Mostrando postagens com marcador Alexander Ribeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexander Ribeiro. Mostrar todas as postagens

Drácula - O Príncipe das Trevas (1966)


A Hammer foi uma produtora inglesa que se especializou em filmes B de terror. Fundada nos anos 40, a produtora produziu vários clássicos do gênero e lançou alguns dos mais importantes astros do cinema de Horror, como Vincent Price, Peter Cushing e Christopher Lee. Esse último começou a trabalhar na Hammer no meio da década de 50, mas só alcançou o estrelato na década seguinte, encarnando o personagem Drácula numa série de filmes. Depois de abandonar o personagem, Lee ainda faria alguns papéis memoráveis, como no clássico setentista O Homem De Palha (cujo remake eu analisei na última resenha). Recentemente lee apareceu nas trilogias Senhor Dos Anéis e Star Wars em papéis importantes.


Anteontem assisti a Drácula - O Príncipe das Trevas, um dos filmes dessa franquia. O filme conta a história de dois casais de turistas que resolvem visitar uma pequena cidade. Ao chegar na cidade vão até uma pequena taverna, beber e descansar. Lá encontram um padre, que os recebe simpaticamente. Ao dizerem que pretendem visitar uma região do lugarejo que tem fama da "maldita" , o padre os aconselha a não irem (até parece que nunca vimos isso antes em outros milhares de filmes de terror). Ignorando o conselho do padre por achar que se trata de reles superstição, eles vão. Ao chegar lá, se deparam com um sombrio castelo, e resolvem entrar. Já dentro, eles são recebidos por um sinistro mordomo, que diz que o seu patrão faleceu, e deixou ordems para que os hóspedes fossem bem tratados (?). Ele serve o jantar e depois os leva aos quartos para repousarem. Apesar de acharem o lugar estranho, eles resolvem pernoitar. Acabam descobrindo, da pior maneira possível, que o Conde Drácula, dono do castelo, não está tão morto assim...


Despretensioso e correto, o filme é um entretenimento eficaz, e nada além disso. Com um roteiro simples, interpretações competentes (coisa cada vez mais rara nos filmes do gênero), uma boa direção de arte, e uma direção segura, o filme cumpre o seu papel, e só. Não existe nenhum momento antológico ou acima da média. O que de fato vale o filme, é ver o sempre brilhante Lee, no papel do "pai de todos os vampiros". Mesmo sem nenhuma fala, Lee dá um ar sombrio e singular ao personagem, numa atuação memorável. Não é a tôa que Tim Burton, George Lucas e Peter Jackson são tão fãs do cara.


The Jitters (O Vampiro de Chinatown - 1989)


No folclore chinês há um mito que foi explorado muitas vezes pelo cinema daquele país, os Jiang, que nada mais são que a versão chinesa dos vampiros. Quando uma pessoa é morta por motivos injustos ou violentos, ela volta a “vida” como um Jiang. Devido ao rigor mortis, os Jiang só podem se locomover pulando.


O Vampiro de Chinatown (The Jitters), produção americana de 1989, utilizou o mito do Jiang num contexto de horror com toques cômicos. O filme conta a história de um comerciante de Chinatown que é morto por uma gangue,  e volta a vida como vampiro, buscando vingança. O dono da loja vizinha que mexe com magia, controla o Jiang e outros como ele, o que os transforma em alvos da gangue, assim como a sobrinha do falecido e seu namorado. Produção de baixo orçamento e feita com poucos recursos, Jitters lembra os clássicos oitentistas da produtora Troma: tem personagens caricatos, humor negro, efeitos práticos gosmentos e clima de história em quadrinhos. É diversão garantida. A trilha com um tema bem oitentista é bem memorável.

Quanto ao elenco, o destaque vai para James Hong que interpreta o “feiticeiro” chinês, que na juventude foi hippie (é sério!). Hong está claramente se divertindo no personagem. Ele é responsável por momentos cômicos impagáveis, e a sua risada já é por si só hilária.


O diretor John Fasano dirigiu além desse, duas trankêiras antológicas dos anos 80: Rock 'n Roll Nightmare e Black Roses. Os dois filmes envolvem rock e seres sobrenaturais e o primeiro é provavelmente um dos filmes mais toscos de todos os tempos. Vale a pena conferir, pois as risadas serão garantidas .

The Vampire Journals - 1997


Em 1997, Ted Nicolau lançou The Vampire Journals o suposto spin-off da série Subspecies. Mas o que era pra ser uma suposta história derivada, não tem nenhuma referência á saga de Radu. Na verdade Nicolau optou por fazer o caminho inverso, aqui apresentando personagens que seriam utilizados em Subspecies IV como os vampiros Ash e Dimitri... dessa forma criando um filme aparentemente independente, e que nem sequer se sustenta bem dentro dessa proposta.

Zachary (David Gunn) é um vampiro que caça vampiros. O filme mostra sua perseguição ao poderoso vampiro Ash (Jonathon Morris) e seu fascínio por Sofia (Kirsten Cerre), uma jovem pianista que também chama a atenção do vilão .

The Vampire Journals é uma tentativa frustrada de Nicolau de fazer seu próprio Entrevista com o Vampiro, com influência não só do filme, mas do universo literário das Crônicas Vampirescas de Anne Rice. Além dos vampiros serem todos aristocratas, eles se vestem de forma gótica e são excessivamente sérios. E a narração em off do protagonista é bastante dramática e cheia de elucubrações existencialistas, lembrando a narração do vampiro Louis no filme de Neil Joudan.

O problema é que a cara de telefilme de segunda e o elenco sem talento, só fazem tudo pareçer uma piada involuntária e ainda por cima sem muita graça … David Gunn além de ser um ator inexpressivo, não tem carisma nenhum, assim fazendo de Zachary, um protagonista totalmente desinteressante, com o qual não nos identificamos e nem nos importamos. Jonathon Morris é a canastrice em pessoa na pele de Ash. Sua cara de vampiro depressivo, e a voz meia susurrada que criou pro personagem, só o tornam involuntariamente engraçado, jogando por água abaixo a tentativa de criar um vilão memorável.

O grande problema de The Vampire Journals é se levar a sério. Se o filme tivesse assumido o tom caricato e over da franquia Subspecies, ele funcionaria bem melhor e poderia ter resultado num filme divertido. Mas ao querer fazer um terror gótico sério e artístico, o diretor transformou seu filme numa perda de tempo, dada as suas limitações enquanto cineasta …

Caso você seja fã da franquia Subspecies, talvez tenha a curiosidade de assistir esse filme, mas fora essa curiosidade, não há nenhum outro bom motivo pra assistí-lo …

Subspecies 4 - 1997


Em 1997, Ted Nicolau retornou a franquia Subspecies pra fazer um último episódio. Subspecies IV, mostra o destino final de Radu, e é em vários aspectos, um filme inferior aos outros da saga.

Após o desfecho do terceiro filme, a vampira Michelle é salva por Ana, uma médica, e é levada a um hospital, onde o médico garante ser capaz de curar o vampirismo. Enquanto isso, Radu escapa novamente da sua quase morte e segue os passos da amada até Bucareste. 

O diretor optou por uma desculpa pouco criativa pra volta de Radu. Vemos o vampiro caindo do castelo em chamas, ao ser atingido pela luz do sol, e ficando preso sobre galhos de uma árvore seca. Eis que ele consegue se soltar e cair num pequeno lago, que apaga as chamas. Então todo queimado, ele consegue entrar num túnel do castelo que está exatamente a sua frente. Bem conveniente, não? Início bem forçado, pois faz parte da mitologia vampiresca o vampiro ser queimado até ser reduzido a pó quando atingido pelos raios do sol. E aqui essa mitologia é desrespeitada a serviço do retorno do personagem, o que parece preguiçoso e pouco imaginativo. 
Apesar de estar longe de ser um filme ruim, Subspecies tem artificios cinematograficos pobres, como os flashbacks de outros filmes da saga, que tornam tudo extremamente cafona e com cara de telefilme, sem contar o erro de continuidade que isso gera: Na cena em que o inspetor Marim se descobre vampiro, por exemplo, é mostrado o flashback do terceiro filme, de quando Radu o fere com uma faca. E como os eventos do filme são em tempo real, seguindo diretamente a partir do final do terceiro filme, a diferença na maquiagem de Radu (a dos outros filmes era branca, a desse é mais sépia) e o visível envelhecimento dos atores, torna tudo muito pouco convincente, quebrando a catarse almejada. Seria melhor se os flashbacks fossem refilmados com os atores envelhecidos, ou então que fossem tirados do filme, em prol de uma narrativa mais eficiente.
Com relação ao elenco as novidades são a delicinha Ioana Abur como a Doutora Ana que com sua beleza consegue ofuscar a musa Denice Duff (por incrível que pareça). E Mihai Dinvale, que interpreta o Dr. Nicolescu, um misto de vampiro e cientista louco. O ator passa o filme todo com a mesma expressão: olhos arregalados e um semi-sorriso na boca, o que acaba sendo um alívio comico involuntário. Também temos como “novidade” o vampiro Ash e sua protegida Serena, que foram introduzidos pelo spin-off  Vampire Journals (que será criticado nessa coluna no próximo mês). Apesar dos vampiros não terem importância essencial para o roteiro, eles tem bons momentos, como as primeiras cenas em que contracenam com Radu, em especial a que Serena quer se unir a Radu.
O desfecho e a destruição final de Radu são bem satisfatórios para os fãs da série, pois não dscaracteriza a franquia. Ted Nicolau conseguiu encerrar a saga de Radu e Michelle com dignidade, apesar de ter um resultado inferior aos outros filmes da franquia. De qualquer forma Radu, com suas caras e bocas e seu visual grotesco, é um dos personagens mais marcantes do horror feito dos anos 80 pra cá. E fãs de filmes de vampiro, têm que conhecê-lo.

Subspecies 2 & 3



Com o sucesso do primeiro Subspecies, Charles Band logo encomendou a Ted Nicolau, uma sequencia . E com o sucesso dela , logo saiu a terceira parte. Como as duas sequencias possuem o mesmo elenco e parecem terem sido filmadas em conjunto, pois até o começo de cada filme é no exato momento onde acabou o anterior , vou analisá-los em conjunto.

Subspecies 2 mostra o maligno vampiro Radu colta à vida, mas Michelle, agora uma vampira foge do castelo levando a pedra de sangue, uma reliquia sagrada que pinga sangue e é a grande fonte de alimentação dos vampiros. Radu, então, parte em sua busca. Subspecies 3 mostra Rebecca continuando na sua missão de salvar a irmã Michelle, transformada em vampiro no primeiro filme da série .das garras do maligno Radu. Para isso, conta com a ajuda do agente Mel e do tenente Marin.   
   
As duas sequencias perdem em comparação ao original. Falta a atmosfera do primeiro, aqui minimizada principalmente pelo uso de uma trilha inferior a do primeiro filme. Os momentos lentos que no original eram sempre envolventes … aqui são, algumas vezes monótonos. 

Com relação ao elenco há uma alteração: Michelle é interpetada por Denice Duff (que parece, de rosto, uma versão mais jovem de Monica Belucci) ao invés de Laura Mae Tate, a intérprete original. A nova atriz é mais expressiva do que a anterior e trouxe mais personalidade a personagem. Já a intérprete de sua irmã Rebecca , Melanie Shatner, apesar de bela, é totalmente inexpressiva.  Outro ponto que não funciona muito bem nos filmes é o personagem do Detetive Marin. Incluido no roteiro como alívio cômico, Marin só funciona em suas primeiras aparições (como na ótima piada sobre a serie inglesa Perry Mason), depois se tornando chato e sem graça. Radu , por sua vez, continua fazendo mil caretas e sendo o mesmo vampiro Freak do original . E as referencias a Nosferatu continuam, como Radu se movimentar em forma de sombras, sobre as paredes . Inclusive a sequência em que Radu ensina esta técnica a Michelle, é ótima, com eles se alimentando do sangue de um garçom. Todo o dilema de Michelle entre ser uma vampira e se alimentar como tal é bem desenvolvido, lembrando um pouco o dilema parecido vivido pelo vampiro Louis de Entrevista com o Vampiro, porém não seria correto dizer que se trata de um plágio, pois, o filme com Brad Pitt é de 1994 e Subspecies II que começa a mostrar o drama de Michelle é do ano anterior.
Por outro lado, o roteiro perde força ao ignorar completamente seu amor por Stefan, que é morto por Radu logo no começo do segundo filme, e a partir daí , se ignora completamente a importância do personagem no primeiro filme. Michelle age como se Stefan nunca tivesse representado nada pra ela , o que é incoerente com o que foi mostrado no primeiro filme. 

Outra novidade é que temos a presença de um novo e interessante personagem, a mãe de Radu, uma Bruxa-Zumbi, que mais parece uma fugitiva do elenco do filme italiano Burial Ground. Mentora e cúmplice de Radu, a mãe traz bons e divertidos momentos ao filme, como o arremesso da faca por telecinese no terceiro .

O maior desperdício dessa Franquia é explorar mal a ideia mais original que possui, a dos demônios que nascem a partir de pedaços do corpo de Radu, que só aparecem no começo do segundo e na conclusão do terceiro. É uma pena pois os pequenos seres poderiam render alguns momentos interessantes na franquia.
   

Subspecies - 1991


O prolífico diretor e produtor Charles Band, deu a luz , através das suas produtoras Empire e Full Moon a vários filmes de horror e ficção científica de baixo orçamento, nos anos 80. Eram filmes com roteiros básicos, mas dirigidos de forma competente e com efeitos práticos criativos, o que levou Band e suas empresas a serem muito cultuadas e respeitadas pelos fãs do bom cinema de gênero. Ainda hoje, colecionadores procuram esses filmes, e conversam entusiasmados sobre eles quando o tema surge numa mesa de bar, por exemplo. Um bom exemplar do cinema da Full Moon, a mais famosa entre as duas produtoras de Band, é Subspecies, de Ted Nicolau , lançado por aqui no início dos anos 90 como Subspecies- A Geração Vamp, pra aproveitar a fama da novela global sobre vampiros.
O filme conta a história do maligno vampiro Radu (Anders Hove), que após um longo tempo no exílio, retorna à sua terra natal, na Transilvânia, e mata o próprio pai (o eterno “Tall Man” da série Fantasma, Angus Scrimm, aqui com uma peruca à lá Cauby Peixoto) para obter a Bloodstone, uma relíquia que contém o sangue de todos os santos. Paralelamente, três universitárias norte-americanas vão à Transilvânia para estudar os mitos locais, e acabam se envolvendo na disputa milenar entre Radu e seu irmão, o vampiro de bom coração (e galã) Stefan (Michael Watson, um ilustre desconhecido), que se apaixona por uma das estudantes, a bela Michelle (Laura Mae Tate, outra ilustre desconhecida).

Subspecies é um filme que tem como elemento de maior força a trilha sonora, repleta de temas instrumentais ambiente, que em alguns momentos remetem a música sacra, e que combinam com a ambientação nublada e sombria da Transilvânia. O surpreendente é que a trilha foi composta por 6 compositores diferentes , mas os temas são tão coesos entre si, que parecem ser obra de um mesmo compositor .
O vampiro Radu também é um personagem memorável, uma vez que o ator Anders Hove o interpreta de forma tão exagerada, abusando de caras e bocas, que acaba resultando numa performance cômica. A sua maquiagem remete ao Nosferatu de Murnau, com a pele extremamente branca, quatro presas na boca (ao invés de duas, como a maioria dos vampiros do cinema) e dedos enormes, com unhas pontiagudas e longas. Unindo seu visual e sua performance, podemos dizer que temos uma caricatura de Nosferatu, o que é bem divertido. Outro elemento marcante do personagem é que toda vez em que chupa sangue, ele fica babando, o que lhe acrescenta algo de escatológico. Voltando a Nosferatu … as cenas em que Radu entra nos quartos das estudantes e quando flagrado, foge, e vemos sua sombra no chão diminuindo até sumir, é outra referência clara ao longa-metragem clássico de Murnau.
As criaturas que nascem a partir do corpo de Radu são animadas por Stop-Motion, também são um show a parte, de encher os olhos de qualquer admirador dessa técnica.

Graças ao sucesso de Radu e do filme, Subspecies teve 3 sequências e um Rip-off (Vampire Journals). Todos serão  analisados aqui na coluna nos próximos meses. 

Fiquem atentos.

Prowl - 2010


No ano de 2007, foi lançado um filme que trazia uma visão original e assustadora dos vampiros: 30 Dias de Noite. Baseada em uma HQ americana homônima, o filme trazia vampiros monstruosos, estranhos e assustadores, que falavam uma língua desconhecida, o que só os tornavam mais macabros. Ao ver este filme, achei que ele seria um divisor de águas dos filmes de vampiros e que ia influenciar a maioria dos filmes do gênero que vieram depois dele. Mas isso não se concretizou, e a maioria das produções continuou a repetir o modelo do vampiro clássico, ou a lá Anne Rice, resultando em, com raras exceções, filmes cada vez mais repetitivos e nada criativos. Mais eis que em 2010, surgiu um interessante filme independente, com criaturas vampirescas inspiradas em 30 Dias de Noite: Prowl, uma co-produção entre EUA e Reino Unido, lançado no Brasil como A Armadilha.
O filme conta a estória de Amber (Coutney Hope), uma jovem que sonha em fugir da pequena cidade onde mora e convence seus amigos a acompanhá-la. Quando o carro em que viajavam quebra, eles aceitam com gratidão a carona de um caminhoneiro. Mas quando o motorista se nega a parar e descobrem que o veículo está cheio de caixas manchadas com sangue, começam a temer pelo pior. Eles são levados para um armazém escuro e abandonado onde se tornarão presas de criaturas sanguinárias. 

Prowl começa de forma lenta e envolvente, nos apresentando Amber e seus estranhos pesadelos e visões, criando uma aura de mistério que vai sendo solucionada aos poucos no decorrer do filme. Os personagens, apesar de caricatos (há o nerd, o pegador boa pinta e grosseiro, etc.) são mais verossímeis que na maioria dos filmes do gênero, e os atores, em sua maioria, são razoáveis. O diretor Patrik Syversen é bem hábil em criar tensão, e a ambientação escura e claustrofóbica do galpão e da fábrica abandonada ajudam nessa tarefa … o roteiro é bem simples, porém eficaz, desenvolvendo bem o arco da protagonista, e usando todos os coadjuvantes de forma precisa, uma vez que nenhum personagem fica em tela mais tempo que o necessário. O caminhoneiro interpretado pelo veterano Bruce Payne (Necronomicon, Warlock III, Passageiro 57) é um bom exemplo disso, tendo a sua importância no primeiro ponto de virada da trama, e depois aparecendo pouco, mas suas cenas sempre trazem respostas importantes para a trama e os personagens. Outro ponto positivo do filme é a boa trilha instrumental, que é bem atmosférica, tendo seus melhores momentos no primeiro ato, assim como o trabalho de som em toda a parte da fábrica, misturando trilha, rosnados e sons ambientes de uma forma engenhosa, tornando tudo mais tenso. E quanto ao visual dos vampiros, apesar de ser quase um plágio daqueles de 30 Dias de Noite, funciona de forma eficaz .
Quanto aos pontos fracos, posso citar as cenas de perseguição dos vampiros aos humanos, que poderiam usar menos câmera na mão tremida, pois esta ás vezes treme tanto que não conseguimos ver direito a ação... nada que seja do nível de Michael Bay , mas ainda assim, incomoda. Já o segredo do filme, acaba não tendo tanto impacto, pois são dadas tantas dicas anteriormente que o espectador já o resolve por antecipação.

Porém avaliando o todo, o saldo final é positivo e faz com que fiquemos na expectativa de uma continuação , pois há um gancho final bem interessante . Eu adoraria ver o universo vampiresco do filme ser ampliado em outros filmes . Então , que Prowl 2 veja a luz do dia …                                                                
A Armadilha (Prowl), EUA/UK, 2010. Direção: Patrik Syversen. Elenco: Courtney Hope, Ruta Gedmintas, Perdita Weeks, Jamie Blackley. Distribuição: Califórnia Filmes.

Salem`s Lot: Uma Análise de duas adaptações de uma obra de Stephen King

AVISO : CONTÊM SPOILERS !

Salem`s Lot foi o segundo romance escrito por Stephen King. Lançado em 1975 e inspirado em Bram Stoker, o livro foi um sucesso, e teve duas adaptações para a TV americana, em formato de mini-séries . Uma em 1979, dirigida por Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica) e outra em 2004, dirigida pelo veterano da TV Mikael Salomon, que tem no currículo episódios de Rome e Alias. 

Salem`s Lot conta a história de Ben Mears, um escritor de sucesso, que retorna a cidade do título, onde nasceu e passou a sua infância, para escrever um livro sobre a Mansão Marstein, uma macabra residência que fica no alto de um morro, e tem a fama de ser mal-assombrada pela alma de seu antigo proprietário, Hube Marstein, que segundo boatos, sequestrava, torturava e matava crianças, até que se enforcou, deixando a casa por anos, vazia. Durante a estadia de Mears na cidade, fatos estranhos começam a acontecer, como o desaparecimento de um garoto e o aparecimento de seu irmão em estado de choque. Mears então fica cada vez mais convencido que há uma conexão entre a mansão, seu novo e misterioso proprietário, e os fatos, o que o levará a investigar a fundo os eventos, e ao derradeiro confronto com a sinistra criatura que habita a mansão.
A primeira versão, tem forte influência do horror gótico dos clássicos filmes da universal e do cinema da Hammer. Com ritmo lento e envolvente, Hooper cativa os espectadores, usando para a composição desse ritmo, uma ótima trilha sonora instrumental, e as tomadas noturnas da mansão, que fica em cima de um morro no meio da mata, uma locação por sí só sinistra e assustadora. Apesar de contar uma história sobre vampiros, o diretor o faz, muitas vezes, usando artifícios consagrados de filmes de fantasmas, como a antológica cena do garoto vampiro visitando o irmão durante um sonho, surgindo lentamente, flutuando de dentro da névoa, e batendo em sua janela,  uma visão tipicamente fantasmagórica. E a aparição do vampiro na casa do menino Mark Petrie, que nos momentos que antecedem a materialização do ser das trevas, lembra um fenômeno Poltergeist, com objetos tremendo, se movendo, e uma lâmpada estourando. Outra idéia que acrescenta um elemento sobrenatural á história de vampiros, dando mais singularidade a produção, e saindo dos possíveis clichês, é a de que a Mansão é uma casa naturalmente maldita, que tem o poder de atrair o mal pra dentro dela, assim tendo atraído o infanticida Hube Marstein e posteriormente o macabro Sr. Barlow, e seu ajudante Straker .                            
O elenco também é bem acima da média, com o veterano James Mason interpretando Straker de forma bastante memorável, com uma atuação discreta; já George Dzunza como Cully Sawyer, um transportador de carga e marido traído, e Fred Willard como o corretor imobiliário e amante de sua mulher, Larry Crockett, são ótimos alívios cômicos … a cena do flagrante é impagável … Bonnie Bedelia, a eterna Sra. John Macclane de Duro de Matar, interpreta de forma elegante Susan Norton, o interesse romântico do protagonista, que por sua vez é interpretado pelo eterno protagonista da série Starsky & Hutch, David Soul, um ator competente e carismático, mas que não fez uma carreira consistente no cinema. Talvez por falta de oportunidade ou apenas por opção, Soul acabou tendo uma carreira bem prolífica na televisão …
                                                    
Já a segunda adaptação do livro, de 2004, é bastante inferior, isso se devendo em grande parte a uma diferença de linguagem narrativa : enquanto a produção de 1979 se apropriava da linguagem cinematográfica , esta possui linguagem tipicamente televisiva, fazendo uso dos seus piores vícios, e em muitos momentos lembrando uma novela/Soap Opera .           
O roteiro é excessivamente didático, explicando tudo, inclusive coisas que não precisavam ser explicadas … um exemplo é a carreira literária do protagonista. A série antiga não aprofundava-se nisso, apenas limitando-se a falar os títulos de alguns livros do homem e que ele era talentoso em seu ofício. Já essa segunda adaptação faz questão de explicar que o escritor ficou famoso com um livro sobre crimes de guerra no Afeganistão, o que não acrescenta nada ao personagem e nem o faz mais denso que o de 1979. Além do didatismo, também há espaço para elementos do melodrama, como justificarem a obsessão de Mears pela Mansão Marstein com um complexo de culpa por, supostamente, não ter salvado um garoto que era vítima de Hube Marstein quando invadiu a casa na infância, devido a um acordo com os colegas… o que leva a vários momentos de “lamúria”. O Mears de 1979 definitivamente era muito mais interessante mesmo sem nenhuma culpa . 
O roteiro tambem mudou bastante alguns personagens. Larry Crockett agora não tem um caso com uma mulher casada , mas é um pai viúvo superprotetor e abusivo , enquanto que quem faz sexo com a mulher de Cully é um médico, que não existia na versão de Hooper. E Cully é um pai jovem, irresponsável e trambiqueiro, que combina com a esposa de seduzir o médico pra que depois ele o chantageie. O namorado da dona da pensão em que Mears se hospeda, que na outra versão era um bêbado vadio e já casado com ela, aqui é um homem romântico e apaixonado, que tem que enfrentar a relutância de sua amada pra aceitar seu amor(mais melodramático impossível). O ex-professor de Mears , que era um mentor, amigo e admirador da obra do autor, aqui se divide entre detrator de sua obra e crítico de sua personalidade, e amigo e mentor, tendo assim uma relação ambígua com o protagonista. Essas mudanças, assim como as outras outrora citadas , também não somam nada a obra, só tornando-a menos interessante que a de Hooper .

A caracterização do vampiro, que na adaptação antiga era uma versão moderna do Nosferatu de Murnau, neste aqui é um vampiro de aparência humana interpetado por Rutger Hauer, em uma das sua interpetações mais canastronas. Por mais que ele tenha momentos divertidos, a caracterização antiga, apesar de não ter nada de original, era bem mais eficiente no contexto do horror. No saldo final, o único personagem realmente interessante da produção, é o Straker de Donald Sutherland, que é diabólico e sarcástico. A cena em que ele atormenta a dona da pensão é a melhor da obra, e por mais que a atuação de Mason em 79 fosse memorável, Sutherland faz uma digna releitura. Mason ficaria feliz e talvez até se divertisse com o desempenho do colega.
Enquanto a mini-série de Hooper era responsável por vários momentos antológicos, a de Salomon não tem nenhum momento dignamente memorável . As cenas das crianças visitando os sonhos das pessoas e batendo na janela, que haviam no clássico, não tem nem metade do impacto do anterior, graças a maquiagem e decupagem pobres. A cena da visita do vampiro a casa de Mark Petrie também é inferior. Enquanto na clássica bastava a imagem assustadora do vampiro pra criar medo, nesta o diretor teve que colocar um vampiro engatinhando no teto em busca de algum impacto,  mas o resultado apenas parece pueril e caricato …Há também uma cena constrangedora de tão mal-feita , que é a de Tibbits se espremendo no tubo de ventilação pra chegar a cela de Mears. O efeito escolhido pelo diretor pra causar essa impressão foi distorcer a imagem de Tibbits, num artifício de péssima qualidade técnica, que acaba se tornando involuntariamente cômico.

O elenco também é bem fraco, começando por Lowe, que tem uma atuação completamente preguiçosa como Mears. O ator passa o filme todo com a mesma expressão facial, aquela conhecida popularmente como “cara de paisagem”. Quando nos lembramos a atuação de David Soul na versão anterior dá vontade de nem continuar assistindo a produção… o restante do elenco ou é fraco ou está preso a personagens ruins, como é o caso de Dan Byrd e Andre Braugher, que interpretam o garoto Mark Petrie e o professor Matt Burke . 
Como saldo final temos uma obra pobre e esquecível. Você pode até se divertir com o Salem`s Lot de Salomon, mas dificilmente se lembrará dele depois de algumas semanas. Já a obra de Hooper é brilhante e vale ser vista e revista como uma das mais interessantes obras sobre vampiros já feitas no audiovisual. Em tempos em que os vampiros estão cada vez mais insossos e inofensivos, uma obra como essa tem que ser assistida em caráter de obrigação didática. Como era boa a época em que vampiros eram monstros ...

Vôo Noturno (The Night Flier - 1997)


Decidi estrear a coluna Criaturas Noturnas com um filme que gosto muito mas nem todo mundo conhece: Vôo Noturno, de 1997. Um telefilme baseado num conto de Stephen King chamado “O Piloto da Noite”, retirado do livro Pesadelos e Paisagens Noturnas. Trata-se de um filme simples, de baixo orçamento, com um elenco de ilustres desconhecidos, e que traz uma visão original e monstruosa do vampiro, bem diferente de todas as caracterizações de vampiro anteriores do cinema.

O filme conta a história de Richard Dees (Miguel Ferrer, ator famoso por papéis de coadjuvante em muitos filmes de ação como, por exemplo, Robocop), um jornalista investigativo de um tablóide sensacionalista na linha dos jornais brasileiros O Povo e Notícias Populares, que recebe a tarefa de investigar o caso de um assassino serial que viaja num pequeno avião, aterrisa em cidadezinhas do interior dos EUA e mata pessoas sugando todo o seu sangue . Por acreditar que o assassino seria logo preso quando a polícia investigasse seu avião, ele acha que o fato não renderia uma boa história e recusa a matéria. Mas acaba aceitando quando os assassinatos persistem. Dees então vai em seu avião seguir o rastro do “Piloto da Noite” e acaba tendo de trabalhar junto com a nova contratada do jornal, Katherine (Julie Entwisle, esposa do diretor, que além desse filme fez apenas a comédia “Será que ele é” com Kevin Kline).
                         
Miguel Ferrer está ótimo na pele do frio Dees, um sujeito egoísta e solitário que é obcecado pela notícia, não se preocupando com quem está em seu caminho. A cena em que Dees discute com Katherine, agarrando seu braço de forma agressiva, caracteriza bem a personalidade repulsiva do personagem, e é uma ousadia do filme ter um protagonista realmente odiável, algo bastante incomum no cinema em geral, ainda mais em telefilmes. Simplesmente não há como simpatizar com Dees... O personagem também acaba sendo o veículo do diretor pra críticar o jornalismo sensacionalista da chamada “mídia marrom”.


O diretor Mark Pavia (que só fez esse longa e um curta-metragem) criou um filme de terror à moda antiga, com narrativa lenta, trilha discreta e envolvente, e soube usar sombras, vultos e neblina pra criar o medo, sem apelar pra grandes sustos ou gore excessivo. Este, inclusive, aparece nos momentos em que o contexto pede, não sendo o foco do medo, mas contribuindo com ele. O quanto menos você souber sobre esse filme antes de assistí-lo, é melhor, pois com a boa condução do mistério sobre o visual da criatura, o filme vai envolvendo o espectador aos poucos até o macabro clímax, que está a altura da expectativa criada.