of Devil's Island                    
Daughter of Dracula             
1972 - The Erotic Rites of Frankenstein/The Curse of Frankenstein         
The Demons              
Diary of a Nymphomaniac/Sinner    
The House of Vice/Dolls for Sale/The Vibrating Girls/Les Ebranlees         
A Captain of 15 Years                      
The Silence of the Grave                  
The Sinister Eyes of Dr. Orloff                     
Mystery of the Red Castle (inacabado)
1973 - The Other Side of the Mirror/The Obscene Mirror   
How to Seduce a Virgin/Pleasure for Three/Beyond the Grave      
The Bare-Breasted Countess  Female Vampire/The Loves of Irina/Erotikill/The Swallowers       
Maciste vs. the Amazon Queen/Lustful Amazons    
The Erotic Exploits of Maciste in Atlantis/The Gobblers    
Kiss Me Killer (inacabado)
Who Raped Linda?/Linda's Hot Nights        
The Perverse Countess/The Munchers         
Tender and Perverse Emanuelle                  
Relax Baby (inacabado)
1974 - Night of the Killers/Sospiri/Night of the Skull          
Celestine, Maid at your Service                   
Sexy a Go-Go            
The Sexiest Man in the World                      
Exorcism and Black Masses/Exorcisme       
Lorna the Exorcist/The Devil's Possessed    
Les Chatouilleuses/Nuns in Madness/ The Ticklish Ones    
Les Emmerdeuses/The Troublemakers         
1975  - Midnight Party/Lady Porno 
Shining Sex                
Razzia sur le Plaisir/Two Women in a Golden Cage
De Sade's Juliette                  
Barbed Wire Dolls/Frauengefängnis/Caged Women           
Die Sklavinnen/The Slaves    
Downtown: The Naked Dolls of the Underworld                
The Portrait of Doriana Gray                      
Women Behind Bars/Diamonds for Hell       
Mandinga (inacabado)
White Skin, Black Thigh                   
1977 - Jack the Ripper/Erotico Profondo    
Love Camp                
Love Letters of a Portuguese Nun               
Sexy Sisters/Swedish Nympho Slaves           
Call of the Blonde Goddess/Porno Shock    
Ilsa the Wicked Warden/Greta the Mad Butcher     
Wild Lust                   
Women without Innocence/Wicked Women 
Women in Cellblock 9                       
Das Frauenhaus/Blue Rita    
1978 - Elles Font Tout/They Do It All          
I'm Burning Up All Over                   
Cocktail Special                    
Two Female Spies with Flowered Panties/Opal of Fire      
Erotic Symphony                   
1979 - Sadist of Notre Dame Demoniac      
Mondo Cannibale/Cannibals; White Cannibal Queen         
The Girls of Copacabana                 
Man Hunter/Sexo Canibal/Devil Hunter/ Mandingo Manhunter    
1980    Sex Is Crazy              
Eugenie: The Story of a Perversion             
Pick Up Girls The Girl in the Transparent Panties 
Sadomania: The Hell of Passion/Hellhole Women   
The Story of Linda/Naked Super-Witches of the Rio Amore           
Bloody Moon/Profondo Tenebre/The Saw of Death
1981 - Cecilia: Sexual Aberrations of a Married Woman               
The Lake of the Virgins                    
The Night of the Open Sexes            
The Hotel of Love Affairs                 
Oasis of the Zombies/Tomb of the Living Dead/Blood-Sucking Nazi Zombies       
Macumba Sexual                  
1982 - Moans of Pleasure                 
The Sexual Story of O                       
Black Boots, Leather Whip               
The Inconfessable Orgies of Emanuelle                   
The Sinister Dr. Orloff/Macabre Experiments         
The House of the Lost Women                     
The Night Has a Thousand Sexes                 
The Intimate Confessions of an Exhibitionist                      
A Crack for Two                   
Mansion of the Living Dead             
1983 - Camino Solitario/Lonely Road          
Blood on My Shoes                
Alone Against Terror            
The Blues of Pop Street                    
Fury in the Tropics/Orgasmo Perverso        
Lillian the Perverted Virgin              
The Tanga Girls                    
Revenge in the House Of Usher/Neurosis    
The Grandfather, the Countess, and Scarlet the Naughty/Scarlet  
Diamonds of Kilimandjaro/Treasure of the White Goddess
1984 - The Shadow of Judoka vs. Dr. Wong           
In Search of the Golden Dragon                  
How Much Does a Spy Cost?                       
Dirty Game in Casablanca               
White Bay                  
Voices of Death                     
Golden Temple Amazons                  
A Penis for Three                  
1985 - The Last of the Filipinas                   
Bangkok: Appointment with Death              
Travel to Bangkok, Coffin Included             
The White Slave                    
Lulu's Talking Butthole                     
Lulu's Pacifier                       
The Game Walks Among Whistles               
1986 - Slaves of Crime                     
The Girl with the Red Lips                
Las Chuponas /The Suckers  
For Babies, Warm Milk                    
The Watcher and the Exhibitionist               
Bragueta Story (inacabado)
AIDS, the 20th Century Plague (inacabado)
Tribulations of a Cross-eyed Buddha (inacabado)
1987 - Phollastia                   
Falo Crest                 
Dark Mission: Operation Cocaine/Flowers of Evil 
1988 – Faceless/Predators of the Night       
1989 - Esmeralda Bay                      
The Fall of Eagles/War Song
1990 - Downtown Heat: Ciudad Baja/Viper's Point
1992 - Don Quijote               
1994 - Jungle of Fear (inacabado)
1996 - Killer Barbys              
1998 - Tender Flesh              
Lust for Frankenstein                       
Mari-Cookie and the Killer Tarantula in 8 Legs to Love You                    
1999 - Vampire Blues            
Red Silk                     
Dr. Wong's Virtual Hell                    
Broken Dolls              
2000 - Helter Skelter             
Blind Target              
2001 - Vampire Junction                  
2002 - Jess Franco's Incubus            
2003 - Killer Barbys vs. Dracula                  
2005 - Flowers of Perversion                       
Flowers of Passion               
Snakewoman             
2008 - A Bad Day at the Cemetery/Crypt of the Cursed Women    
2010 - Paula-Paula: An Audiovisual Experience